Josephine Baker
Não foi à toa que ela recebeu os apelidos de "Vênus negra" e "Deusa de Ébano" e arrancou elogios de grandes personalidades. Extravagante e sensual, sempre se apresentando em trajes ousados, conquistou Paris e deixou muitos homens e mulheres apaixonados.

Seu nome verdadeiro era Frida Josephine McDonald, filha de Carrie McDonald e Eddie Carson, músico. Teve uma infância pobre, no sul dos Estados Unidos, em Saint Louis, e às vezes dançava nas ruas para ganhar algumas moedas. Como a mãe e a irmã, trabalhou como lavadeira na casa de senhoras malvadas (uma delas chegou a lhe escaldar as mãos porque tinha gasto muito sabão).

Um dia arrumou o emprego de camareira da diva negra Clara Smith, e conseguiu a oportunidade de substituir uma corista. Aos 15 anos, casou- se com William Howard Baker e ganhou seu sobrenome, mas deixou-o dois anos depois, quando saiu de St. Louis, devido à grande discriminação racial que havia na cidade. Aos 19, arrumou uma vaga num show da Broadway. Achavam que ela fazia muitas caretas e que tinha olhos vesgos. Por sorte, foi selecionada para participar de "Revue Nègre" em Paris.
Desembarcou na cidade luz no ano de 1925 e na noite de estréia, no Teatro Champs Ellysées, tinha os artistas Léger e Jean Cocteau na platéia. As atrações do show eram os bailados exóticos e os negros zulus. Josephine fazia uma dança selvagem, com as plantas do pé no chão e as pernas arqueadas, com os seios de fora e uma tanga de penas.

Desbocada e sexy, tornou-se estrela no ano seguinte, no Folies Bergères e no Cassino de Paris, conquistando a fama logo em seguida. Sua primeira performance foi a famosa dança da banana, em que se apresentava vestida somente com uma tanga feita com as frutas. Ela rapidamente tornou-se a favorita da França
. Ficou casada algum tempo com Pepito di Abatino.

Em 1929, após uma turnê na América do Sul, no navio que levava Josephine Baker - "a mulher mais famosa do mundo" - para a Europa
, conheceu o brilhante arquiteto LeCorbusier. Segundo a biografia escrita por Phyllis Rose, os dois talvez tenham sido amantes. É possível, porque o que não faltaram na vida de Josephine foram maridos e amantes. Além de Baker e Abatino, casou-se com Jean Lion, Joe Bouillon e Robert Brady. A lista de admiradores incluía Georges Simenon, Pablo Picasso, Alexander Calder, E. E. Cummings e outros.
A participação de Josephine na Resistência Francesa durante a Segunda Guerra Mundial e sua luta contra o racismo lhe valeu as duas mais altas condecorações da França, a Cruz de Guerra e a Legião de Honra.

A partir de 1950, começou a adotar crianças órfãs durante suas turnês pelo mundo, passando a criá-las em seu castelo, Les Milandes, nas vizinhanças de Paris. Também adotava animais, de todas as raças. Chegou a passear por Paris com um leopardo (Chiquita) que, de vez em quando, escapava da coleira dentro de um teatro, quando ela insistia em levá-lo para assistir a uma peça.

No final dos anos 1960, passou por dificuldades financeiras e parou de se apresentar em 1968. A princesa Grace de Mônaco ofereceu a ela uma casa no Principado, quando soube dos seus problemas. Baker apresentou-se então em Mônaco, com grande sucesso, em 1974. No mesmo ano fez apresentações em Nova York. Estava se preparando para comemorar, em Paris, os 50 anos de palco, quando entrou em coma e morreu aos 68 anos, em 12 de abril de 1975. Seu funeral foi em Paris e ela foi enterrada em Mônaco.

Josephine Baker esteve no Brasil pela primeira vez em 1929. Apresentou-se no Teatro Cassino, no Rio de Janeiro. Voltou em 1952 e contracenou com Grande Otelo
 no show "Casamento de Preto", onde cantava "Boneca de Piche" em português. Em 1963 fez uma temporada no Copacabana Palace e apresentou-se no Teatro Record, em São Paulo. Esteve pela última vez no Brasil em 1971, no Rio de Janeiro, em Belo Horizonte e em Porto Alegre.

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Comentário de Ivan Moraes em 12 dezembro 2011 às 1:22

Um passeio rapido pela carreira dela:

http://www.youtube.com/watch?v=bhcCx6SsAn0

Comentário de João de Deus Netto em 12 dezembro 2011 às 8:47

Valeu, Ivan! Estive com este vídeo e acabei me esquecendo de incluir.

Mas que Michael Jacson que nada!

A Josephine era fantástica e tinha tudo pra ser vista (será?) pela nossa Maria Alcina - menos a voz.

Comentário de Ivan Moraes em 12 dezembro 2011 às 19:39

Ah, antes que eu me esqueca e ainda no assunto, a abertura do filme (uh, digamos...) "As Trigemeas de Belo Horizonte".  Quase nao tem palavra nenhuma, e a unica outra musica cantada eh em portugues de Portugal.  Altamente recomendo, Joao, eh deslumbrante, e a historia eh maravilhosa.  Quase nunca comprei filme na vida, nos ultimos 30 anos devo ter comprado menos de 20 filmes...  mas esse valeu a pena.  Abracao.

http://www.youtube.com/watch?v=pDCOxHz3EVw&feature=fvwrel

Comentário de João de Deus Netto em 13 dezembro 2011 às 15:10

SENSACIONAL!!! Desenhistas de animação fantásticos. Mais tarde curtirei os outros. 

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