A SAGA DO CARNAVAL (VI): CLUBES/SOCIEDADES



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Consenso geral entre os historiadores acerca do primeiro clube, logo chamado de sociedade, surgido no Rio de Janeiro. Foi o Congresso das Sumidades Carnavalescas, que desfilou com 80 sócios no carnaval de 1855.




Entre eles estava o escritor José de Alencar, então com 25 anos de idade, carnavalesco convicto como se pode perceber na crônica que ele escreveu para a Gazeta Mercantil e publicada no dia 14 de janeiro daquele ano:



"Muitas coisa se prepararam este ano para os três dias de Carnaval. Uma sociedade criada no ano passado e com já perto de oitenta sócios, todos pessoas de boa companhia, deve fazer no domingo a sua grande promenade pelas ruas da cidade.


Na tarde de segunda-feira, em vez do passeio pelas ruas da cidade, os máscaras se reunirão no Passeio Público e aí passarão a tarde como se passa uma tarde de carnaval na Itália, distribuindo flores, confetes e intrigando conhecidos e amigos".





A rapaziada das Sumidades um dia se desentenderam e fizeram dois clubes: a Euterpe Comercial e os Zuavos Carnavalescos.

As cisões continuaram, surgindo os Tenentes do Diabo e os Infantes do Diabo, chegando depois os Fenianos e o Congresso dos Fenianos, e um pouco antes a sociedade Democráticos Carnavalescos.

No primeiro carnaval do século XX só os Fenianos e Democráticos desfilaram. Eles eram conhecidos como Gatos e Carapicus. Querem saber por que?

O numeroso grupo de gatos que existia na sede dos Fenianos fez com que o pessoal dos Democráticos desse o apelido. Por sua vez os Fenianos apelidaram seus detratores de carapicus, que é uma espécie de sardinha que gato adora saborear.

Grupo de travestis "As Marrequinhas" no Clube dos Democráticos, 1913


Fenianos no carnaval de 1923.


Democráticos - Carro de crítica (s/d )

Segundo Haroldo Costa, as grandes sociedades sempre privilegiaram muita mulher bonita e crítica política , e assim foi até o seu desaparecimento na década de 90, quando deixaram de desfilar. Uma morte anunciada a partir dos anos 50, no mesmo momento que as Escolas de Samba começaram a impor seu prestígio e importância no carnaval carioca.

As grandes sociedades, sem dúvida, no início do século XX, foram de suma importância para a sedimentação do carnaval.


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Fonte: 100 Anos de Carnaval no Rio de Janeiro, de Haroldo Costa. - São Paulo: Irmãos Vitale, 2001.

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