Quase não tenho assistido ao julgamento do propalado “mensalão” do PT. Leio o que vejo nos portais, e a cada parágrafo que leio percebo que o mensalão é um dedinho do nada para o muito das mentes e das mãos dos que escrevem. Se depender dos da mídia, todos os réus já estão condenados. Salvar-se-ão apenas os que os julgarão: os ministros, alguns deles nada inimputáveis. Mas têm lá seu espaço na mídia redonda, que faz questão de dizer que o STF tem que condenar os acusados. Tem?
Diante de tudo o que leio e até do que deixo de ler, pode-se tirar uma conclusão tola, mas pertinente: no Brasil a mídia julga e condena antes mesmo dos da Justiça o fazerem. Um exemplo dos tantos atos tiranos da mídia (nada ética deste País) é o caso da ex-ministra da Casa Civil Erenice Guerra. Foi condenada pela mídia, digo aqui Revista Veja, Época, Rede Globo e seu conglomerado, Estado de São Paulo e Folha de S. Paulo. Os que temem pelo fim da liberdade de expressão, que eles mesmos não prezam, condenaram a ministra. Dia desses, ela foi inocentada. O mesmo espaço da propalação que deram ao caso da ministra não foi dado para anunciar a inocência dela. Saiu no rodapé dos jornalecos e nas erratas das revistecas de quinta. Ficou por isso. Não teve importância alguma, afinal, vale para os dessa mídia que se diz a guardiã da liberdade de expressão anunciar, julgar e condenar, independente da verdade dos fatos. Verdade essa que pouco se vê em alguns jornais e revistas que se lançam[1] nos fins de semana nas bancas.
Falta para muitos dos jornalistas que assinam matérias das revistas, jornais e noticiários televisivos responsabilidade com a “verdade” que eles dizem noticiar. Os bons jornalistas estão por aí, escrevendo em blogs (alguns deles considerados sujos e nazistas pelos que não sabem o que é ética jornalística). Eles não têm espaço na mídia limpa e cheirosa porque não se submetem aos mandos dos barões para publicarem apenas o que canta suave aos medalhões da política. A verdade é a meia verdade, a mentira é “toda” verdade, pintada com o azul maculado do cinza e do preto.
Quando leio jornais e revistas (raramente me dou o trabalho de ler revistas e jornais os quais citei anteriormente) percebo o quanto este País carece do bom jornalismo. E fico imaginando os poucos exemplos que a garotada que está nas universidades cursando comunicação social tem para seguir. Sou professor no curso de comunicação social e percebo que meus alunos também têm a mesma visão: o discurso jornalístico deixou de ser imparcial, objetivo, ético e canal de veiculação da verdade. Hoje é um discurso da ideologia do grupo que os barões da mídia apoiam. Escreve-se, não para informar, mas para manipular. É a notícia que manipula, que esconde os verdadeiros fatos e rejeita a todo custo a verdade. Quem lê tem sempre que duvidar. Já não se pode acreditar no que os jornalistas escrevem. Quando acreditamos, mais tarde nos decepcionamos. Quando tomamos como verdade, logo descobrimos que tudo é mentira, às vezes fruto da imaginação dos que escrevem. Muitos jornalistas mais parecem a Alice no país das maravilhas ou um grande Pinóquio que assinam aquilo que escrevem, ou como disse dia desses o senador Fernando Collor, rabiscam.
O ético, para alguns da mídia, é aquilo que lhe cabe no bolso, não o que extrapola as bancas. Ético, para alguns da mídia, é julgar, amassar e arranhar a honra de quem quer que seja e condenar. A dor é apenas de quem sente na pele a injustiça. Aos da mídia cabem a glória e a honra de desonrar. E se a Justiça não fizer o que os da mídia querem passa a ser uma Justiça falha, tola, sem préstimos. Daí quem disser que a mídia manda na Justiça não estará de todo errado. Há essa sensação. A mídia busca a todo custa levar os da Justiça a satisfazer não o que é legal, o que a lei processa, mas o que os redatores acham que deve ser feito.
Rui Barbosa escreveu que "A imprensa é a vista da nação. Por ela é que a nação acompanha o que lhe passa ao perto e ao longe, enxerga o que lhe malfazem, devassa o que lhe ocultam e tramam, colhe o que lhe sonegam, ou roubam, percebe onde lhe alvejam, ou nodoam, mede o que lhe cerceiam, ou destroem, vela pelo que lhe interessa, e se acautela do que ameaça”. No tempo dele (de Rui Barbosa) era assim. Hoje as coisas mudaram, e mudaram muito.
Comentário de Rubin Pedro Diehl Filho em 18 agosto 2012 às 21:25 A estratégia parece ser muito articulada. Até a linguagem depreciativa parece coisa orquestrada, no sentido de tirar a objetividade de todo o processo. Termos como "mensalão", "valerioduto", ou o tão divulgado dinheiro na cueca. A objetividade passa longe.
Quanto aos 300mil dólares na cueca, nunca levei a sério, mas tenho uma teoria, muito bem fundamentada, de que esse fato jamais poderia ter acontecido. Meu senso prático - engenheiro que sou há 36 anos - me levou a calcular o volume e peso de tal soma em dinheiro. Resultado: US$300mil, em notas de 100, pesariam tanto quanto - e ocupariam o mesmo volume que UMA RESMA DE PAPEL A4, dessas que se compra em qualquer papelaria. QUATRO KILOGRAMAS.
Nem mesmo a cueca do Jô Soares acomodaria tal volume e peso. Tenho convicção que foi ARMAÇÃO. Ou pelo menos, exagero do brabo, sem falar na orquestração da estória da cueca pra se avacalhar com os acusados e criar o clima de condenação prévia pelos leitores.
Comentário de Roberto Emery em 18 agosto 2012 às 23:42 Muito bom!
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