A Terra não é toda azul # Dodó Macêdo



Nada como prestigiar a prata da casa, e a prata em questão é o nosso colega de Comunidade, Gregório Macedo, ou, para ir direto ao assunto, o seu livro A Terra Não é Toda Azul, publicado pela Editora Halley e com excelente projeto gráfico assinado por Amaral.


Essa bela publicação reune uma seleção de desenhos, picles, charges, máximas e comentários feitos por Dodó -  como o autor é conhecido entre os amigos - para jornais, revistas, suplementos culturais e Salões de Humor. Vale lembrar que entre 1981 e 1991, a convite de Reinaldo Figueiredo, Gregório foi colaborador de O Pasquim e, por algum tempo, participou do Jornal do País, na época em que a página de humor era editada por seu grande ídolo e inspirador, Sérgio Jaguaribe, o Jaguar.


Dizia Charles Chaplin, um gênio consagrado no ofício de fazer rir, que “o humorismo alivia-nos das vicissitudes da vida, ativando nosso senso de proporção e revelando-nos que a seriedade exagerada tende ao absurdo. Creio no riso e nas lágrimas como antídotos para o ódio e o terror.”


Tudo indica que Gregório compartilha a mesma crença e sina. Há muito sabemos que o riso é uma das mais contundentes e corrosivas formas de crítica social, ação política, resistência e afirmação da liberdade de ser, viver, pensar e discordar. Hay que descer o cacete nos absurdos do mundo pero sem perder a leveza e a elegância jamais. Enquanto o oprimido tiver forças para rir e debochar, o opressor sabe que não poderá dormir sossegado o sono dos injustos. A alegria é a prova dos 9, já sacou com precisão o poeta Oswald de Andrade, outro frasista de mão cheia.


Ao longo dessas 3 décadas de criação, esse piauiense arretado não se amofinou diante da iniqüidade, da corrupção e do Poder. A terra não é toda azul porque a miséria, a violência, a injustiça e a desigualdade grassam em suas entranhas e a pena de Gregório não dá trégua, não desiste, não se conforma. Ainda bem. É labuta de artista-cidadão, que faz estética, política  e ética vibrarem na mesma sintonia. 


Aproveito o ensejo para informar que amanhã termina em Teresina a 26ª edição do prestigiado Salão Internacional do Humor do Piauí. A mostra já virou referência e tradição - e das melhores - na área.  É considerada a maior exposição a céu aberto do Brasil, possui várias centenas de trabalhos inscritos e se orgulha, acima de tudo, de ser um evento de massas, com intensa participação popular.

Paralelo ao Salão, Teresina sedia debates, oficinas e atividades artísticas e musicais. Sol na moleira e cultura na veia! Afinal, Teresina é a terra do Torquato, do Gregório, da Laura, e de tantos outros talentos.


É isso aí, Piauí: muito riso e pencas de bananas para o siso. Vai bicho, chover no piquenique dos coronéis do atraso e desafinar o coro dos contentes. Let's play that.


Um brinde de cajuína para todos. Tintim!

Exibições: 107

Comentário de Cafu em 6 julho 2009 às 21:55

A Terra não é toda azul, mas já foi azul e amarela.
:-)
Comentário de Gregório Macedo em 7 julho 2009 às 2:30
Pô, Cafu, você me deixou sem palavras... mas ainda em condições de gritar, a plenos pulmões: viva a amizade! Viva o nepotismo!
Agora, falando mais seriamente ainda: demais!
Beijos.
Comentário de Laura Macedo em 7 julho 2009 às 3:08
Cafu,
Que bela homenagem você fez ao nosso querido Gregório.
O lançamento do livro aconteceu na Casa da Cultura de Teresina, dia 23 de novembro de 2008.
Foi uma noite memorável onde reunimos a nata dos nossos amigos. Rolou muito "chorinho" ao som grupo Trombone & Cia.

Confira algumas fotos para sentir o clima do evento:







Um super beijo.
Comentário de Cafu em 7 julho 2009 às 13:54

Gregório,

"Vou fazendo a louvação
Louvação, louvação
Do que deve ser louvado
Ser louvado, ser louvado
De todos peço atenção
Atenção, atenção
Falo de peito lavado"...

E não é nepotismo, não! Meu Macêdo é com acento. :P
Parabéns pelo livro. Um trabalho de muita qualidade, tanto na forma quanto no conteúdo.
Beijos.

Laurinha,
Casa cheia, heim? Parece ter sido uma festa de arromba. Êba.
Quando procurei no google informações sobre o livro, me deparei com um post seu sobre o chorinho do Piauí e uma ótima foto da família, cercada pelo grupo Trombone & Cia. Só não incluí no texto porque ainda não sei colocar foto de "ladinho". Aproveito agora para completar o álbum.
Beijão.

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