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"A super produção" e a "saia-justa", por Celso Marcondes

''Aécio presidente!"

05/03/2010 13:17:21

Celso Marcondes

A super produção montada pelo mineiro causou saia-justa para os tucanos

Desse jeito, Lula vai poder se licenciar do governo e tirar umas férias, descansar e pescar no seu sítio em São Bernardo, pois o que se viu nesta quinta 4, em Belo Horizonte, já beira o surrealismo. Senão, vejamos.

Cria-se durante a semana uma expectativa enorme para o encontro entre José Serra e Aécio Neves que ocorreria na véspera do maior evento do governo mineiro, a inauguração de sua “Brasília”, a Cidade Administrativa. O mínimo que se podia esperar era que o evento fosse aproveitado para a criação de um belo fato político que pudesse gerar um sopro de otimismo no ninho tucano, ainda atônito com os resultados das últimas pesquisas eleitorais.

Porém, o máximo que se produziu foi uma declaração do governador paulista dizendo que “não descartava a hipótese de sair candidato à presidência” e mais uma declaração enfática do governador mineiro dizendo que não sairá candidato a vice.

Pior que isso, foram os gritos insistentes de parte do público: “Aécio presidente, Aécio presidente!”. Constrangimento geral. A super produção que foi montada pelo mineiro com cara de lançamento de nome da terrinha para presidente, virou saia-justa, pois não deu tempo de combinar com a plateia que não seria de bom tom botar pressão naquele momento.

Ou seja, a semana termina pior do que começou para o PSDB. Seu candidato não assume, Aécio declara que “Minas é sua pátria”. Não há vice definido, nem candidato declarado. Não se cria fato novo para ajudar a reverter a tendência em curso.

Mas as más notícias não terminariam por aí. Quer mais complicação? Na mesma quinta-feira, o STF não deixou que saísse da jaula o governador José Roberto Arruda, do grande aliado DEM, e a Câmera Legislativa do DF aprovou a abertura do processo de impeachment contra o próprio.

A incompetência tucana está tão grande, mas tão grande que até os editoriais dos grandes jornais e os articulistas claramente simpáticos a Serra perderam a paciência. Isso sim é uma fato novo.

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Comentário de Oswaldo Conti-Bosso em 7 março 2010 às 11:49



A estratégia do "avanço para não cair mais" do PSDB paulista é sintomático da sinuca de bico em que está os caciques tucanos e toda a oposição:

Da FOLHA SP:

PSDB tenta impedir queda de Serra em SP
Partido convoca força-tarefa para deter desgaste do governador paulista em sua base eleitoral e impedir avanço petista

Tucano participou ontem da Festa da Uva, em Caxias do Sul; ele falou com eleitores e teve de desfilar ao lado da governadora Yeda Crusius

Gilberto Marques/Governo do Estado de SP

O governador José Serra em evento; PSDB-SP monta força-tarefa para fazê-lo superar Dilma em até 4 milhões de votos

DA REPORTAGEM LOCAL

O PSDB de São Paulo convocou uma força-tarefa com a missão de estancar a queda do potencial candidato do partido à Presidência, José Serra, e ampliar sua vantagem sobre a petista Dilma Rousseff no Estado. O grupo -composto por 47 coordenadores regionais- terá sua primeira reunião amanhã.
Segundo o presidente do diretório paulista, Mendes Thame, a intenção é "definir uma estratégia de ação para o buraco negro que vai de 2 de abril até junho". Mas não é só: o partido quer unificar o discurso de combate à candidatura Dilma.
De acordo com textos que já estão sendo discutidos pelo partido, o PSDB deverá explorar medidas propostas pelo PT -como controle de conteúdo de TV e proibição de símbolos religiosos em repartições públicas- para falar em ameaça às liberdades individuais.
Outro argumento será o de que, desconhecida, Dilma será refém de petistas como o ex-ministro José Dirceu.
Segundo Thame, a coordenação de campanha no Estado tem como meta garantir que Serra vença as eleições em São Paulo com diferença superior à obtida pelo ex-governador Geraldo Alckmin contra Lula em 2006: um milhão de votos. Os tucanos sonham com uma margem de 4 milhões de votos.
Com a tarefa de evitar a queda de Serra, o PSDB de São Paulo decidiu antecipar, para o fim deste mês, as inserções na TV que seriam em junho.
No último Datafolha, o tucano caiu de 41% para 38% na Região Sudeste, enquanto Dilma subiu de 19% para 24%.
Essa mobilização serviria de antídoto para o impacto das enchentes no Estado e para as crises enfrentadas pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), como o anúncio do aumento do IPTU e das tarifas de ônibus e a recente cassação (atualmente suspensa).

Festa da uva
Ontem, Serra encerrou uma semana em que já ensaiou uma agenda de candidato visitando a Festa da Uva, em Caxias do Sul (RS). Aparentando certo constrangimento ao lado da governadora tucana Yeda Crusius, que enfrentou uma CPI por denúncias de corrupção em seu governo, Serra posou para fotos ao lado das Princesas da Uva e conversou com eleitores.
Um militante do PSDB observou que, na campanha, Serra terá de viajar muito. "Claro!", anuiu o tucano.
A uma mulher que se identificou como sua eleitora e perguntou o que ele fará, se eleito presidente, para os deficientes físicos, ele respondeu: "Veja o que eu fiz em São Paulo".
Quando uma jornalista quis saber o que espera do eleitorado gaúcho, Serra disse: "Que continue combativo".
Comentário de Oswaldo Conti-Bosso em 7 março 2010 às 12:01
Da FOLHA SP:

São Paulo, domingo, 07 de março de 2010

JANIO DE FREITAS: Serra contra Serra

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A permanência no governo em nada favoreceu, até agora, a ainda quase admitida candidatura à Presidência
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A PRIMEIRA resposta à expectativa criada pela tática de José Serra, de manter-se por tanto tempo como uma incógnita, não lhe é favorável. O desenrolar das circunstâncias políticas criou-lhe mais embaraços do que as vantagens esperadas por sua permanência, com aparências apáticas, no governo paulista. Nem as ocorrências em seu território de responsabilidades governamentais o pouparam, criando-lhe mais situações de desgaste do que colhendo reflexos eleitorais de seus pequenos eventos administrativos e políticos.
O principal efeito positivo da permanência de Serra no poder falhou de todo: sua exposição, favorecida pela condição de governador, ficou muito aquém do conveniente ao candidato. E, no entanto, era arma de grande importância, talvez fosse mesmo decisiva, para mantê-lo na altitude que as pesquisas lhe davam, enquanto Lula e Dilma Rousseff sairiam pelos caminhos pedregosos à cata de grãos percentuais. Mas não foi a exposição, em si, que falhou, nem, muito menos, jornais e TV que não corresponderam a estímulos. A falha foi do próprio Serra, carente da criação de atrações para câmeras e notícias.
Nisso até chegou ao cúmulo. Nas várias semanas de calamidade fluvial dentro de São Paulo, oportunidade extraordinária -sem se considerar o dever- para juntar-se ao prefeito e demonstrar a capacidade de iniciativa ágil e eficaz esperada de um governante e de um candidato, Serra sumiu. Do ponto de vista da população, não só a paulista, não foi governante nem candidato. E não é preciso falar-se das péssimas notícias que têm vindo da sensível área de educação, de crianças sentadas no chão por falta de cadeiras e mesas à greve de professores.
A permanência no governo em nada favoreceu, até agora, a ainda quase admitida candidatura de José Serra à Presidência. Só lhe permitiu protelar até ao limite a decisão entre ser candidato a presidente ou à reeleição. O que, para uma psicologia hamletiana, seria mesmo o fundamental.
A dinâmica da política poderia trazer compensações para Serra, mas não o fez. Ou só o fará, segundo a opinião dominante, caso Aécio Neves se conforme com a candidatura a vice. A julgar pelo ambiente em Minas a esse respeito, exposto em editorial de "O Estado de Minas" no gênero dos que só saem raramente, a decisão nem cabe mais a Aécio Neves, apenas. Extravasou do âmbito político para o da emocionalidade, com algumas razões coerentes.
Mas nessa historiada de vice cabe outra hipótese: crer que Serra deseje, de fato, a candidatura de Aécio é uma dedução de jornalistas, que a ele transferiram o que se sabe, no máximo, ser desejo de alguns outros peessedebistas. A Aécio não conviria uma vice sem luz própria, para brilho exclusivo de Serra, nem conviria ficar como figura secundária em esperável candidatura de Serra à reeleição presidencial. Serra, por certo, sabe disso, como sabe que a ninguém é conveniente um vice com brilho.
Não sendo Aécio, quem quer que entre como vice de Serra já chega desvalorizado ao lugar, tamanha tem sido a caracterização do governador mineiro, inclusive no PSDB, como indispensável às possibilidades de Serra. É outro, e grave, efeito da tática de Serra de manter-se por tanto tempo como incógnita. E dentre todos os efeitos ainda há o que sobressai aos olhos do eleitorado: a queda forte nas pesquisas contra a subida forte de Dilma Rousseff, já os dois, considerada a margem de erro, em situação de empate técnico.
Se candidato, José Serra terá muito trabalho para reverter os males de sua tática até aqui.
Comentário de Oswaldo Conti-Bosso em 7 março 2010 às 12:07
Da Folha SP
ELIO GASPARI
ACEITA OU DESCE
Na banda do alto tucanato inquieta com o silêncio de José Serra em relação à sua candidatura, admite-se a possibilidade de ele vir a ser confrontado com um ultimato público.
Se o governador quiser disputar, tudo bem. Se não quiser, precisa avisar, porque o PSDB poderá ser surpreendido pelo desinteresse de Aécio Neves de substituir o mestre-sala numa escola de samba atravessada.

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