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Era uma vez, uma princesinha, branca como a neve, rosto enfeitado de sardas, que tinha a emoldurar seu rosto, uns cabelos longos, lisos e negros.

A princesa não tinha vestidos rendados, nem laços de fitas, nem jóias, nem pão, mas tinha esses cabelos brilhantes. Sedosos enfeites, que lhe rendiam afagos, cafunés que lhe esquentavam a alma.


A mãe coberta de orgulho fazia-lhe uma trança com capricho, entregava-lhe o caderno e a merendeira vazia e conduzia-lhe à escola, nos seus primeiros passos em direção ao futuro.

---Menina! Não solte a trança, que atrapalha no ler.


No caminho elogios:

---O que você passa nos cabelos dela, para ficarem tão lindos.

Entre orgulhosa e envergonhada a Mãe dizia:

---Nada não. Sabão de côco e água fria do tanque.

E mais adiante a Bruxa Malvada, sempre a espreita:

---Quando vais decidir? Este cabelo vale uma nota! Estou precisada de um assim mesmo.

A mãe cortava caminho, desconversava a Bruxa Cabeleireira.

Como ia ceifar justo o que de mais belo que lhe enfeitava a vida?

Era certo que precisavam, mas ia resistir.


Um dia princesinha viu sua Mãe chorando, seu Pai triste.

Na mesa havia só um prato, nele polenta fria e era onde ela comia.

Quis saber a razão, mas ninguém respondia.


Aquela noite foi mais longa e o canto dos grilos a inspirou.

Era princesa, mas não era burra. E foi de fome que a Mãe chorou.


De manhãzinha, saindo de casa, a trança feita, merenda adiada, Falou pra Mãe:

---Sabe Mãezinha! Sinto um calor com esse cabelo todo. Ando doidinha pra ter os cabelos curtos, iguais aos de minhas amiguinhas. Até acho que esse peso da trança me enfraquece as pernas.

---Por que não cedermos ao apelo da Bruxa do salão da rua do meio?


E foi assim, que dali a dois dias sua trança brilhava num salão de festas luxuoso, enfeitando a cabeça de uma debutante a dançar a valsa com seu
pai orgulhoso, por sinal o prefeito como dissera a Bruxa.

E foi assim que, por uns dias, a mesa foi farta, assim como os corações tranqüilos, naquele Reino de Ternura que ficou para trás. Onde havia uma
princesa de cabelos a La Joãzinho e não por isso, menos linda, nem
menos amada.


*by anja

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