A mídia tem perna curta - por: Rosane Bertotti, secretária Nacional de Comunicação da CUT

Conhecí Roseane em 1999, quando eu era assessor da CUT, em sua Secretaria Nacional de Formação. Roseane é um mulher ao mesmo tempo firme e serena. Sempre tive por ela uma grande admiração. O texto abaixo, de sua autoria, mostra esta grandeza. Vale a pena conferir:

“Tudo é uma questão de manter a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranqüilo” Walter Franco

Reta final do processo eleitoral, a mídia aponta todos os seus canhões e holofotes contra a candidatura que encarna a continuidade do projeto democrático-popular, que vem desenvolvendo o Brasil e melhorando as condições de vida de milhões de pessoas, na ânsia de reescrever a história e alterar o resultado das urnas. Para isso, a “grande imprensa” não economiza em fazer uso de todo tipo de manipulação, mentiras e invisibilidades. De forma orquestrada, em nome da liberdade de expressão, atenta contra ela; em nome do interesse nacional, se alinha com o que há de mais submisso e vende-Pátria; em nome da democracia, propagandeia o golpe...

Diante do tamanho do confronto – e da desproporção dos meios de comunicação em favor do inimigo – particularmente nestes dias em que destilam doses ensandecidas de calúnia e difamação - é que conclamamos a militância cutista e dos movimentos sociais a darem tudo de si nas ruas para obter o melhor para o país nas urnas.

Talvez o mais apropriado não seria dizer a “mente quieta”, mas o sentido é sublinhar a necessidade de termos toda a calma, paciência e sobriedade, para não cair em provocação, colocando a razão – que está ao nosso lado - no debate político-ideológico com a “nova direita”, como diz um candidato do PSDB-DEM em sua propaganda eleitoral na Folha de S. Paulo. Cito a “espinha ereta”, para que mantenhamos redobrada a firmeza da nossa Plataforma da CUT para as eleições 2010, com ênfase na distribuição de renda e valorização do trabalho, dando todo o apoio necessário ao conjunto, destacando que é a nossa força coletiva o verdadeiro pilar, a coluna de sustentação da luta e da vitória. E o “coração tranqüilo” para sermos cada vez mais justos, caminhando com pureza de propósitos, guiados que somos pelo compromisso maior com a classe trabalhadora, o Brasil e a Humanidade.

Daí a nossa luta para denunciar o candidato do desgoverno FHC, de arrocho e desemprego, da privatização da Vale do Rio Doce, que quis entregar a Petrobrás e transformá-la em Petrobrax - hoje com maior presença do Estado e a segunda maior empresa de petróleo do mundo - o nome da Alca, contra a integração latino-americana; da repressão aos professores e da criminalização dos movimentos sociais, da multiplicação dos pedágios, do desmonte da saúde e do ensino públicos... É com esse triste personagem - "enfadonho" segundo um certo jornal inglês - que querem fazer a roda da história girar para trás, repetida como farsa.

Que a situação não precisaria ter chegado neste ponto no que diz respeito à mídia, é uma obviedade para a qual a CUT, os movimentos sociais e de luta pela democratização da comunicação têm alertado há muito tempo. O que esteve ao nosso alcance foi feito para que tivéssemos, ainda que modestamente, os nossos próprios instrumentos contra-hegemônicos, para fazer o contraponto. Agora, os barões da mídia põem as manguinhas de fora e retribuem com fel a tremenda paciência com que o presidente Lula os tratou ao longo do seu governo. Defendem o direito a serem incriticáveis, como cidadãos acima da lei e das regras de convivência, considerando qualquer correção em seus vergonhosos e cada vez mais unilaterais noticiários como “atentado à liberdade de imprensa”.

A construção de um novo marco regulatório para o setor, iniciativa apontada pela Conferência Nacional de Comunicação (Confecom) como elementar para promover a mais ampla e plural liberdade de expressão, é uma medida que será estruturante, pondo fim à atual desregulamentação promovida pelo “mercado”, controlado pelos monopólios da desinformação.

Como bem pontuou o presidente Lula, no próximo dia 3, “não vamos derrotar apenas os tucanos, nós vamos derrotar alguns jornais e revistas que se comportam como se fossem partido político e não tem a coragem de dizer que são partido político e tem candidato”.

Por estas e outras, o Centro de Estudos de Mídia Barão de Itararé, o qual nossa Central tem o prazer de integrar, aprovou algumas ações práticas que precisam ser abraçadas pela nossa militância, para além da luta mais geral em defesa da comunicação democrática e pluralista, que deverá ser um desafio prioritário a ser enfrentado pelo próximo governo. Neste sentido, o ato contra o golpismo midiático propôs algumas ações concretas:

- Desencadear de imediato uma campanha de solidariedade à revista CartaCapital, que está sendo alvo de investida recente de intimidação. É preciso fortalecer os veículos alternativos no país, que sofrem de inúmeras dificuldades para expressar suas ideias, enquanto os monopólios midiáticos abocanham quase todo o recurso publicitário. Como forma de solidariedade, sugerimos que todos assinemos publicações comprometidas com a democracia e os movimentos sociais, como a Carta Capital, Revista Fórum, Caros Amigos, Retrato do Brasil, Revista do Brasil, jornal Brasil de Fato, jornal Hora do Povo, entre outros; sugerimos também que os movimentos sociais divulguem em seus veículos campanhas massivas de assinaturas destas publicações impressas;

- Solicitar, através de pedidos individuais e coletivos, que a vice-procuradora regional eleitoral, Dra. Sandra Cureau, peça a abertura dos contratos e contas de publicidade de outras empresas de comunicação – Editora Abril, Grupo Folha, Estadão e Organizações Globo –, a exemplo do que fez recentemente com a revista CartaCapital. É urgente uma operação “ficha limpa” na mídia brasileira. Sempre tão preocupadas com o erário público, estas empresas monopolistas não farão qualquer objeção a um pedido da Dra. Sandra Cureau.

- Deflagrar uma campanha nacional em apoio à banda larga, que vise universalizar este direito e melhorar o PNBL (Plano Nacional de Banda Larga) recentemente apresentado pelo governo federal. A internet de alta velocidade é um instrumento poderoso de democratização da comunicação, de estimulo à maior diversidade e pluralidade informativas. Ela expressa a verdadeira luta pela “liberdade de expressão” nos dias atuais. Há forte resistência à banda larga para todos, por motivos políticos e econômicos óbvios. Só a pressão social, planejada e intensa, poderá garantir a universalização deste direito humano.

- Apoiar a proposta do jurista Fábio Konder Comparato, encampada pelas entidades do setor e as centrais sindicais, do ingresso de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) por omissão do parlamento na regulamentação dos artigos da Constituição que versam sobre comunicação. Esta é uma justa forma de pressão para exigir que preceitos constitucionais, como o que proíbe o monopólio no setor ou o que estimula a produção independente e regional, deixem de ser letra morta e sejam colocados em prática. Este é um dos caminhos para democratizar a comunicação.

- Esclarecer o que está em jogo nas eleições brasileiras e o papel que a chamada grande imprensa tem jogado neste processo decisivo para o país.

Façamos a nossa parte. Vamos à luta e à vitória

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