A reportagem não deve sanar dúvidas, e sim instigá-las

O objetivo da profissão jornalismo é transmitir da melhor forma possível uma mensagem. Partindo desse ponto, se conclui que a matéria dos sonhos de qualquer repórter deve explicar com perfeição, ou mais próximo disso.

Outra maneira de descobrir do que é preciso para produzir o melhor dos textos é entender a razão da existência do jornalismo. Primeiro porque a humanidade depende da troca constante de conhecimentos para sua evolução, segundo porque o ato de reportar não se limita apenas a descrever o que se sabe, obrigando a análise sobre os fatos. O repórter tem a função de vigiar as diferentes interações sociais e discussões que dizem respeito à existência, logo tem papel fundamental na regulação das ações do homem. É possível concluir que a profissão foi criada para ajudar o ser a se tornar mais livre, mais igualitário e mais fraterno. De que forma seria o contrário?

Assim, a matéria dos meus sonhos não depende exatamente do assunto, mas da forma como serei capaz de abordar o tema. A matéria dos meus sonhos deverá ter a qualidade de transmitir de forma clara a mensagem. Não pretendo, de maneira alguma, sanar todas as dúvidas, mas instigar no leitor a curiosidade para que seja constante nele a necessidade de ampliar seus horizontes.

Por trás desses desejos existe a intenção de cativar leitores. E o desejo de qualquer escritor, seja daquele que trata a realidade, ou do que trata de romances, é ter um número significativo de público. Até porque, como pontuou Antonio Olinto, o texto jornalístico pode atingir a sensibilidade humana como qualquer forma de arte. O importante é colocar na aparente gratuidade das notícias um sentimento capaz de permanência, “uma mensagem que consiga atingir o ponto em que todos os homens se unem, a essência humana das pessoas, onde o tempo não tem presença”.

*Antonio Olinto é jornalista e ocupa a 8ª cadeia na Academia Brasileira de Letras.

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Comentário de Liu Sai Yam em 10 setembro 2009 às 1:07
Antonio Olinto é um dos que certa seriedade àquela academia.
Esquecido pela modernidade atras de novidades.
Escritor velha guarda, poeta, conciso e poético.
Bela lembrança.

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