Por Ronaldo Bicalho, do Blog Infopetro

Segundo os dados da Agência Internacional de Energia (AIE)*, Brasil, Rússia, Índia e China respondem por 32% da demanda de energia mundial. Entre eles o destaque fica com a China com 2.417 milhões de tep (toneladas equivalentes de petróleo)[1], que correspondem a 19% da demanda de energia do mundo[2]. A Rússia vem em seguida com 701 milhões de tep (6% da demanda mundial), depois a Índia com 692 milhões de tep (5%) e finalmente o Brasil com 265 milhões de tep (2%).

Embora a China apresente a maior demanda de energia do mundo, seu consumo per capita (1,81 tep/hab) está abaixo da média mundial (1,86 tep/hab). Do mesmo modo a Índia que, mesmo alcançando 5% da demanda mundial, apresenta um baixo consumo per capita (0,59 tep/hab). Por outro lado, a Rússia apresenta um consumo per capita de energia (4,95 tep/hab) de país desenvolvido[3]. O consumo brasileiro (1,36 tep/hab) fica em uma posição intermediária entre os BRICs, um pouco abaixo do consumo chinês. Para situar esses valores, os Estados Unidos, segundo maior consumidor de energia do mundo, têm uma demanda per capita de 7,15 tep/hab.

Se Brasil, China e Índia importam, em termos líquidos, respectivamente, 9%, 14% e 26% da energia que demandam, a Rússia exporta, em termos líquidos, o correspondente a 83% do que demanda.

Isto faz com que China, Índia e Brasil sejam responsáveis por 8%, 5% e 1%, respectivamente, das importações mundiais de energia, ao passo que a Rússia se encarrega de 12% das exportações.

No caso específico da dependência energética do petróleo e derivados, a importação liquida da China alcança 59% da sua demanda e a da Índia 76%. Já no caso da Rússia esses valores atingem (-) 256% – o que significa, na verdade, uma exportação líquida de petróleo -, e no do Brasil, praticamente, 0%, significando uma importação praticamente igual à exportação – a chamada autossuficiência.

Em termos de fontes, o carvão domina a matriz energética chinesa e a indiana com uma participação de 66% na primeira e 42% na segunda. Essa predominância do carvão faz com que 46% da demanda mundial desse combustível ocorram na China e 8% na Índia.

No caso da Rússia, a fonte principal de energia é o gás natural, que é responsável por 55% da sua matriz. Ao passo que no Brasil, as vedetes são as fontes renováveis, que alcançam 44% da matriz (somando biocombustíveis – 31% – e hidroeletricidade – 13%); embora, deva-se ressaltar que, com 39%, o petróleo ocupa uma posição respeitável na matriz brasileira.

No que concerne às perdas de transformação[4], o destaque é o Brasil. Enquanto na China, Índia e Rússia essas perdas representam, respectivamente, 30%, 27% e 24% da demanda interna bruta desses países, no Brasil elas representam 9%. Na medida em que as transformações que geram as maiores perdas são aquelas relacionadas à geração de eletricidade, a elevada participação da geração hidráulica na matriz elétrica brasileira (78%) é o que faz com que as perdas no país sejam muito menores do que nos outros BRICs[5].

No que diz respeito ao consumo setorial, na China, no Brasil e na Rússia prepondera o setor industrial, responsável, respectivamente, por 52%, 41% e 34% do consumo final energético chinês, brasileiro e russo. Em contrapartida, na Índia o grande destaque é o setor residencial, responsável por 41% do consumo final energético indiano. Destaque esse explicado pelo grande peso (77%) da lenha e dos resíduos vegetais e animais (fontes de rendimento energético muito baixo) no consumo desse setor na índia.

Em termos de emissão de CO2, a China não só é o maior emissor dos BRICs, como também do mundo, com 7.269 Mton (milhões de toneladas) de CO2. A Índia vem em seguida com 1.625 Mton, depois a Rússia com 1.518 Mton e, fechando a fila, o Brasil com 387 Mton. Para se ter uma ideia do que representam esses valores, a emissão mundial é de 30.326 Mton e a emissão dos Estados Unidos é de 5.368 Mton.

Quando se leva em conta a emissão por habitante, esses valores apresentam mudanças significativas. O maior emissor per capita dos BRICs é a Rússia com 11,16 ton/hab, seguida pela China com 5,43 ton/hab, pelo Brasil 1,99 ton/hab e, ao fim, a Índia com modestos 1,39 ton/hab. Nesse caso, a média mundial é de 4,44 ton/hab e a emissão per capita americana é de 17,31 ton/hab.

Em resumo, os BRICs apresentam quadros energéticos completamente distintos. Se a China é o maior consumidor de energia, ficando com 19% da energia mundial, o Brasil fica apenas com 2% dessa energia. Em outras palavras, em termos energéticos, o Brasil é praticamente um décimo do que é a China. China que está em um patamar energético (2.417 Mtep) completamente distinto dos outros BRICs e próximo apenas do patamar do segundo maior ator energético mundial que são os Estados Unidos (2.216 Mtep).

Embora Índia (692 Mtep) e Rússia (701 Mtep) estejam em patamares energéticos próximos, seus valores per capita são completamente díspares (0,59 tep/hab para a primeira e 4,95 tep/hab para a segunda).

Se, por um lado, Índia e China apresentam dependências energéticas elevadas, principalmente para o petróleo (Índia 76% e China 59%), por outro, a Rússia apresenta-se no cenário como um grande exportador, principalmente de petróleo (-256%). Já a característica brasileira nesses termos é a autossuficiência.

Se China e Índia são movidos a carvão (66% China e 42% Índia), a Rússia é movida a gás (55%) e o Brasil a renováveis (44%). Cabendo ressaltar o peculiar peso dos resíduos vegetais e animais na matriz indiana (25%).

Se o setor industrial puxa o consumo da China (52%), do Brasil (41%) e da Rússia (34%), é o setor residencial que puxa o consumo indiano (41 %).

Se a China contribui com impressionantes 7.269 Mton para as emissões mundiais de CO2, o Brasil contribui com 387 Mton. (...) O texto continua no Blog Infopetro.

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