Costumamos valorizar pessoas que nem conhecemos, baseados em relatos e referências que muitas vezes se tornam até polêmicas com o passar dos anos e ao sabor do tempero utilizado pela mídia, conforme suas conveniências e nos esquecemos daquelas com as quais convivemos e nos deram grandes exemplos de vida.

Severina Medeiros Santos, ou simplesmente, “Pequena”, é uma dessas preciosidades com as quais tive a honra de conviver desde criança. Esposa do meu estimado tio, Severino Veriano dos Santos, popularmente conhecido como Nego Caetano, apesar de não ser parente dela, sempre me tratou como um filho.

Até hoje não compreendo porque uma mulher tão grande, em todos os sentidos, ironicamente foi apelidada de “Pequena”. Só o carinho familiar pode explicar esse fato.

Dona Pequena, a qual chamava de madrinha, foi uma verdadeira guerreira, tendo em vista que o meu tio vivia mais fora de casa, por conta de suas atividades e era ela quem conduzia o lar e a família, que além de numerosa, ainda contava com alguns “penetras”, inclusive eu.

Muito jovem ainda contraiu câncer e jamais foi vencida por esse mal que atormenta a humanidade. Desde o início, pegava um ônibus e ia para Recife fazer quimioterapia e o que fosse preciso, sob efeitos colaterais intensos, enfrentava tudo sozinha e, quando retornava para casa, era a mesma pessoa de sempre.

O meu tio foi o primeiro prefeito da nossa cidade e sua eleição teve grande participação de “Dona Pequena”, que foi professora quando jovem e contava com a simpatia e gratidão de muita gente por ela alfabetizada.

Minha mãe, que era sua cunhada, uma pessoa extremamente dependente, sempre contou com seu irrestrito apoio, seja nos inúmeros problemas de saúde, que exigia seu deslocamento para Campina Grande, ou até em diversos assuntos de ordem familiar, como a preparação do meu aniversário de seis anos, com direito a bolo, vela e tudo mais, em plena Corujinha.

O carinho que recebi da “Madrinha Pequena”, jamais deixou dúvidas quanto a sua sinceridade. Certa vez, após dezenas de outras “manguaças”, que tomei em companhia do seu filho Aluísio, a quem considero um irmão, houve um retrocesso e o chão do quarto amanheceu uma droga. Quando ela viu aquilo, foi logo dizendo: - Isso é coisa de Aluísio. E eu, para não decepcioná-la, permaneci em silêncio, mesmo sabendo que daquela vez estava acontecendo uma injustiça.

Portanto, espero em Deus que Madrinha Pequena, a partir de onde se encontre, que com certeza é um bom e merecido lugar, pelo bem que praticou nesse mundo, receba da minha parte essa modesta homenagem, que não lhe fiz em vida, como prova de toda minha gratidão pelo carinho e amor que me dedicou durante nossa saudável convivência.

Que Deus a tenha sob sua proteção.

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Comentário de Amarílio Dantas em 24 julho 2012 às 20:41

Concordo em numero gênero e grau, Minha Madrinha Pequena foi um exemplo de caráter e dignidade, uma mulher admirável que sempre teve enorme carinho por todos nós.

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