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A relação entre o mercado de gás natural, o mercado de LGN e o mercado de petróleo nos Estados Unidos

Do Blog Infopetro

Por Marcelo Colomer

Nos últimos anos, o crescimento da produção de petróleo e gás natural localizados em formações geológicas reconhecidas como não-convencionais nos EUA deu origem a importantes mudanças nos mercados internacionais, sendo manchete de muitas revistas e tema de muitos trabalhos acadêmicos. Contudo, o que pouco tem sido analisado é a relação existente entre o mercado de petróleo e a comercialidade dos projetos de exploração de gás não convencional.

A produção de metano, principalmente em formações não convencionais, pode carregar consigo uma elevada produção de Líquidos de Gás Natural (LGN) – da sigla em Inglês (NGL). Incluem-se entre os líquidos de gás natural o etano, propano, butano, isobutano e a gasolina natural. Apesar da pouca atenção despertada por estes produtos, estima-se que eles corresponderão, até 2025, a um quarto da produção de hidrocarbonetos líquidos nos EUA (EBINGER, C e AVASARALA, G, 2013).

A geração de hidrocarbonetos na natureza é um processo lento e complexo, o que explica porque cada formação geológica possui características diferentes umas das outras. Nesse sentido, enquanto alguns reservatórios de gás natural possuem predominantemente metano, outros possuem também outros hidrocarbonetos de cadeia mais longa, o que lhe proporciona um maior teor energético. Nos EUA, por exemplo, 74% da produção de LGN provém de campos de gás natural[1], principalmente daqueles localizados em formações não convencionais como Eagle FordAnadarko Rockies (EBINGER, C e AVASARALA, G, 2013).

Figura 1 – EUA: Produção de LGN a partir do processamento de gás natural

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Fonte: EIAa 2014

A produtividade dos campos de gás natural em termos de LGN é medida em galão por mil pés cúbicos de gás natural (GPM) e vai variar muito entre as diferentes regiões produtoras. A formação de folhelho de Barnett no Texas, por exemplo, pode produzir algo em torno de 2,5 a 3,5 GPM, enquanto a formação Bakken, na Dakota do Norte, produz aproximadamente 12 GPM (EBINGER, C e AVASARALA, G, 2013).

Uma vez processados ou separados, os líquidos de gás natural possuem uma variedade de usos. Quase todo o etano e 1/3 do propano são consumidos pelo setor petroquímico. O restante do propano é utilizado no aquecimento residencial e comercial enquanto o butano, isobutano e a gasolina natural são utilizados nas refinarias para a composição dos seusblends energéticos. Nesse sentido, a expansão recente da produção de LGN nos EUA, com consequente queda nos preços domésticos dos líquidos, conferiu uma imensa vantagem competitiva para a indústria química norte-americana frente a europeia, cuja produção depende dos dispendiosos produtos do petróleo como a nafta e o óleo combustível.

Figura 2 – Curva Típica de Custo na Petroquímica por Região

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Fonte: LyondellBasell Investor Presentation apud EBINGER, C e AVASARALA, G, 2013

No que diz respeito ao mercado de LGN, este apresenta um comportamento cíclico de preços e dependente da demanda petroquímica por etano que representa cerca de 40% da produção de LGN proveniente do gás natural. A diferença entre o preço médio dos líquidos e o preço do gás natural é conhecida no mercado como “spread”. Durante períodos de forte consumo industrial, o spread se eleva justificando e incentivando a comercialização separada dos líquidos. Conforme o processamento de LGN cresce, a oferta de líquidos, principalmente de etano, aumenta reduzindo o spread até o ponto no qual torna-se mais rentável comercializar o etano junto ao gás natural por meio do processo conhecido como “rejeição de etano”. A não separação do etano do metano aumenta o volume físico do gás natural comercializado reduzindo a produção tanto de metano quanto de LGN. Conforme a oferta decresce, aumenta-se a pressão sobre os preços dos líquidos causando um incremento sobre o spread o que estimula novamente o aumento do processamento de LGN.

Nos últimos 2 anos, o elevado preço do LGN desempenhou um importante papel na Indústria de gás natural norte-americana. Com preços do gás natural seco[2] oscilando entre 2 e 4 dólares o milhão de BTU, os produtores norte-americanos começaram a migrar para áreas onde eles pudessem produzir tanto gás natural seco quanto LGN. Estima-se que os líquidos de gás natural possam representar até 50% do valor de alguns reservatórios. (...) O texto continua no Blog Infopetro.

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