A SAGA DO CARNAVAL (IV): CORSO, SERPENTINAS, CONFETES E LANÇA-PERFUME



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No ano de 1907 aconteceram mudanças estruturais no carnaval do Rio de Janeiro. Com a abertura da Avenida Central, que tirou da Rua do Ouvidor a primazia das lojas elegantes, da 'promenade' das madames e dos desfiles dos préstitos, o carnaval passou a ter um novo espaço e nele um novo acontecimento, o Corso.




O início dessa nova atividade carnavalesca tem dia e hora conhecidos. No dia 1º de fevereiro de 1907, às 17 horas as filhas de Afonso Pena, então presidente da República, acompanhadas pelo secretário da presidência Eduardo Veiga, atravessaram a avenida em carro aberto, indo para o prédio da Comissão Fiscal das Obras do Porto, de onde a família presidencial assistia o povo se divertir.

Estimulados pelo exemplo que vinha de cima, outras famílias em seus carros, e ainda não haviam muitos no Rio, fizeram o mesmo percurso jogando entre si não mais os abjetos produtos do entrudo, mas sim as novidades que eram serpentinas, confetes e o revolucionário lança-perfume.
(Haroldo Costa).




As Serpentinas já eram velhas conhecidas dos cariocas. Chamadas ‘fitas serpentinas’, consta que foram inventadas por um comerciante francês para uma bailarina chamada Loie Fuller, que teria inventado a ‘dança da serpentina’ num cabaré parisiense.

Os Confetes, por sua vez, tinham prestígio na festa desde o final do século XIX. Haviam casas que comercializavam artigos de carnaval que em 1896 já importavam mais de cem mil sacas.

Um ano mais tarde surgiu o confete de ouro, muito mais caro, mas fazendo um baita sucesso tremendo entre os galanteadores de plantão. Atirar um punhado de confetes dourados sobre a cabeça de uma mulher era um gesto cheio de intenções. E que às vezes dava certo.

Conta-se que, durante o ano inteiro, famílias pobres se dedicavam a corta-los com tesoura, e eram vendidos durante o carnaval. Quando um comerciante parisiense viu por acaso aqueles papéis recortados e alegria que proporcionavam, imaginou logo fabricá-los em escala industrial.
(Haroldo Costa).




O Lança-Perfume apareceu no carnaval de 1906, tendo seu auge no ano seguinte. Herdeiro das bisnagas dos tempos do entrudo, fez a delícia dos foliões. A polícia chegou a proibir seu uso várias vezes, mas em vão, tal como acontecera com o entrudo. Em 1965, o Presidente Jânio Quadros, por decreto assinado em 22 de fevereiro, proíbe a venda e uso do Lança-Perfume. (Haroldo Costa)

Passados tantos anos os foliões adeptos do lança-perfume, continuam dando um jeitinho de adquirir o produto, muitos, via internet.


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Fonte:
- 100 Anos de Carnaval no Rio de Janeiro, de Haroldo Costa. - São Paulo: Irmãos Vitale, 2001.

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