A energia elétrica no Brasil III: a chegada da AMFORP no Brasil

Os anos vinte vão assistir à chegada no Brasil de um ator que também terá um importante papel no desenvolvimento da Indústria Elétrica no país. Trata-se da AMFORP – American & Foreign Power. Criada em 1923, a AMFORP tinha como principal objetivo agilizar os negócios no exterior da empresa americana Electric Bond & Share Corporation, reunindo os seus ativos que se encontravam fora dos Estados Unidos. Esse braço internacional da Bond & Share desembarcou no Brasil em 1927, e criou duas empresas: a Empresas Elétricas Brasileiras – futura Companhia Auxiliar de Empresas Elétricas Brasileiras (CAEEB) – e a Companhia Brasileira de Força Elétrica.

Diante do monopólio da LIGHT nas duas principais cidades brasileiras, Rio de Janeiro e São Paulo, a AMFORP concentrou a sua estratégia na ocupação do interior de São Paulo e das capitais dos estados, do nordeste até o sul do país, mediante a incorporação de diversas concessionárias já existentes. Após essa incorporação, a tarefa principal da AMFORP foi a organização e modernização do vasto conjunto de ativos adquiridos, caracterizado pela grande heterogeneidade técnica e financeira.

O Brasil chegou à década de 30 com uma capacidade instalada de 779.000 kW, distribuídos entre 1.009 empresas. Os serviços se concentravam em uma área territorial mínima, que englobava as duas cidades mais populosas do país: Rio de Janeiro e São Paulo. Em função disso, a região sudeste detinha 80 % da capacidade instalada; enquanto a região nordeste ficava com 10 %, a região sul com 8 % e a região norte com 2 %. A LIGHT detinha 40 % da capacidade instalada do país, com as demais empresas dividindo o resto. Entre essas empresas destacava-se a AMFORP, que controlava o interior de São Paulo e as cidades de Recife, Salvador, Natal, Maceió, Vitória, Niterói-Petrópolis, Belo Horizonte, Curitiba e Porto Alegre-Pelotas, e detinha 15 % da capacidade instalada.

Desse modo, até 1930, a indústria elétrica brasileira desenvolveu-se sob a forma de sistemas independentes e isolados, abrangendo, essencialmente, as grandes concentrações urbanas, por intermédio de concessionárias privadas - dentre as quais se destacavam as estrangeiras (LIGHT e AMFORP), que controlavam os mercados mais importantes -, reguladas por contratos específicos a cada concessão.

Bibliografia básica:

Título: Economia da Energia: fundamentos econômicos, evolução histórica e organização industrial

Autores: Helder Queiroz Pinto Junior (organizador); Edmar Fagundes de Almeida; José Vitor Bomtempo; Mariana Iootty e Ronaldo Goulart Bicalho.

Editora: Campus/Elsevier

Ano: 2007

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