Ontem levei um tempinho para escolher a foto para colocar no post abaixo. Não queria expor as pessoas- preferi o cão. Para mim é metáfora da devastação e abandono.

Ali todos perderam. Em nossos corações a dor da perda do outro bate como a possibilidade de também perdermos. Meu coração está apertado desde quarta-feira, minha garganta travada- esqueço de comer, vontade só de tomar café.

Exagero? Pode ser que muitos não sintam assim, mas eu, sempre, sofro muito quando acontecem estas catástrofes, mortes anunciadas- que nos revelam o abandono da população e a passividade dos cidadãos. A Terra mostra que é poderosa, que somos vulneráveis, frágeis.

Somos um povo passivo, demais para o meu gosto- acho que deveríamos sair mais às ruas, para a frente das prefeituras, exigir mais. Somos muito tolerantes- o limite da nossa tolerância vai até a morte na nossa porta. Até o dia da porta arrombada, a casa destruída. Os cristãos acreditam que é vontade divina e fica por isso mesmo. Deus quis assim, dizem.

Esquecemos facilmente o drama no ano anterior, não planejamos nossas vidas, não projetamos nossas casas para serem mais seguras.

Muitos não têm grana para pagar engenheiros, projetistas, constroem em mutirões, chamam cunhados, irmãos e sobem mais um andar, mais um puxadinho para o filho que casou- ou para a neta que está grávida antes dos 18 anos.

Nossas cidades não são planejadas – exceto raras exceções.

Não vamos deixar que o que acontece no Rio de Janeiro, ou que aconteceu em Florianópolis, ano passado, ou São Paulo a cada chuva forte, seja esquecido- vamos transformar esta tragédia em algo renovador, que não permitam mais construções em morros, vales, lugares vulneráveis à chuvas fortes.

Vamos usar os novos meios de comunicação- como Twitter, Facebook, para nos organizarmos, fazermos campanhas, e entrarmos em contato com nossos vizinhos, nossas comunidades de bairros.

Não se calem, não deixem que estas vítimas sejam esquecidas- poderão vir outras e mais outras...

Sobre o cão sobrevivente, foi adotado por uma família da Barra da Tijuca- Rio.

O caso que mais me tocou, talvez por ter sido o primeiro que li, foi o da família da jovem figurinista- Daniela Connolly. A família perdeu 13 pessoas. O irmão desta jovem perdeu: pai, mãe, irmã, 2 filhos... sobreviveram ele, a mulher e um filho. Ele estava longe. Há um filho de 2 anos desaparecido.
Que horror! É muita dor para um coração.

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