A quem interessa a divisão do Pará?

Com data marcada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) - dia 11 de dezembro deste ano -, o plebiscito sobre a criação de dois novos estados, Carajás e Tapajós, com a divisão do Estado do Pará, é hoje um dos assuntos na ordem do dia entre os paraenses.

Os ministros chegaram à conclusão de que todos os eleitores do Pará devem participar do plebiscito, conforme determina o artigo 7º da Lei n° 9.709/1998. De acordo com essa norma, no caso de desmembramento, a população deve ser consultada diretamente.

O que devemos perguntar é: o que está por trás da divisão do Pará e quais são os reais interesses dessa divisão?

As elites alegam que, com a divisão, só haverá desenvolvimento e uma melhor administração; que há certa diferença cultural, econômica e histórica quando comparada com a Capital; e que as regiões Sul e Oeste do Pará são esquecidas por terem um território vasto.

Como já sabemos, o Pará possui uma grande biodiversidade, riquezas minerais e naturais, além de contar com um povo muito trabalhador. Mas também carrega consigo uma grande desigualdade social, um alto índice de pobreza, um falido sistema público de saúde, além de um baixo nível de educação pública. Não será, porém, a divisão que vai garantir a distribuição das riquezas. Vejamos o caso do nosso país, que é a sétima economia mundial, mas é um dos países do mundo com maiores desigualdades sociais.

Para ocorrer a divisão do Pará serão necessários R$ 4,2 bilhões, segundo o Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea), e, para a manutenção anual dos dois novos estados - Carajás e Tapajós - serão gastos R$ 2,16 bilhões, dinheiro que deveria ser investido em educação e assistência social, sem falar que, com a criação desses estados, os indígenas vão ser expulsos, aumentará a violência no campo e se intensificará a destruição da natureza, que será substituída por centros industriais e cidades.

Para a criação dos novos estados serão criados mais de 60 cargos de deputado federal, cada um recebendo, por mês, R$ 26.723,13. Os parlamentares recebem seus vencimentos 15 vezes durante o ano e ainda contam com verbas de gabinete, passagens aéreas, moradia, plano de saúde e gastos administrativos pagos pelo Congresso Nacional com o dinheiro de todo o povo brasileiro. Os seis novos senadores de Carajás e Tapajós sairiam por cerca de R$ 10,8 milhões anuais. Já os novos deputados federais custariam um pouco menos: R$ 10,5 milhões.

Para o deputado estadual Edmilson Rodrigues (Psol), o problema de falta de políticas públicas e o abandono das regiões do Tapajós e Carajás não serão resolvidos com a divisão do atual estado. "Esse é um problema de falta de uma política que pense o desenvolvimento do Pará de uma outra forma, porque o que o povo quer é ter acesso a políticas públicas que melhorem suas vidas. E a solução para isso não é a divisão do estado. Isso é um problema que vai beneficiar apenas os grandes capitais, não o povo". Segundo Edmilson, "a divisão do Pará só agravará ainda mais a miséria, a exclusão social e questões como desmatamento e trabalho escravo, pois o modelo de desenvolvimento pensado para os novos estados se baseia em benefícios voltados apenas ao setor produtivo, como a mineração e o agronegócio".

Fonte: Jornal A Verdade

Exibições: 77

Comentar

Você precisa ser um membro de Portal Luis Nassif para adicionar comentários!

Entrar em Portal Luis Nassif

Publicidade

© 2019   Criado por Luis Nassif.   Ativado por

Badges  |  Relatar um incidente  |  Termos de serviço