Inicio a série "Manipulação do homem pelo homem" apresentando as teses de Chomsky, um dos pais da linguistica moderna, que tem um pé na ciência e outro na ideologia, onde se posiciona confusamente como um "socialista libertário anarco-sindicalista". Para o nosso estudo o que interessa de Chomsky é exclusivamente a sua abordagem cientifica dos processo de manipulação. Da mesma forma que o homem explora o homem, é o lobo do homem - et pour cause - o homem é manipulador do homem.

Em nada o estudo da manipulação depende de uma ideologia marxista. Para se estudar a manipulação do homem pelo homem basta recorrer às modernas técnicas de propaganda e de psicologia de massa que são utilizadas para vender produtos, seduzir os eleitores e controlar a sociedade. O controle da sociedade SEMPRE representou o domínio de uma minoria sobre a maioria. Os pobres sempre constituiram a maioria e os ricos a minoria. O que há de "marxismo" nesta óbvia constatação histórica?

A ideologia zero, ao contrário de todas as demais ideologias se limita a analisar a realidade separando os fatos do pensamento-desejo (wishfullthinking). No meu entender, o único erro de Chomsky foi atribuir a sua lista das 10 estratégias de manipulação ao sistema capitalista. A esquerda hoje (ou falsa esquerda) está usando as mesmas estratégias, como ele bem sabe. Deve saber também, com base em seus estudos sobre a origem da linguagem, que a manipulação do homem pelo homem, já existia desde a pré-história. Na psicologia e, especialmente na psicanálise, este tema mereceu uma investigação profunda.

Constitui portanto um erro estratégico pretender conscientizar a sociedade a respeito das estratégias de manipulação adotadas pelas elites dominantes, atribuindo-as ao sistema capitalista. O que importa é mostrar como estas estratégias são aplicadas. Não há necessidade alguma de ideologizar a questão. São estratégias de controle e dominação. A relação entre bichos dominantes e dominados não foi construida pelo capitalismo. Ele apenas aperfeiçou o que já existia antes.

Não precisamos perder tempo em abordar os sistemas de dominação pré-capitalista, sendo que todos os sistemas recorrem às estratégias que melhor lhes convêm.

Assim, você que é um anti-marxista convicto, ao ler as teses de Chomsky procure ver como elas são expressão dos fatos, independente do autor ser socialista-libertário-anarquista. Aproveite para se livrar, você mesmo (a) de uma estratégia inconsciente que domina todos os ideólogos e provavelmente a você também! - ao ler um autor do qual divergem ideologicamente, os ideólogos acabam divergindo até dos pensamentos do autor que coincidem com os seus! Os ideólogos não têm a mínima idéia do fantástico bem estar proporcionado pela ideologia zero, que é a ideologia da libertação de todas as ideologias!

A leitura critica que eu vou fazer das teses de Chomsky são isentas de qualquer ideologia e se fundamentam na experiência de mais de 40 anos com as técnicas de manipulação utilizadas no marketing e na propaganda, comercial e política. Em nada o fato deste renomado cientista da linguagem ser anarquista ou socialista vai interferir na minha avaliação de seus pensamentos, alguns dos quais são a mera reprodução do que eu vi (e fiz) ao longo da minha carreira profissional nas áreas de marketing e propaganda.

Deixo agora você à vontade para entrar em contato com a lista das 10 estratégias de manipulação que Chomsky sintetizou. Voltarei outro dia para comentá-las. E depois dos comentários, vou acrescentar muitas outras estratégias de "manipulação do homem pelo homem", onde a psicologia do auto-engano e da ilusão também estão inseridas.

Até breve.
Abraços

Mtnos Calil
www.maoslimpasbrasil.com.br

Ps. A ideologia zero pode ser definida como a ideologia de libertação de todas as ideologias.

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CHOMSKY E AS 10 ESTRATÉGIAS DE MANIPULAÇÃO MIDIÁTICA

1- A ESTRATÉGIA DA DISTRAÇÃO.

O elemento primordial do controle social é a estratégia da distração que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e econômicas, mediante a técnica do dilúvio ou inundações de contínuas distrações e de informações insignificantes.

A estratégia da distração é igualmente indispensável para impedir ao público de interessar-se pelos conhecimentos essenciais, na área da ciência, da economia, da psicologia, da neurobiologia e da cibernética. “Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado, sem nenhum tempo para pensar; de volta à granja como os outros animais (citação do texto 'Armas silenciosas para guerras tranqüilas')”.

2- CRIAR PROBLEMAS, DEPOIS OFERECER SOLUÇÕES.

Este método também é chamado “problema-reação-solução”. Cria-se um problema, uma “situação” prevista para causar certa reação no público, a fim de que este seja o mandante das medidas que se deseja fazer aceitar. Por exemplo: deixar que se desenvolva ou se intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público seja o mandante de leis de segurança e políticas em prejuízo da liberdade. Ou também: criar uma crise econômica para fazer aceitar como um mal necessário o retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços públicos.

3- A ESTRATÉGIA DA GRADAÇÃO.

Para fazer com que se aceite uma medida inaceitável, basta aplicá-la gradativamente, a conta-gotas, por anos consecutivos. É dessa maneira que condições socioeconômicas radicalmente novas (neoliberalismo) foram impostas durante as décadas de 1980 e 1990: Estado mínimo, privatizações, precariedade, flexibilidade, desemprego em massa, salários que já não asseguram ingressos decentes, tantas mudanças que haveriam provocado uma revolução se tivessem sido aplicadas de uma só vez.

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4- A ESTRATÉGIA DO DEFERIDO.

Outra maneira de se fazer aceitar uma decisão impopular é a de apresentá-la como sendo “dolorosa e necessária”, obtendo a aceitação pública, no momento, para uma aplicação futura. É mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacrifício imediato. Primeiro, porque o esforço não é empregado imediatamente. Em seguida, porque o público, a massa, tem sempre a tendência a esperar ingenuamente que “tudo irá melhorar amanhã” e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Isto dá mais tempo ao público para acostumar-se com a idéia de mudança e de aceitá-la com resignação quando chegue o momento.

5- DIRIGIR-SE AO PÚBLICO COMO CRIANÇAS DE POUCA IDADE.

A maioria da publicidade dirigida ao grande público utiliza discurso, argumentos, personagens e entonação particularmente infantis, muitas vezes próximos à debilidade, como se o espectador fosse um menino de baixa idade ou um deficiente mental. Quanto mais se intente buscar enganar ao espectador, mais se tende a adotar um tom infantilizante. Por quê. “Se você se dirige a uma pessoa como se ela tivesse a idade de 12 anos ou menos, então, em razão da sugestionabilidade, ela tenderá, com certa probabilidade, a uma resposta ou reação também desprovida de um sentido crítico como a de uma pessoa de 12 anos ou menos de idade (ver “Armas silenciosas para guerras tranqüilas'')"

6- UTILIZAR O ASPECTO EMOCIONAL MUITO MAIS DO QUE A REFLEXÃO.

Fazer uso do aspecto emocional é uma técnica clássica para causar um curto circuito na análise racional, e por fim ao sentido critico dos indivíduos. Além do mais, a utilização do registro emocional permite abrir a porta de acesso ao inconsciente para implantar ou enxertar idéias, desejos, medos e temores, compulsões, ou induzir comportamentos.

7- MANTER O PÚBLICO NA IGNORÂNCIA E NA MEDIOCRIDADE.

Fazer com que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para seu controle e sua escravidão. “A qualidade da educação dada as classes sociais inferiores deve ser a mais pobre e medíocre possível, de forma que a distância da ignorância que paira entre as classes inferiores às classes sociais superiores seja e permaneça impossíveis para o alcance das classes inferiores (ver ‘Armas silenciosas para guerras tranqüilas’)”.

8- ESTIMULAR O PÚBLICO A SER COMPLACENTE NA MEDIOCRIDADE.

Promover ao público a achar que é moda o fato de ser estúpido, vulgar e inculto.

9- REFORÇAR A REVOLTA PELA AUTOCULPABILIDADE.

Fazer o indivíduo acreditar que é somente ele o culpado pela sua própria desgraça, por causa da insuficiência de sua inteligência, de suas capacidades, ou de seus esforços. Assim, ao invés de rebelar-se contra o sistema econômico, o individuo se auto-desvalida e culpa-se, o que gera um estado depressivo do qual um dos seus efeitos é a inibição da sua ação. E, sem ação, não há revolução!

10- CONHECER MELHOR OS INDIVÍDUOS DO QUE ELES MESMOS SE CONHECEM.

No transcorrer dos últimos 50 anos, os avanços acelerados da ciência têm gerado crescente brecha entre os conhecimentos do público e aquelas possuídas e utilizadas pelas elites dominantes. Graças à biologia, à neurobiologia e à psicologia aplicada, o “sistema” tem desfrutado de um conhecimento avançado do ser humano, tanto de forma física como psicologicamente. O sistema tem conseguido conhecer melhor o indivíduo comum do que ele mesmo conhece a si mesmo. Isto significa que, na maioria dos casos, o sistema exerce um controle maior e um grande poder sobre os indivíduos do que os indivíduos a si mesmos.

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