João Augusto, dono da gravadora Deckdisc é o proprietário da Polysom, a única fábrica de discos de vinil da América Latina. A fábrica fica em Belford Roxo, região metropolitana do Rio de Janeiro.

"A gente achava que em um mês dava para colocar isso para funcionar e já estamos há oito meses, sempre fazendo testes para ficar direito".

NA LINHA DE PRODUÇÃO



Pré-análise do áudio. O operador mede a qualidade do som usando instrumentos específicos e sua experiência técnica, antes do áudio começar a se transformar num vinil.



Cabeça de corte. Esta máquina funciona como um toca-discos. A diferença é que, em vez de reproduzir o som, ela grava os sulcos no acetato.



Galvanoplastia. É a fase química do processo, em que o acetato original é colocado em tanques com nitrato de níquel. As partículas de níquel "grudam" no acetato, formando uma "capa", que é retirada e funciona como um vinil em negativo.

Prensagem. A capa de níquel é colocada nas prensas, que depois recebem uma massa mole feita a partir de pó de PVC que, prensada, vira um disco.


PRIMEIRA LEVA DE BOLACHÕES


Pitty, Fernanda Takai, Cachorro Grande e Nação Zumbi fazem parte da primeira safra de discos saída da gravadora, todos da Deckdisc. Mas João é enfático ao dizer que a Polysom não é a fábrica da Deckdisc.

"É dos sócios da Deckdisc, cobramos da Deck o mesmo que cobramos de qualquer um."

Ele acredita que a primeira etapa do processo está terminando agora, com a fabricação dos primeiros discos.

"Só agora é que as pessoas vão ver que é verdade", festeja. E não está falando apenas dos consumidores, mas também das gravadoras e dos artistas.

"Acredito que os artistas vão motivar muito este movimento", diz João, contando que alguns deles, Jorge Ben Jor e Lenine, já abraçaram a ideia.

Resta saber como o mercado brasileiro reagirá aos lançamentos. A gravadora EMI é uma das que estão em conversações com a Polysom para o relançamento da discografia do grupo Legião Urbana.

Se ainda é cedo para saber se o velho LP volta para valer às lojas, ao menos podemos comemorar que a única fábrica de vinil da América Latina fica no Brasil, e já está funcionando.

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Fonte:
- Jornal O Estado de São Paulo, edição de 03/04/2010. Por Alexandre Matias, com pequenas adaptações / Fotos: Tasso Marcelo A/E.

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Comentário de Gilberto Cruvinel em 3 abril 2010 às 22:25
Oi Laura,

Fantástica essa idéia do João Augusto de reabrir uma fábrica de vinil, não? A idéia deu tão certo que a imprensa toda agora conta a história. Complementando seu post caprichadíssimo, como sempre, adivinha qual foi o tema da coluna do Nélson Mota, ontem, sexta-feira, 02/04, no Jornal da Globo? Claro, João Augusto, sua Polysom e os lançamentos que são sucesso de vendas, mesmo sendo mais caros que os correspondentes CDs para os mesmos lançamentos. Nélson fala também da qualidade do som dos bolachões, segundo os apreciadores, DJs principalmente, que "adoram o vinil, pela potência e o peso do som na pista. Para eles, nenhum digital consegue reproduzir um pancadão dançante como o vinil". E o vinil agora risca menos, é muito mais denso, melhor som e mais durabilidade.

Beijo Laura
Obrigado pelo post.

Nelson Motta
Discos de vinil ainda têm uma legião de fãs


Jornal da Globo
02/04/10 - 23h59 - Atualizado em 03/04/10 - 01h47

" A era é digital. Aparelhos de MP3 estão no bolso de quase todo mundo e ainda tem muita gente que está redescobrindo os discos de vinil.

O LP já virou cassete, CD, MP3 e até pendrive, mas os velhos discos de vinil continuam com legiões de fãs dispostos a pagar fortunas por raridades, ou simplesmente interessados em ouvir seus artistas favoritos, com um som que nenhum equipamento digital lhes dá. A começar pelos estalos e chiados.

Os grandes fãs do vinil não são só os coroas de rabo de cavalo, que tem saudades do tempo em que o rock era jovem. Muitos jovens high tech, a começar pelos DJs, adoram o vinil, pela potência e o peso do som na pista. Para eles, nenhum digital consegue reproduzir um pancadão dançante como o vinil.

No Brasil, a gravadora Deck Disc comprou uma velha fábrica, reformou e modernizou, e está lançando bolachões com seus artistas: Pity, Fernanda Takai, Nação Zumbi e Cachorro Grande. É a única fabrica da América Latina e vai atender também o Chile e a Argentina. As tiragens ainda são pequenas, mas já nem tanto, perto da mixaria que estão vendendo os CDs.

Discos dos Beatles, dos Beach Boys, dos Rolling Stones e de Jimi Hendrix foram lançados com sucesso em vinil. Mas não são mais aqueles discos fininhos, que arranham à toa, agora são de um vinil muito mais denso, com melhor som e mais durabilidade.

Mas não são só roqueiros os fãs da bolacha preta, discos de novas estrelas como Amy Winehouse, o Radiohead e o Coldplay também estão ‘bombando’ em vinil. E os fãs adoraram e não se importaram em pagar mais caro do que um CD.

Por mais que aumente o mercado da música digital, o do vinil também cresce. No Brasil, cada vez mais artistas estão lançando seus discos em CD, MP3, pendrive e vinil ao mesmo tempo. Os mais recentes e mais importantes foram Lenine, com La Biata, e o uruguaio Jorge Drexler, com Amar lá Trama, que é maravilhoso em qualquer formato.

A velha discussão não vai parar: que som é melhor, o do CD ou o do vinil? É cada ouvido uma sentença, mas desconfio que a maioria não saberia diferenciar um som de outro no escuro. Mas eu continuo achando que não há som gravado, digital ou analógico, que se compare a assistir um show ao vivo. "


Comentário de Laura Macedo em 3 abril 2010 às 22:47
Gilberto,
Você não fez só um comentário, mas um post de excelente qualidade, com o video fresquinho acompanhado da transcrição. Valeu mesmo!!

Um excelente domingo de Páscoa.
Beijos.
Comentário de Maria S. Magnoni em 3 abril 2010 às 23:26
Olá Laura,

Muito legal seu post, eu tinha visto alguma coisa na TV por esses dias. Eu sou uma que não se desfez dos discos de vinil, tenho um montão que não foram substituídos por Cds. Cuido deles e os ouço sempre. Hoje mesmo estava ouvindo um do Paco de Lucia, outro dia comprei num sebo aqui perto de casa a Cantata Sudamericana da Mercedes Sosa por R$2,00 e em perfeito estado. O cara não tinha noção do que estava me vendendo, só sabia que era um velho vinil. Acho uma delícia mostrá-los para meus sobrinhos e toda a meninada que já nasceu na era do CD.

Abraços e boa páscoa.
Comentário de Laura Macedo em 4 abril 2010 às 2:43
Salete,
Aqui em casa também temos um montão de discos de vinil e chegando mais. Em dezembro comprei, de um amigo, 14 bolachões de "Choro" (que é uma das minhas grandes paixões), uma verdadeira preciosidade.
Grata pelo comentário.
Um domingo de Páscoa de muita paz junto aos seus familiares.
Beijos.

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