A SAGA DO CARNAVAL (XIV): A CANÇÃO CARNAVALESCA


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Segundo Sérgio Cabral, no século XIX, havia carnaval, mas a história não registrou, até 1899, nenhuma canção feita especialmente para o carnaval. “Foi assim até esse ano, quando a compositora Chiquinha Gonzaga, aceitando encomenda do cordão Rosa de Ouro compôs “Ó, abre alas” – considerada não só a primeira canção brasileira feita especialmente para o carnaval como a mais antiga marcha-rancho de que se tem notícia.

 

Timidamente outros autores foram surgindo. No carnaval de 1904 os foliões cantaram a polca “Rato, rato”, de Casemiro Rocha e Claudino Costa.



O que passou a ser identificado como típica música carnavalesca começou a surgir em 1916, quando o cantor Baiano gravou “Pelo telefone”, de Donga e Mauro de Almeida





Um samba e duas marchas de 1930 marcaram o início da melhor fase da música carnavalesca, que teve seu auge nos anos 30, 40 e 50.

Na Pavuna”, de Almirante e Candoca de Anunciação.



Dá nela”, de Ary Barroso.




Taí”, de Joubert de Carvalho.



Com o passar do tempo o número de gravações de sambas e marchas teve um aumento substancial. Na década de 1950, foram lançadas em discos mais de 1.500 músicas carnavalescas por ano, o que, segundo Sérgio Cabral, não deixa de contribuir para a compreensão da decadência e da morte desse tipo de música.
Os compositores que há mais de 20 anos faziam o povo cantar seus belos sambas e marchas foram aos poucos abandonando o carnaval.
Quem resistiu firme, nessa trincheira, foi João de Barro, o Braguinha.




Inúmeras músicas lançadas nas décadas citadas permaneceram para sempre. Ontem mesmo fomos a um baile carnavalesco onde cantamos e dançamos ao som dos inesquecíveis sambas e marchinhas.


"Lata d'água na cabeça", de Luis Antônio / Jota Júnior, com Marlene, discos Continemtal, 1952.



"Mamãe eu quero", de Vicente Paiva e Jararaca, com Carmen Miranda



"Bandeira Branca", de Max Nunes e Laércio Alves



Salvador e Recife são hoje pólos importantes no lançamento de músicas carnavalescas para todo o país.

Salvador inventou o trio elétrico e seus artistas, compositores e cantores, preparam-se anualmente para lançar não só músicas como ritmos e novas danças. Já no Recife o frevo reina, mas há espaços para as novidades.

O certo é que essas duas cidades mobilizam multidões incalculáveis somados aos turistas brasileiros e estrangeiros.

No Rio de janeiro, hoje, a música já não é mais a grande atração do carnaval mais sim o espetáculo das Escolas de Samba.


Fonte:
- A Música de Carnaval, de Sérgio Cabral. In: Raízes Musicais do Brasil – Rio de Janeiro: Sesc Rio, 2005.

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