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Quando quis tirar a máscara estava pegada à cara". É com essa frase, do célebre Fernando Pessoa, que quero começar os meus tro-ló-lós, com os caros colegas internautas que se dão o trabalho de ler o que escrevo, sem se importar com a minha idiotice.
Você já parou para pensar nas ocasiões em que se usam máscaras? O que significa uma máscara para quem a usa? Esse acessório, muito importante na Antiguidade, apresenta dupla função: uma com sentido positivo e outra com sentido negativo.
O primeiro aponta para a máscara teatral, o segundo tem por finalidade específica esconder o rosto daquele que a está usando, impedindo o reconhecimento do sujeito. Nessa distinção reside a dupla função da máscara, como incógnito e como segundo rosto. Existe aí uma relação de ambiguidade da máscara com a identidade de seu portador, que ora está apagada e anulada, e ora está restabelecida (metáfora) dentro de um contexto sistematizado por valores invertidos (como o carnaval) ou dentro de um contexto que implica um jogo de convenções entre duas partes*.
Quero me ater à segunda função, essa que determina o anonimato do sujeito que a usa. Não sei se seria bem o anonimato, mas a ambiguidade que se pode ter quando o sujeito usa esse artifício para tentar mostrar ao povo o que ele não é, ou gostaria de ser.
Em A cultura na Idade Média e no Renascimento, Mikhail Bakhtin descreve como o povo na época recorria às máscaras para sair às ruas. No meio da multidão, todos eram iguais, ninguém sabia quem era quem, pois as máscaras se encarregavam de estabelecer o anonimato a quem quer que fosse. Hoje, as máscaras ficam restritas a eventos como aqueles realizados pelo povo eclético, como a Parada Gay, festas carnavalescas em que os participantes, se o figurino mandar, têm que se trajar com máscaras. Nem mesmo o carnaval, o de rua ou de passarela, apresenta a máscara como antes. Mas temos um evento em que essa máscara fica visível e muitos a tem utilizado: o período eleitoral. De cara limpa, os políticos apresentam-se com máscaras em forma de promessas. Muitos deles utilizam as mesmas técnicas a cada quatro anos. As máscaras são as mesmas, o que muda é a cor. Prometer salário mínimo de R$600,00 reais é um exemplo de máscara que parece pegar bem diante do povo. Mas essa máscara é falsa. Quem tem memória lembra que a personagem que promete isso vem de um governo que utilizou do mecanismo de arroxo salarial em nome do neoliberalismo. E, falseando um discurso que abominava o jogo sujo, usou desse mesmo recurso para minar a candidatura de sua principal adversária, a petista Dilma Rousseff. Sua primeira máscara foi a de apresentar-se como um Zé, o Zé do povo, de origem humilde. Mas Zé, para um homem da elite, apegado aos barões, era uma máscara de seda em cara de elefante. Não pegou. Tentou dizer-se amigo de Lula e até comparou sua biografia à do presidente mais popular, cujos índices de aprovação chegam aos 80%, segundo o IBOPE. Também essa máscara não pegou, pois o povo sabe que o Luis da Silva nunca foi igual ao José Serra. Cada máscara que colocava eram preciosos pontos perdidos. Como viu que as máscaras não davam resultado, resolveu apelar para a baixaria, para a acusação. Dilma era a mandante da quebra do sigilo de Mônica Serra e de outras personagens ligadas a esse sujeito. A notícia do dia, ou melhor, as máscaras do dia, eram a quebra de sigilo. Nas entrevistas, nos programas eleitorais, a quebra de sigilo era o ingrediente principal. O povo reconheceu a farsa da máscara e não deu importância. Ladeira abaixo para o sujeito. Veio o caso Erenice Guerra. Mais uma vez Dilma era a responsável por tudo. É ela. Foi ela. Diziam eles, ou melhor, ele, em tom agudo e venenoso, como o sapo-tanoeiro, do poema Os Sapos de Manuel Bandeira. O efeito do veneno, ou seja, da máscara, foi quase nulo. Dizem que Dilma não perdeu ponto algum, mas os que ajudaram a pôr a máscara naquele que queria ser Zé do povo confessam que o sapo-tanoeiro ganhou míseros três pontos. Mas parece que não agradaram muitos aos sapos da lagoa, ou melhor, aos tucanos, pois o que se vê é a lagoa calada. A mídia demotucana parece ter parado com a confecção de máscaras, ou pode estar preparando uma especial para a semana que antecede as eleições. Uma máscara vinda do baú sabe-lá-de-onde. O certo é que nessa dança em que o jogo de poder está em xeque, não podem faltar máscaras.
A última máscara utilizada pelo nosso sapo-tanoeiro Zé foi a de inocentar Dilma de tudo o que ele a acusou. Dilma não é culpada, diz ele. Não é. Não é. Dizem os outros. A inocência veio em forma de defesa formal ao TSE, cujo trecho cito aqui, publicado na íntegra no Blog Conversa Afiada, de Paulo Henrique Amorim:
São Paulo – A coligação de oposição “Brasil Pode Mais” isenta a candidata Dilma Rousseff (PT) de envolvimento nos casos de lobby e tráfico de influência na Casa Civil, que levaram à demissão da ex-ministra Erenice Guerra. A posição está expressa na defesa apresentada pela chapa encabeçada por José Serra (PSDB) ao pedido de direito de resposta demandado pelos governistas. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) negou a demanda do PT.
Essa é a prova de que máscaras podem ser utilizadas de várias formas: para destruir ou para fingir uma desculpa. Máscaras existem aos bocados por aí. E nesta última semana, certamente outras mais poderosas, ornadas de veneno e mentira serão estampas por aí. As fábricas estão a todo vapor. A cara em quem será colocada está à espera. E assim, o nosso sapo-tanoeiro vai se escondendo sob máscaras capazes de confundir a verdade com a mentira. As máscaras, essas máscaras sob as quais os homens de pouca competência se escondem. E “O sapo-tanoeiro, Parnasiano aguado, Diz: - "Meu cancioneiro É bem martelado...”. Mas, por trás desse cancioneiro, há uma personagem que poucos conhecem e cuja real intenção nada se sabe,”Sapo-cururu Da beira do rio...”.

*Extraído de http://www.ybytucatu.com.br/mascaras.htm

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