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Lançado pela SINTER em 1955, este é um LP antológico e importante para pesquisadores e admiradores da Música Popular Brasileira. O texto da contracapa é do jornalista e musicólogo carioca Lucio Rangel. Um dos maiores defensores da música brasileira, Lucio foi editor da Revista da Música Popular tendo como colaboradores grandes nomes da literatura ou da pesquisa musical no Brasil. A belíssima capa é do desenhista e caricaturista LAN.


Lado A

1 - Que perigo – Choro (Pixinguinha)
2 - Patrão prenda seu gado - Partido Alto (João da Bahiana - Pixinguinha - Donga)

3 - Coralina – Choro (arranjo de Pixinguinha)

4 - Nosso Ranchinho – Samba (Donga - J. Cascata)


Lado B

1 - Honória – Choro (Galdino Barreto - arranjo Pixinguinha)
2 - Essa nêga qué me dá – Samba (Caninha) / Me leve, me leve seu Raphael - Samba (Caninha)

3 - Flor do abacate – Choro (Alvaro Sandi - arranjo de Pixinguinha)







Foto contracapa


"No presente long playing estão reunidas algumas das peças mais características da música popular carioca, executadas por um grupo de autênticos e consagrados “Chorões” (que atualmente se exibem na “Boite” CASABLANCA” no show denominado “O SAMBA NASCE NO CORAÇÃO”) tendo à frente as figuras popularíssimas de Alfredo Rocha Viana (Pixinguinha), Ernesto dos Santos (Donga), e João Machado Guedes (João da Baiana). Os dois primeiros fizeram parte do conjunto Os Oito Batutas, que excursionou à Europa, em 1922, mostrando pela primeira vez as nossas músicas e os nossos ritmos a um público que não lhes regateou aplausos. Mais tarde, em 1930, juntamente com João da Baiana, Pixinguinha e Donga formaram o Grupo da Velha Guarda, responsável por mais de uma centena de gravações até hoje lembradas pelo público discófilo.


Pixinguinha, compositor, orquestrador e instrumentista consagrado, é por muitos apontado como o maior música popular do Brasil. Sua presença frente a um conjunto é garantia de qualidade e de êxito certo. Tocando atualmente saxofone-tenor, é soberbo nos arranjos para pequenos conjuntos e em orquestrações para grupos numerosos. Suas harmonizações são admiráveis e o andamento que imprime aos diversos números é sempre o adequado e o legitmo. Donga, autor de peças de grande sucesso, é o responsável pelo primeiro samba gravado em disco, o histórico Pelo Telefone, aparecido em 1917. Extraordinário violonista, o ponteado que executa em peças como Patrão olha seu gado, podemos dizer sem errar só ele faz. João da Baiana, mestre do ritmo, quer no pandeiro, quer no prato-e-faca, é absoluto. Também compositor, é especialista nos corimas e em outras modalidades afro-brasileiras.


A essas três grandes figuras juntaram-se para a confecção deste disco ainda outros instrumentistas e cantores de primeira ordem: Alfredinho, solista do choro Que Perigo!, com mais de setenta anos de idade, é ainda um virtuose em seu instrumento, o flautim, de poucos recursos, mas defendido por ele com extraordinário brilho. Bide, flautista, apresenta-se como solista em Honória choro com arranjos de Pixinguinha. É o mais jovem do grupo, mas pelas características que apresenta, um verdadeiro “Chorão” à moda antiga. Os violonistas Rubem, Mirinho e Lentini e o cavaquinho de Waldemar muito concorrem para fazer desta gravação um dos pontos altos da discografia da música brasileira. A seção rítmica, chefiada por João da Baiana, apresenta pandeiro, prato-e-faca, ganzá e surdo, pelos melhores especialistas.


Dois cantores emprestam seu concurso ao disco. Almirante, nome que dispensa qualquer apresentação, figura das mais populares do rádio brasileiro, profundo conhecedor do nosso populário, grande cantor em seu tempo, interpreta os dois sambas do veterano Caninha – Esta Nêga qué me dá e Me leve seu Rafael, e o partido-alto Patrão, prenda seu gado, de maneira impecável, como só ele poderia fazê-lo. A participação de Almirante neste long-playing é homenagem desinteressada que o cantor presta a Pixinguinha e seus companheiros.


Como cantor da toada Nosso Ranchinho, vamos encontrar, pela primeira vez como vocalista, outro compositor consagrado, o autor de Lábios que eu beijei, Lágrimas de Homem, e muitas outras peças de sucesso – J. Cascata. É uma agradável surpresa a atuação do conhecido autor, desta vez como cantor dos melhores.


Resta-nos indicar a maneira pela qual foram realizadas as Sete faixas deste LP. Em uma só sessão, que durou cerca de quatro horas e meia, do dia 11 de Julho de 1955, o disco ficou pronto. Apenas uma “passagem”, as indicações de Pixinguinhaa, Donga e João da Baiana, e o disco era gravado. Nenhuma orquestração escrita foi feita. Os músicos foram deixados à vontade, tocando como costumam tocar em seus choros e suas festas suburbanas, não faltando mesmo a “branquinha” inspiradora. Temos assim um verdadeiro registro de músicas tradicionais, interpretadas por músicos legítimos, pelos azes da “Velha Guarda”, e com uma espontaneidade e um frescor só conseguido graças à circunstâncias felizes que permitiram sua realização."


Lucio Rangel (1955)



*******

Fonte: LP disponível no Loronix

Exibições: 832

Comentário de Gilberto Cruvinel em 25 junho 2010 às 13:01
Helô,

Quando a gente pensa que já viu preciosidades nesta sua página, você aparece com uma maior ainda. Nossa! Nunca pensei que teria acesso a tamanho tesouro! Os mestres todos
"tocando como costumam tocar em seus choros e suas festas suburbanas, não faltando mesmo a “branquinha” inspiradora" Que maravilha!

A capa é uma obra de arte e a foto da contracapa então, com todos ali.
E o texto de Lucio Rangel? que delícia ler expressões como "long playing", "público discófilo" ha ha ha ha ha, de que baú saiu isso Helô?
Tive que ir ao dicionário para aprender o que são corimas (jongo)

Um presentasso para todos nós, Helô
Beijo
Gilberto
Comentário de Sérgio Troncoso em 26 junho 2010 às 15:31
Putz Helô, como a música brasileira é vasta! Como sempre... Dez!
Beijão.
Comentário de Roseli Hercilia Denes Andrade em 28 junho 2010 às 14:04
Você, a Laura e a Cafu são demais!! Bj
Comentário de Helô em 1 julho 2010 às 11:44
Gilberto, Sérgio e Roseli
A riqueza da nossa música é infinita! E essas preciosidades precisam ser compartilhadas. Muito bem observada a pergunta do Gilberto, "de que baú saiu isso". Por mera distração, deixei de colocar a fonte do long playing :)) e o faço agora. Esse eu encontrei no melhor site de música popular brasileira que eu conheço: o Loronix.
Beijos a todos.
Comentário de Elianne Diz- Laura Diz em 6 julho 2010 às 12:20
Helô, tudo bem? andosumida por motivos pessoais.
Veja isto, repasse: Sete coisas que não imaginávamos ver por causa de 140 caracteres
aqui: http://raquelcamargo.com/blog/
Bj Laura_Diz
Comentário de Pagu em 25 julho 2010 às 2:31
Olá Helô,que música deliciosa.
bjs Pagu
Comentário de guilherme jabur cardoso em 20 setembro 2010 às 11:17
meu tio comprou o disco na epoca e la estavam os oito musicos entre eles pixinguinha que é uma universidade de pos graduação em talento musical. ele e os outros autografaram o disco. eu mostro esse disco no meu canal no you tube de reportagens musicais vejam a reportagem no CANAL JABUR64 ou vao no google e digite PIXINGUINHA RELIQUEA aparecerá os dois videos do disco principal e com autografo do pixinguinha. tem mais na hora que estava mostrando os beatles e pink floyd nao foram os primeiros a fazer faixas interligadas, nesse disco acontece isso, reparem... abraços a todos guilherme jabur.

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