A FLOR NEGRA

 

Nos quartéis o sangue se constrói em mancha lenta

e corre pelas mãos, armado de ódio

 

Nos quartéis o sangue escorre pelas botas o sufoco

da liberdade

 

Nos quartéis o sangue enegrece as ideias

dos que são comandados pela coagulação do sangue

 

Nos quartéis o sangue aquartela o comando

daqueles que são comandados pelo sangue

 

Nos quartéis o sangue não esconde a sua tirania

e pisa a flor no dever de cumprir sua missão sanguinária

 

Nos quartéis o sangue congela a mente do soldado

que caminha como gado o terror marcial

 

Nos quartéis o sangue se espalha entre os débeis

e ninguém fica a salvo dos tiros mortais do autoritarismo

 

Nos quartéis o sangue anuncia a morte

do ato de escolher entre o sangue alheio ou a doação

 

Nos quartéis o sangue confina o pensamento

no sangue que não circula livre

 

Hideraldo Montenegro

https://clubedeautores.com.br/authors/4304

Hideraldo Montenegro

https://clubedeautores.com.br/authors/4304

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