´A luta contra o racismo é a luta pela destruição da crença em ´raças´.

Prezados,

Em razão de minha pública postura contrária às leis raciais, resolvi colocar aqui na página, para informar a eventuais visitantes, algumas atividades em que estive ativamente contra o racismo.

O que acredito aprendi com lições de grandes ativistas. Com o primeiro deles FRANTZ FANON (Os condenados da Terra) dizia em 1956 num congresso de poetas afrodescendentes em Paris: ´numa sociedade com a cultura de raças, a presença do racista, será, pois, natural´.

Com LUTHER KING aprendi a sonhar que meus filhos serão considerados por seu caráter e não pela cor de sua pele.

Aprendi com SARTRE a não ser omisso (A Idade da Razão) o que fez com que ele consignasse a crítica que a intelectualidade brasileira não esperava em sua festejada estada na Brasil (agosto/setembro de 1960).

Conforme o professor Antonio Sergio Guimarães, Sartre chamou atenção para a segregação que os negros brasileiros sofriam, à medida que percebia que seus interlocutores eram todos brancos das classes média e alta: " Jamais vimos nos salões,nas universidades,nem nos auditórios um rosto chocolate ou café com leite."

Sartre fez essa observação em voz alta durante uma conferência em São Paulo,depois se corrigiu:"havia um negro na sala — um técnico de televisão."

O prof. Guimarães, prossegue: "Evidentemente,Sartre e Beauvoir não encontraram no Brasil quem pensasse que os negros brasileiros fossem vítimas de racismo;encontraram, ao contrário, o discurso unânime de que a segregação dos negros era econômica e a luta libertadora deveria ser de classes. Não pareceram plenamente convencidos,pois,segundo Beauvoir:“o fato é que todos os descendentes dos escravos continuaram proletários; e que, nas favelas, os brancos pobres se sentem superiores aos negros”.

Reconhecer o racismo no Brasil, denunciado por Sartre, exige a nossa luta para assegurar a igualdade de oportunidades e pela sua destruição, implicando que não podemos admitir o Estado legitimando a crença racial, pois se o fizer, e onde fez, a crença racial deixou de ser crença e passou a ser fato jurídico relevante.

Aprendi com MALCON X, aquele que no final da vida havia compreendido que nem o ódio racial nem o fanatismo religioso correspondiam ao caminho da luta contra o racismo e pronunciou sua frase mais famosa, aquela que o condenou à morte pelas mãos de pretos radicais racialistas: "A estratégia do racismo foi dividir a humanidade para sonegar a nossa humanidade. Não lutamos por integração nem por separaçao: a nossa luta é pelos nossos direitos de humanos´.

Aprendi, por fim, que a luta contra o racismo será duradoura mas necessária: a destruição da crença em raças. O não acatamento da autoestima racial. A conquista e a afirmação de nossa autoestima humana.

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