Caros navegantes, ou como diz Ignacy Sachs, "geonautas" [**]

 

O título acima eu tomei emprestado de um ensaio de Raymundo Faoro, de 1992 no IEA/USP, é mais um gancho para despertá-los para a leitura do artigo e ver o vídeo, pois continua atualíssimo em nossos dias e de fundamental importância para nos ajudar na construção de uma sociedade melhor e mais justa, nesse nosso desperta aparente da descoberta da “a pista da lei natural do desenvolvimento”. Faoro diz no início do vídeo, (...) "estou me afastando do Weber e tentando travar um diálogo com Hegel, está é uma tese, que se poderia dizer, muito sumariamente, que é Marx contra Lenin e Hegel contra Marx". Raymundo Faoro foi um intelectual orgânico e outsider, coisa rara em nossas elites.

 

Toda essa volta para fazer um comentário ao post do Nassif: A força do mercado no meio acadêmico. O que me leva a refletir sobre as elites e a briga pelo poder entre os grupos. Será que é esse a essência do resumo da ópera no Brasil (e no mundo)?

 

Não creio, mas fiquemos em casa. Em nossa história, isso vem desde sempre, esse é a essência de nossas elites ao longo dos últimos séculos, como bem expresso no pensamento de Joaquim Nabuco no império do século XIX, "Em mim somente o sentimento é brasileiro, a minha imaginação é européia" , (hoje diríamos,'euro-americana'), desse ponto de vista, não é difícil concluir mais de um século depois, as elites do Brasil, não mudaram muito, as elites continuam, essencialmente, pensando do ponto de vista, primeiramente, euro-americana e depois Brasil, ou seja, 'o centro- periferia'.

 

Como nos lembra Milton Santos, outro intelectual orgânico, e que se definia como 'outsider', "a gente vê o mundo com os olhos dos outros, depois temos dificuldades de entender o que de fato ocorre nele".

 

“A clarividência é uma virtude que se adquire pela intuição, mas sobretudo pelos estudos, tentar ver a partir do presente, o que se projeta no futuro.”

“Descolonizar é olhar o mundo com os próprios olhos, pensando de um ponto de vista próprio.”

“O centro do mundo está em todo lugar, o mundo é o que se vê de onde se está”

“Devemos considerar a existência de pelo menos três mundo num só. O primeiro, seria o mundo como tal nos fazem vê-lo, a globalização como fábula. O segundo, seria o mundo tal como ele é, a  globalização como perversidade. E, terceiro, o  mundo como ele pode ser, uma outra globalização.” 

Milton Santos: O mundo global visto do lado de cá.

 

O que creio, desejo e vislumbro, é que, dessa efervescência cultural de hoje e das próximas décadas, venha brotar uma nova elite, da efervescência do povo, que venha nascer no sentido da força da natureza, de baixo para cima e de dentro para fora, como germina uma semente na natureza:

 

(...) O exemplo hegeliano para o desenvolvimento é a planta: a planta não se desenvolve por uma força externa, mas a partir de seu germe, que a contém de modo ideal (neste passo tem sentido o que se diz no prefácio da edição de O capital de 1867: a pista da lei natural do desenvolvimento — a planta, para se desenvolver, se tivesse consciência, perceberia que se desenvolveria de acordo com o germe, jamais contra ele)", pág. 8. A questão nacional: a modernização, Raymundo Faoro, 1992 (USP/IEA: Estud. av. vol.6 no.14 São Paulo Jan./Apr. 1992 [*]) 

 

Que o mito popular da frase, "O povo é melhor que suas elites", (também derivada de um pensamento de Joaquim Nabuco) se torne realidade, que venha mudar o velho paradigma de nossa história, ou seja, representar a maioria do povo brasileiro e não uma elite apenas com os olhos da colonização 'euro-americana'. Vale lembrar, como  outro paradigma ser quebrado, criado por Pérsio Arida ao receber um premio de economista do ano, disse: “juros altos e jabuticaba só floresce no Brasil”.

 

Quem viver verá!

Sds,

 

 

A Questão Nacional e a Modernização(vídeo) [*]
Conferencista: Raymundo Faoro (jurista, historiador e cientista político)
Apresentador: Carlos Guilherme Mota (IEA e Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP)
Coordenador: Jacques Marcovitch (diretor do IEA)
Data: 31 de março de 1992
Duração:
1h31min  

 

[**] Artigo de Ignacy Sachs, ENVOLVER-CARTACAPIAL: A Intervenção humana - "É preciso também uma revolução azul" (20/set./2011).  

Exibições: 243

Comentário de Oswaldo Conti-Bosso em 30 setembro 2011 às 2:59

Oí Valquiria,

Obrigado pela observaçao do erro no link do vídeo, creio que está corrigido agora.

Sds,

 

 

Comentário de Oswaldo Conti-Bosso em 1 outubro 2011 às 4:04

Valquiria,

O link do artigo também está acima, na referência em azul.

Sds,

 

 

Comentar

Você precisa ser um membro de Portal Luis Nassif para adicionar comentários!

Entrar em Portal Luis Nassif

Publicidade

© 2019   Criado por Luis Nassif.   Ativado por

Badges  |  Relatar um incidente  |  Termos de serviço