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A participação dos chineses no setor de petróleo no Brasil

Do Blog Infopetro

Por Edmar de Almeida e Helder Consoli

Até recentemente, o Brasil esteve fora do radar das empresas chinesas que vêm empreendendo uma forte expansão internacional. Com a descoberta do Pré-sal e com o consequente potencial exportador de petróleo do país, as empresas petroleiras chinesas passaram a se interessar pelo setor energético brasileiro. Nos últimos cinco anos, todas as quatro grandes empresas petrolíferas estatais chinesas entraram no mercado Brasileiro. Além disso, dada as necessidades de financiamento das atividades de E&P no Brasil, elas passaram a ser vistas como uma importante fonte de liquidez para investir no negócio de petróleo nacional.

O principal drive para entrada no Brasil é a perspectiva de exportação de petróleo para a China. Tendo em vista que estas empresas dominam o downstream na China, sua estratégia é buscar ativos que podem se converter em exportações para a China.

Entrada das Empresas Chinesas no Brasil

Até 2005 a presença chinesa na indústria brasileira do petróleo era muito tímida. A partir deste ano, a Sinopec entrou no mercado brasileiro oferecendo serviços de engenharia e de EPC (Engineering Procurement and Construction). A Sinopec participou da construção de um trecho do projeto GASENE (gasoduto interligando a malha de gasodutos do Sudeste ao do Nordeste).

Em 2009, a empresa participou de um outro negócio importante. A Sinopec assinou um contrato de compra de petróleo da Petrobras por 10 anos que serviu como garantia de um empréstimo de US$10 bilhões do Banco de Desenvolvimento da China para a Petrobras. O acordo estipulou que a Petrobras devia aumentar suas vendas para a Unipec Asia (uma subsidiária da Sinopec) de 150 mil barris por dia no primeiro ano do contrato para 200 mil barris por dia durante os nove anos seguintes. Esse empréstimo à Petrobras foi de suma importância, tendo em vista o momento de fragilidade financeira que a empresa experimentou naquele ano.

Em 2010, incentivadas pela descoberta do pré-sal, as empresas chinesas começaram a comprar participações em empresas de petróleo e gás no Brasil. A Sinopec comprou 40% dos ativos da Repsol Brasil e 30% da Galp Brasil. Em maio do mesmo ano a Sinochem adquiriu 40% do campo de Peregrino, campo em águas rasas cujas reservas recuperáveis são estimadas em 300 a 600 milhões de barris de petróleo pesado, da Statoil na Bacia de Campos (Bloco BM-C-7) por US$3 bilhões. E em 2013 a CNOOC e a CNPC adquiriram, cada uma, 10% de participação do consórcio vencedor do leilão do campo de Libra, cujas reservas são estimadas entre oito bilhões a doze bilhões de boe.

Participação Chinesa na Produção de Petróleo Nacional

A estratégia de compra de ativos e fusões e aquisições contribuem para um rápido aumento da produção de petróleo por parte das empresas subsidiárias ou com participação chinesa. Com esta estratégia, a velocidade de acesso ao marcado é maior. Além disso, a crise financeira internacional criou excelentes oportunidades para as empresas chinesas adquirirem empresas europeias financeiramente fragilizadas e que possuíam ativos e operações no Brasil. Com a aquisição de participações na Repsol Brasil (40%) e da Galp Brasil (30%) por US$7,1 bilhões e US$4,8 bilhões, respectivamente, a Sinopec desponta como a principal Chinesa no Brasil. A Repsol Sinopec surge como uma grande empresa de E&P no Brasil, cujo valor de mercado atinge US$17,8 bilhões. A Galp Energia, por sua vez, possui vinte projetos de exploração e uma forte participação no Pré-sal, atuando nos campos de Lula/Iracema, Iara, Carcará e Júpiter.

A Sinochem por sua vez já tem uma participação importante no mercado Brasileiro, mediante a aquisição em 2010 de uma participação de 40% no campo de Peregrino que é operado pela Statoil, produzindo atualmente cerca de 80 mil barris por dia. Além disto, a empresa está explorando petróleo em cinco blocos na bacia do Espírito Santo.

Como se pode observar na Tabela 1, as Repsol Sinopec, Petrogal Brasil e a Sinochem já produzem cerca de 78 mil barris/dia no Brasil. Esta produção tende a crescer muito rapidamente em função das participações que estas empresas detêm no upstream nacional.

Tabela 1 – Produção de Petróleo e Gás no Brasil por Concessionário em Abril de 2014

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Fonte: Anp

O crescimento da produção das empresas chinesa já pode ser previsto com os ativos atuais das mesmas, principalmente da área do Presal . A Repsol Sinopec detém participação nos campos de Albacora Leste e Sapinhoá (que já estão em fase de produção), Piracucá e Carioca (em desenvolvimento), além da exploração de nove blocos. A participação da Galp nos campos do Pré-sal de Lula/Iracema, Iara, Carcará e Júpiter apontam para um forte aumento da produção da empresa nos próximos anos.

Por sua vez, os 10% de participação da CNOOC e da CNPC em Libra garantem um futuro interessante para a produção das empresas no país. Para isto, espera-se que estas duas empresas chinesas invistam algo em torno de US$ 5 bilhões cada no projeto de Libra.

As exportações de petróleo para a China vêm crescendo na esteira do aumento da participação da produção por parte das empresas Chinesa. É possível observar um aumento da participação do petróleo na pauta exportadora do Brasil para a China. Em 2010, a China superou os Estados Unidos, tornando-se o maior mercado para as exportações de petróleo do Brasil. Enquanto em 2003 as exportações de petróleo representavam apenas 0,5% do valor exportado de petróleo para a China, em 2013 a porcentagem correspondente foi de 8,7%. Apesar disso, dada a posição chinesa como o maior mercado importador de petróleo no mundo, o Brasil representa apenas 2% do petróleo importado pela China. Ou seja, existe um grande espaço para crescimento das exportações Brasileiras para a China. (...) O texto continua no Blog Infopetro.

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