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“A um palmo dos olhos a pata negra do macaco/
Eclipsa a Lua, as estrelas, e até/
O próprio espaço. Cinco dedos feiúdos/
São o mundo inteiro.”

Em “O Macaco e a Essência”, de Aldous Huxley, um roteiro encontrado por dois produtores de Hollywood conta a história de um botânico neozelandês que, no século 21, redescobre o Estados Unidos, devastado por um ataque nuclear e bacteriológico na terceira guerra mundial, há mais de cem anos. Lá, ele se depara com uma sociedade, temente ao Diabo – a quem são atribuídos todos os males –, formada por pessoas deformadas física e moralmente.

Vale lembrar que Huxley é o mesmo autor de “Admirável Mundo Novo”, seu livro mais famoso, e “As portas da Percepção”, o qual inspirou o nome do grupo “The Doors”.

Esta obra, de 1948, expressa a ausência de esperança na humanidade de alguém que viveu a Segunda Guerra e o nazismo, presenciou a bárbara destruição de Hiroshima e Nagasaki, e assistiu ao mundo dividido, preste a se destruir, a qualquer momento, centenas de vezes, por bombas atômicas, durante a Guerra Fria.

Em “O Macaco...”, afirma-se que o Diabo, ou Belial, como é chamado, incutiu na mente do homem duas grandes idéias, e que uma delas seria a algoz da humanidade. Uma é o “Nacionalismo”, “a teoria de que o Estado do qual por acaso você é súdito é o único deus verdadeiro, e de que todos os outros Estados são deuses falsos”; a outra, o “Progresso”, “ a teoria de que você pode receber alguma coisa a troco de nada”.

A terceira guerra ainda não aconteceu. Porém, a tensão tem estado alta ultimamente, principalmente pelas “boas intenções” norte-americanas na “Guerra contra o Terror”. Assistimos ao sempre instável Oriente Médio, às crises com o Irã e a Coréia do Norte e a potenciais conflitos cada vez mais palpáveis com o esgotamento do petróleo e a recessão do Império frente à nova potência vermelha se delineando no horizonte. O mundo vai aos poucos se polarizando novamente na medida em que os interesses vão se evidenciando.

De outro lado, temos o colapso do meio-ambiente.

Huxley afirma que se não nos destruirmos pela guerra, como ocorre no livro, morreremos lentamente, destruindo o planeta.


“Poluindo os rios, exterminando os animais selvagens, destruindo as florestas, varrendo o húmus para o mar, queimando um oceano de petróleo, esbanjando os minerais que foi preciso o tempo geológico inteiro para depositar. Uma orgia de imbecilidade criminosa. E a isso eles chamavam Progresso.”


James Lovelock, renomado cientista, discorda quanto ao "morte lenta". Leia trecho da entrevista concedida à revista “Rolling Stone”, onde o sombrio cientista, afirma que o aquecimento global vai matar seis bilhões de pessoas neste século.

Pertinente, também, relatório do WWF sobre Mudanças Cimáticas.

Para os otimistas, João Guilherme Linke, expõe no posfácio do livro:


“...cabe considerar que é ainda relativamente fácil esperar o melhor quando se é um dos afortunados para quem as catástrofes recentes se reduziram a uma coleção de manchetes, a algumas fotografias embaçadas e meia dúzia de estatísticas inexpressivas, essas mesmas já um tanto remotas na memória”.


Mas a obra não se resume a isso, ela ainda trata de religião, de sociedade, de amor, e traz um fiapo de esperança. Não para a humanidade, que vai, inevitavelmente se destruir, mas Huxley acreditava no indivíduo, o qual, através do amor e da tolerância, pode sobreviver ao fim.

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