Adeus cimos e vales e veredas,
e bosques e clareiras e campinas
soltas ao vento, sacudindo as crinas
das espigas de sol na luz de seda.
Adeus troncos e copas e alamedas,
esmeraldas selvagens que as neblinas
salpicavam de prata, adeus colinas
que iam subindo como labaredas
de cobalto no ar... Adeus beleza
irrepetível, que me viu nascer
e toca-me deixar: a natureza
também é feita de deixar de ser,
e eu levo agora a sombra e deixo a presa
à luz do provisório amanhecer (*)
ouça aqui, o ator Juca de Oliveira declamar "À TERRA PROVISÓRIA"
http://www.bandnewsfm.com.br/audio/JUCA_0311.mp3
(*) este verso também aparece como: "à inevitável luz do amanhecer." no Blog do escritor Antonio Miranda

BRUNO TOLENTINO
(1940 - 2007)
Nasceu no Rio de Janeiro em 1940. Revelação de autor em 1963 por Anulação e outros reparos. Com o golpe militar de 1964 mudou-se para a Itália a convite de Ungaretti. Na Inglaterra a partir dos anos 70, ensinou nas universidades de Bristol e Essex antes de suceder a W. H. Auden como editor da Oxford Poetry Now. Ainda na Europa publicou Le vrei le Vain (Paris, 1971) e About the Hunt (Oxford, 1979). De volta ao Brasil em 1993, vem reunindo sua obra poética em português com: As horas de Katharina (1994), Os Deuses de hoje (1995), A balada do cárcere (1996), O Mundo como Idéia. São Paulo: Globo S. A., 2002. Recebeu os prêmios Jabuti e Abgar Renault, no centenário da Academia Brasileira de Letras.
Fonte: Blog de Antonio Miranda
http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_brasis/rio_de_janeiro/bruno...
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