A Força de Chiquinha Gonzaga, segundo Luiz Peixoto

por Laura Macedo

Na temporada de 1911-1912 o Teatro de Revista teve dois excelentes lançamentos: Gato, Beata e Carapicu e Forrobodó citada pelo nosso colega Henrique Marques Porto no texto de abertura da nossa página.

Forrobodó, assinada por dois novatos, que logo iriam tornar-se excelentes criadores de espetáculos – o revistógrafo Carlos Bittencourt e o poeta, caricaturista, pintor e não menos revistógrafo Luiz Peixoto -, tornou-se um fenômeno do teatro musicado brasileiro, alcançando, segundo Jairo Severiano, mais de 1.500 representações, nas inúmeras montagens que recebeu.

Burleta de costumes cariocas, em três atos, a peça, encenada pela empresa Pascoal Segreto, apresentou na estréia, no Teatro São José, em 11 de junho de 1912, um elenco em que destacava artistas como Cinira Polônio, Alfredo Silva, Pepa Delgado e Cecília Porto.

Em sua trilha musical – 13 composições de Chiquinha Gonzaga – estavam o tango “Forrobodó”, gravado pelo cantor Bahiano, e a canção cômica “Siá Zeferina” (nome de uma personagem da peça), que seria transformada na modinha “Lua Branca”.


Confiram abaixo o depoimento de Luiz Peixoto.



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Fontes:

- Uma História da Música Popular Brasileira: das origens à modernidade, de Jairo Severiano. - São Paulo. Ed.34, 2008.

- Coleção Nova História da Música Popular Brasileira - "Ernesto Nazareth / Chiquinha Gonzaga". - Abril Cultural Editora, 1977.

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Para saber mais sobre Leopoldo Miguez, tio de Luiz Peixoto que Chiquinha Gonzaga admirava.

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Exibições: 706

Comentário de Gregório Macedo em 29 junho 2009 às 2:56
Chiquinha e Peixoto, dois monstros sagrados!
Gostinho de quero mais.
Beijos.
Comentário de Cafu em 29 junho 2009 às 12:41
Salve nossa Chiquinha bacana! Salve Luiz Peixoto e Carlos Bittencourt!

Laurinha,
No Instituto Moreira Salles tem o Forrobodó e a Lua Bonita disponíveis para audição. Eu não consegui ouvir. Acho que anda faltando algum programa para eu acessar o acervo musical. Mas seria ótimo que eles pudessem ser "transportados" para este espaço, não é? :))) Assim a gente poderia ler, ver e ouvir a Chiquinha e conhecer a tão falada e Forrobodó.
Um dos livros que encomendei, e chegou, se chama Luiz Peixoto pelo buraco da fechadura de Lysias Enio & Luiz Fernando Vieira (Ed. Vieira & Lent). Parece ótimo e com certeza será enriquecedor (hahaha depois do Oscar essa palavra não será mais a mesma) para as suas/nossas pesquisas. Tem estórias interessantes sobre o Forrobodó. Está entre os primeiros colocados de minha fila de leituras. O livro tem um encarte com a discografia de Luiz Peixoto revisada e ampliada por Sílvio Júlio Ribeiro e Paulo César de Andrade. Bom material para a gente se orientar e fazer comparações com outras fontes.
Beijão.
Comentário de Teatro de Revista em 29 junho 2009 às 18:45
Laura,
Forrobodó, além de ser provavelmente a "revista" (na verdade é uma burleta, como lembra a matéria) mais conhecida entre milhares de peças, guarda uma curiosidade. Ao contrário das demais, a simples menção do título faz lembrar logo a compositora, Chiquinha Gonzaga. Nas demais, o destaque nos créditos sempre foi dado aos autores dos textos. Mesmo nas muitas peças musicadas por outros grandes compositores, como Ary Barroso por exemplo, isso aconteceu. Quando falamos em Forrobodó lembramos imediatamente de Chiquinha, o que confirma a dimensão de sua personalidade. Ela e sua música foram importantíssimas para a afirmação do teatro musicado brasileiro na primeira década do século passado, logo depois da morte de Arthur Azevedo. O depoimento de Luiz Peixoto ilustra bem a importância de Chiquinha. Suspeito mesmo que sem ela o gênero não teria se desenvolvido.
Cafu, tenho as gravações de "Lua Branca" e "Siá Zeferina". Vou postar, para ilustrar com música a matéria da Laura.
beijão
Henrique Marques Porto
Comentário de Cafu em 29 junho 2009 às 19:28

Forrobodó com Lenine e Maria Tereza Madeira


Lua Branca com Deise Trebitz, Luiz Stelzer e Marcelo Muniz

Olha só quem está no YouTube!

Henrique,
Obrigada pela dica do cd da Chiquinha.
Você conhece esse livro sobre o Luiz Peixoto que eu mencionei? Na discografia tem as parcerias com o Marques Porto. É bom para comparar com o material que você tem.
Quando eu me liberar um pouco mais dos estudos vou mandar pra vocês a lista dos livros que chegaram. Uma parte é inútil para os nossos objetivos. Algumas espectativas não foram atingidas. Mesmo em estudos sobre a história do teatro brasileiro, o teatro de revista é ignorado, desprezado ou mencionado un passant. Pena. vamos ter que nos rebolar. :-)
Beijos.
Comentário de Laura Macedo em 29 junho 2009 às 23:10
Cafu,
Adorei sua ideia de enviar a lista com as recentes aquisições. Esse que você cita vou adquirir com certeza. Achei o título bastante sugestivo.
Confesso que tenho pensado em produzir um post sobre o Luiz Peixoto, obviamente, depois de ler bastante sobre o artista e isso vai levar um certo tempo.
Integração grupal é isso aí. O Henrique já se comprometeu de colocar as músicas na matéria.
Cafu você é a maior garimpeira musical desse Portal.
Amei os dois videos. Sou fanzona da Maria Tereza Madeira. Ouço muito o CD "Radamés Gnattali - Novo Quinteto onde ela arrasa ao piano. Um delícia.
Beijos.
Comentário de Laura Macedo em 29 junho 2009 às 23:22
Henrique,
Disse agora a pouco no comentário para a Cafu que penso em estudar mais a obra do Luiz Peixoto, visando a produção de um post bem caprichado, tipo perfil.
Não está na hora do tio Agostinho emplacar o dele?
Você é a pessoa mais indicada para a empreitada.
Vamos aguardar...
Beijos.
Comentário de Teatro de Revista em 30 junho 2009 às 1:33
Laura,
O nosso plano é esse mesmo. Publicar aos poucos os perfis de cada autor importante da revista. Pelo menos os mais importantes. A começar por Arthur Azevedo. E fazer o mesmo com compositores, atrizes, atores e cômicos.
Sobre os autores temos pouquíssimas informações sobre Otávio e Álvaro Quintiliano (os famosos Irmãos Quintiliano) e Carlos Bittencourt -importantíssimos para a fixação do gênero Revista. Além de muitos outros -Cardoso de Menezes, Freire Jr, Luis Iglesias, Geisa Bôscoli, Afonso de Carvalho, Paulo Orlando, Bastos Tigre etc.
De toda aquela geração apenas dois viveram muito -Luiz Peixoto e Ary Pavão. Peixoto morreu em 1973 aos 85 anos e produziu muito, sobretudo como letrista. Deixou farta documentação e muita coisa está na internet. Acho que o Museu da Imagem e do Som gravou depoimentro dele. Ary Pavão morreu em 1988, mas se afastou do teatro no início dos anos 30, para se dedicar à diplomacia -foi embaixador brasileiro na França durante a II Guerra e escreveu um livro sobre essa experiência, mas há pouquísima informação sobre ele. Escreveu ainda romances, contos e poesias, tudo publicado. Está esquecido. Só aqui, na nossa página, existe uma foto dele. Sobre os demais há menos informação ainda, a não ser pequenas notas que não valem um verbete.
Marques Porto e Luiz Peixoto formaram a parceria de maior sucesso na revista a partir de 1924, quando estrearam "Secos e Molhados", até a morte do tio Agostinho dez anos depois. Se você pesquisar por um deles nesse período vai encontrar o outro. Tinham até um apelido -"O gordo e o magro". Já reparei por aí (no Cravo Albin, no Cifrantiga, etc) que o tio Agostinho é muito citado, mas não existem verbetes sobre ele. Que verbete? Nem uma notinha simples dizendo quem foi o cara existe! Para o Everaldo, do Cifrantiga já enviei e-mail com uma foto e informações. Publicou a foto mas não rolou nada. Já tenho pronto um "verbete" sobre o Marques Porto. Estou esperando apenas a oportunidade para publicá-lo -se os outros sites quiserem aproveitar tudo bem. Teve uma carreira curta (de 1922 a 1934), mas importante. Foram mais de 100 peças em 12 anos. Mas tem gente na frente dele na fila. Os primeirões são Arthur Azevedo e o irmão Aloisio.
Luiz Peixoto tem uma obra mais ampla, que extrapola a revista. Continuou a produzir mesmo depois da decadência do gênero, sobretudo como letrista. Mas escreveu revistas na era Walter Pinto também. Foi um caricaturista importante e seu primeiro livro de poemas foi saudado até por Carlos Drumond de Andrade.
Vai dar trabalho elaborar o perfil de cada um e levantar suas obras. Vamos reunir material e fazendo devagar, até porque muita informação só vai ser conseguida fora da internet, nos arquivos públicos.
beijão
Henrique Marques Porto
OBS. Ary Barroso também entra na lista. Além de compositor foi autor ou co-autor do texto de sete revistas!
Comentário de Helô em 30 junho 2009 às 2:36
Laurinha, Cafu e Henrique
A produção musical e a facilidade para compor de Chiquinha impressionam!
Outro dia, em "O Malho", li que ela compôs mais de 70 peças para operetas, óperas cômicas e revistas. Além, é claro, das valsas, polcas, cançonetas, modinhas, duetos, terçetos, etc. Agora leio admirada sobre a rapidez na composição de Forrobodó. Isso sim que é mulher maravilha!
Laurinha, não sei se você já viu o vídeo da Aracy. Esqueci de lhe dizer que seu post sobre ela facilitou bastante o trabalho. Roubei algumas coisas de lá, viu? :)
Cafu, os vídeos que você garimpou são deliciosos! Acho que podem ir para a área de vídeos.
Henrique, dias atrás acrescentei uma foto do tio Agostinho lá no primeiro post. Acho que não lhe avisei. Depois veja lá.
Estou preparando um arquivo e devo enviar pra vocês nos próximos dias, porque a página aqui não oferece muitos recursos. Vou acrescentar a bibliografia que estamos adquirindo.
Beijos.
Comentário de Laura Macedo em 30 junho 2009 às 3:17
Henrique,
O trabalho do pesquisador é lento, gradual e contínuo (êpa!) onde deve reinar a paciência. Mas é super gratificante quando atingimos nosso propósito...quando encontramos o que desejamos há tempos...e emocionante, também. Já pensou na nossa emoção quando nos deparamos com a desejada foto da Rosa Negra?

Retornando à Chiquinha Gonzaga, como ela foi importante para a vida nacional combatendo, corajosamente, em vários fronts!
Na época em que viveu (1847-1935) foi uma contestadora de seu tempo, desafiando incompreensões e preconceitos.
Sua contribuição compondo para - operetas, burletas, revistas...-, polcas, tangos, valsas, lundus, maxixes, fados, quadrilhas, choros... é inestimável.
Tem todo sentido a sua suspeita, da qual sou cúmplice, de que sem ela o gênero não teria se desenvolvido.

Vocês lembram do reboliço que causou o tango "Gaúcho", mais conhecido como "Corta-Jaca", ou a "Dança do corta-jaca", que na verdade é um sacudido maxixe?
Foi ele que a primeira-dama Dona Nair de Tefé, esposa do Marechal Hermes da Fonseca, escolheu para tocar ao violão nos jardins do Palácio do Catete, em 1914, para escândalo nacional e glória de Chiquinha Gonzaga.
E a indignação de Rui Barbosa?
"Mas o corta-jaca, (...) que vem a ser ele, Senhor Presidente? A mais baixa, a mais chula, a mais grosseira de todas as danças selvagens, irmã gêmea do batuque, do cateretê e do samba. Mas nas recepções presidenciais o corta-jaca é executado com todas as honras de música de Wagner, e não se quer que a consciência deste país se revolte, que as nossas faces se enrubesçam e que a mocidade se ria!".

Viva Chiquinha Gonzaga!!
Beijos.
Comentário de Laura Macedo em 30 junho 2009 às 3:32
Helô,
É realmente espantosa a produção de Chiquinha Gonzaga. Ela compôs a música de 77 peças teatrais (das quais apenas cinco ficaram inéditas), totalizando cerca de duas mil composições. UAU!
Helô, retornei seu e-mail onde você pede sugestão para o vídeo da Aracy Cortes, e falo da maravilha do trabalho que você fez. Quanto ao "roubo", acha que já lhe disse, é um honra ser assaltada por você :))))
Beijos.

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