Antigamente lá no sertão, a vaca além de “animal sagrado”, como na Índia, era também responsável pelo bem estar da família de pequenos agricultores, pois produzia o leite da criançada, o queijo, a manteiga, o adubo orgânico e o bezerro, que quando adulto poderia se converter em animal de serviço para auxiliar o homem e no final, ao invés de aposentadoria, esbarrava no matadouro encangado com a mãe.

 

Hoje em dia se afirma que criança tem que utilizar apenas o leite materno. Tudo bem. Só que naquela época, em meio as onze, que era a média da prole, tinha pelo menos umas três precisando mamar e aí não havia peito que agüentasse o repuxo, a não ser o da vaquinha, que é responsável também pela maior parte do leite em pó que se compra nas farmácias e as pessoas pensam que aquilo é coisa de laboratório.

 

Interessante que atualmente a vaca virou parâmetro ambientalista, ou seja: para se determinar a “tonalidade verde” de qualquer pessoa, basta pedir sua opinião sobre a vaca e a partir da resposta fazer a sua avaliação.

 

Aquele sujeito destruidor da natureza, que só pensa em churrasco, queijos, um leite gordo e gelado antes de dormir e um pingado pela manhã, uma verdadeira delícia, esse fica feliz só de ouvir falar de gado, principalmente se for algo anunciando a baixa no preço da carne e na sua visão, que elege a mesa como o principal móvel da casa, a vaca é indispensável.

 

Tem também o estudioso e pesquisador, aquele que se especializa, sabe que “carne vermelha” compromete a saúde, além de a pecuária agravar os problemas ambientais, conhece a fundo o assunto e busca soluções e alternativas para os mesmos, porém não é radical, até porque essa palavra não combina com inteligência e ao invés de condenar por condenar, apresenta argumentos sólidos, porém contestáveis e discutíveis em função da paixão. Para esse a imagem da vaca geralmente varia em função da quantidade. Sendo poucas não chegam a comprometer, a partir de cem o sinal amarelo acende e de mil por diante pinta o vermelho do agronegócio.

 

Insuportável mesmo é o “torcedor verde”, o que anda pela cabeça dos outros como piolhos, não procura se inteirar sobre a questão ambiental e acaba fazendo o jogo de muita gente: mantém a conta no “banco ecologicamente correto”, como se isso fosse possível e é radicalmente contra tudo aquilo que se produz no espaço onde um dia existiu uma árvore. Carne e leite só de soja, como se essa leguminosa não fosse o principal produto do agronegócio, que ele simplesmente abomina. Na sua visão a vaca é uma droga e o dono um contraventor.

 

Em todo caso, se você faz parte daquele grupo que vai ao supermercado ou a feira de produtos orgânicos e se abastece com alguma coisa que tenha sua origem no campo, para saciar suas necessidades alimentares, não veja a vaca como uma vilã e sim como mais uma  alternativa para que a humanidade possa seguir o seu caminho enquanto a vida for possível no Planeta Terra. A vaca e toda cadeia de produção alimentar tem um ônus com a mãe natureza e isso tudo acontece para que seja possível nossa permanência por aqui.   

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