Em conversa com um amigo a respeito da crise que assola o cidadão brasileiro, ele me revela a parte boa da crise. Conta ele, que quando o país atravessava um bom momento, onde o comércio avolumava a todo vapor, ele foi a uma loja de eletrônicos para comprar uma impressora multifuncional. Ao entrar na loja, notou de cara um grande movimento; pessoas andando de lá pra cá, de cá pra lá e ninguém parava para atendê-lo. Ele continuou olhando os produtos até que, em uma prateleira, encontrou o que estava procurando. Educadamente pediu para um vendedor da loja que estava passando para lhe dar algumas informações sobre o produto. E, educadamente o vendedor lhe respondeu para que aguardasse um minuto que outro vendedor disponível viria para atendê-lo. Então, ele ficou parado em frente à prateleira por algum tempo e ninguém veio lhe falar. Por fim, pegou a caixa com a impressora, levou até o caixa da loja, efetuou o pagamento e foi embora com seu produto sem obter nenhuma informação a respeito do mesmo.

        O tempo passou..., agora, depois de alguns anos, a situação do país é outra; a crise assola o cidadão e o desemprego é geral. Na semana passada, passeando pelo shop, ele passou de frente à loja onde comprou a impressora. Não vendo nenhum movimento resolveu entrar. Assim em que ele pôs os pés dentro da loja, duas vendedoras vieram lhe abordar. Ele disse que estava só olhando e continuou a caminhar indo até a prateleira que expunha as impressoras. Mal parou frente à prateleira e outro vendedor veio perguntando se podia lhe ajudar. Era um vendedor disponível.        –disse ele. Então aproveitou para pedir-lhe informações sobre o produto. O vendedor lhe detalhou todas as funções, dando-lhe informações sobre o seu produto que ele ainda não conhecia, inclusive com demonstrações. Por fim, o vendedor perguntou-lhe se iria levar uma. Ele respondeu que estava satisfeito com o atendimento, mas que o produto, ele já havia comprado há alguns anos, estava ali apenas para receber as informações que a loja ficou lhe devendo. Agradeceu ao rapaz, e foi saindo. Já perto da porta outro vendedor lhe abordou com um cartão na mão, lhe entregou e disse; “-se precisar de qualquer coisa me procure”. Ele olhou para o vendedor e o reconheceu; devolveu-lhe o cartão e disse: – Obrigado, mas um vendedor disponível já me atendeu. O amigo voltou satisfeito para casa, pois a crise lhe fez ser notado.

Histórias de um certo homem

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