Fico cada dia mais convencido da partidarização da grande imprensa. Alguns jornalistas respeitados, independentes e com blogs de analise política têm, com frequência, falado a respeito do assunto. Não sei o quanto isso é visível para as pessoas lêm jornais. Se é, acho que deve ser pouco. Mesmo porque, dos poucos que têm o hábito de ler jornal, um número ainda menor questiona a qualidade da informação que está recebendo, a maioria dos leitores se compõe de massa acrítica, não se liga muito nos matizes editoriais que dão o tom das matérias impressas.

A celeuma produzida no senado com a funcionária da receita federal ganhou vida própria na grande mídia com os sabidos de plantão - não sei se por miopia ou puro servilismo – encontraram um cabelo no ovo e se enganjaram no coro de boatos criados por senadores que já propunham a acareação entre a vítima e o vilão (vilã nesse caso) no iluminado palco de uma CPI. Por quase duas semanas analistas políticos repercutiram nos espaços que lhes cabia uma torrente verborrágica virulenta, o assodamento foi tamanho que nem buscaram fatos, o desrespeito ao leitor já dispensa essas preliminares, resolveram que o boato mesmo, assim, in natura,pode ser oferecido como notícia, certos que estão de que o público receberá a informação como verdade sem sofisma.

Escândalos são fabricados com base em boatos, viram notícia, produzem manchetes e só depois de ganharem o status de crise (artificial é claro) são descartados. Não faz muito tempo, outro escândalo também fabricado no senado foi guindado à condição de “crise institucional”, quando um senador e o presidente do STF deram vida a um boato que ganhou inclusive direito a uma CPI que passou a ser chamada de “CPI das Escutas Telefônicas”. Arquivada por falta de fatos, assim como agora, nesse caso também ninguém apresentou provas, não se apresentou o áudio com a gravação da suposta conversa, e depois de muita procura, foi constatado que nem na Abin, nem no Senado ou no Supremo Tribunal existia o equipamento com a qualificação necessária para fazer a tal escuta. Desmontado o circo, os protagonistas da mentira que a grande imprensa apresentou como vítimas são retirados da cena sem maiores explicações, e nos jornalões não se lê mais nenhuma linha a respeito. A “notícia” que não era notícia porque não nunca foi fato, também sai de cena sem que a verborragia dos analíticos comentários possam explicar a real motivação da sua existência.

Exibições: 40

Comentar

Você precisa ser um membro de Portal Luis Nassif para adicionar comentários!

Entrar em Portal Luis Nassif

Publicidade

© 2019   Criado por Luis Nassif.   Ativado por

Badges  |  Relatar um incidente  |  Termos de serviço