A IMORTALIDADE DE FERNANDO HENRIQUE E O PAPEL DA ABL HOJE...

Fernando Henrique torna-se, hoje, um "imortal", de ideias claro; aliás, não sei de quais ideias, deve ser do quase morto neoliberalismo, porque o homem esse, um dia, (que não seja tão tarde) virará pó. Ele será um dos senhores que sentará numa das cadeiras da ABL, a que foi ocupada pelo jornalista e escritor paulista João de Scantimburgo. Aqui fico me perguntando: para que serve a Academia Brasileira de Letras? Que fazem lá os "imortais"? Quais são suas atribuições na ABL? Será que é só tomar chás chiques? (dizem que os chás dos homens de lá são chiquérrimos). Não me lembro das atribuições dos "bons camaradas" da ABL. Machado de Assis, em sessão inaugural, fala das atribuições daquela época, cujo discurso transcrevo aqui: "Não é preciso definir esta instituição, iniciada por um moço, aceita e completada por moços, a Academia nasce com a alma nova, naturalmente ambiciosa. O vosso desejo é conservar, no meio da federação política, a unidade literária. Tal obra exige, não só a compreensão pública, mas ainda e principalmente a vossa constância. A Academia Francesa, pela qual esta se modelou, sobrevive aos acontecimentos de toda casta, às escolas literárias e às transformações civis. A vossa há de querer ter as mesmas feições de estabilidade e progresso. Já o batismo das suas cadeiras com os nomes preclaros e saudosos da ficção, da lírica, da crítica e da eloquência nacionais é indício de que a tradição é o seu primeiro voto. Cabe-vos fazer com que ele perdure. Passai aos vossos sucessores o pensamento e a vontade iniciais, para que eles o transmitam aos seus, e a vossa obra seja contada entre as sólidas e brilhantes páginas da nossa vida brasileira". Também cito aqui o Art. 2º do Estatuto da ABL, o qual me parece ter sido deixado de lado. Leiam e tirem suas conclusões. "Art. 2º - Só podem ser membros efetivos da Academia os brasileiros que tenham, em qualquer dos gêneros de literatura, publicado obras de reconhecido mérito ou, fora desses gêneros, livro de valor literário". Lembro-me de que os de lá já deram honroso título a Neymar, o qual nem sei se sabe escrever, mas recebeu título por ser bom das pernas. Aliás, ultimamente, a ABL tem dado título a qualquer um, não importa quem seja, mas se tomou um chazinho por lá, leva um título. Nem precisa ter escrito nada, ou talvez apenas tenha dado uma twittada, uma facebocada, escrito um bê-a-bá, "assoletrar", um "Ai se eu te pego" ou um "Eu quero tchu...", que já ganha a simpatia dos velhinhos da bancada. Virou lugar para qualquer um, é moda. Academia Brasileira de Letras, que já acolheu grandes nomes como os de Machado de Assis, Ruy Barbosa e Inglês de Sousa, acolhe sapos e lagartos – se bem que sapos e lagartos têm seu importante papel no meio ambiente, fazem, e muito. Fernando Henrique escreveu um livro, inovador na época em que foi publicado, mas as ideias escritas ali caducaram e, dia desses, o pai dos tucanos pediu que esquecessem o que haviam lido. Eu iria lê-lo, mas depois dos apelos desesperado do tucano, desisti, nem me dei o trabalho de tal, iria gastar dinheiro, certamente; deve ter percebido as abobrinhas que escreveu para uma época em que seu tucanato era o Neymar da vida, fazia tartaruga voar e jacaré dançar tango, mas o vento soprou, varreu o noeliberalismo e tornou a tese efeagaceana caduca. Há tantos outros, como José Sarney, que é mais político - e dos brabos, que escreveu uns livrecos com versinhos, cujo teor poucos conhecem – aí destoa do objetivo da ABL, o de fomentar a cultura para que o povo tenha acesso à literatura universal e brasileira. Nem sei quantos leram os livros de Sarney. Certamente, Machado de Assis, o pai da ABL, sentiria vergonha de sentar na cadeira junto de tantos que hoje se portam como os dondoricos das letras ensaboadas. Acho que a ABL precisa de uma boa oxigenação para, a partir daí, fluírem ideias que não sejam aquelas emboloradas no papel ou lidas apenas pelo 40 anões das “letras”. E, se qualquer um serve para sentar no suntuoso ambiente da ABL, proponho aqui alguns nomes, como os de Luís Inácio Lula da Silva (o homem é correspondente do The New York Times), Bruna Surfistinha (seu livro O doce veneno do escorpião vendeu, certamente, mais do que os livros de FCH e Sarney juntos), Amaury Jr., seu Privataria Tucana não é só livro, é reportagem em forma de denúncia, Tiririca, o qual dizem não saber ler nem escrever, mas seu Florentina ainda hoje faz sucesso e se faz sucesso, faz parte da cultura popular; coloco meu nome também- se pode qualquer um, também posso; não escrevi livros e mais livros, mas escrevi uma dissertação, aprovada em banca e hoje é acessada no site de dissertações da UFAM (Universidade Federal do Amazonas) por algumas dezenas de pesquisadores da cultura popular; e, para encerrar, não menos importante, quem sabe colocar ali Marcos Feliciano, o pai da inovadora proposta de Cura Gay. Ruy Barbosa faria tanta diferença hoje. Machado de Assis mudaria seu discurso e chamaria o povo a sentar-se no lugar onde Merval Pereira caduca torcendo para que o Brasil vá para o abismo.

Exibições: 121

Comentar

Você precisa ser um membro de Portal Luis Nassif para adicionar comentários!

Entrar em Portal Luis Nassif

Publicidade

© 2019   Criado por Luis Nassif.   Ativado por

Badges  |  Relatar um incidente  |  Termos de serviço