A Versatilidade do Compositor Centenário Dorival Caymmi

 

Para homenagear o Centenário de Dorival Caymmi vamos destacar sua versatilidade de compositor em dois momentos de sua carreira: Caymmi e o mar da Bahia e Caymmi e o Rio de Janeiro.

 

 

 

 

 

Nascido em Salvador (BA), em 30 de abril de 1914, cercado de mar por todos os lados, Dorival Caymmi mesmo sem saber nadar, apaixonou-se por ele e deixou que ele invadisse sua alma de poeta.

 

 

Uma das suas primeiras composições foi - “O mar” -, gravada por ele mesmo em 1940.

 

 

 

 

O mar (I)” (Dorival Caymmi) # Dorival Caymmi e Orquestra Radamés Gnattali. Disco Columbia (55.247-A) / Matriz (328). Gravação (07/11/1940) / Lançamento (dezembro/1940).

 

 

 

O mar (II)” (Dorival Caymmi) # Dorival Caymmi e Orquestra Radamés Gnattali. Disco Columbia (55.247-B) / Matriz (329). Gravação (07/11/1940) / Lançamento (dezembro/1940).

 

 

 

 

Em 1954, Caymmi lança seu primeiro LP - “Canções praieiras” - contendo oito músicas versando sobre sua relação com o mar, inventando, praticamente, um novo gênero musical. Uma delas é “Pescaria” conhecida como “Canoeiro”.

 

 

 

 

Pescaria/Canoeiro” (Dorival Caymmi) # Dorival Caymmi. LP Canções Praieiras, 1954.

 

 

 

 

 

 

 

 

A maioria das canções praieiras de Dorival Caymmi foi elaborada na década de 1940, quando ele já estava morando no Rio de Janeiro (chegou em 1938). A mudança para o Rio não apagou as lembranças do mar da Bahia, muito pelo contrário, elas atuavam como uma excelente motivação para compor, cantar e encantar a beleza, o amor e a vida do mar.

 

 

 

Em 1957 lança novo disco totalmente dedicado a temática - “Caymmi e o mar”. Nesse disco consta a suíte “História de pescadores”, duração de 15 minutos, com “Canção da Partida”, “Adeus da Esposa”, “Temporal”, “Cantiga de Noiva”, “Velório val” e “Na manhã seguinte”.

 

 

 

 

 

 

 

 

Virou folclore que Caymmi levava muito tempo para colocar o “ponto final” numa canção. É o caso de “Sargaço mar” - uma bela composição que só veio à tona em 1984, vinte anos depois de iniciada.

 

 

 

 

Sargaço mar” (Dorival Caymmi) # Dorival Caymmi.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O disco acima na íntegra.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O disco acima na íntegra.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A adaptação de Dorival Caymmi a Cidade Maravilhosa foi rápida e engendrou um tipo muito próprio de samba canção. Um samba mais urbano, sem os pescadores das canções praieiras, prevalecendo o romantismo. Um desses sambas foi - “Nunca mais”. Tinha a cara das boates de Copacabana, considerado o bairro chique da época.

 

 

 

 

Nunca mais” (Dorival Caymmi) # Ângela Maria (voz) / Mão de Vaca (guitarra), 1958.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O marco deste Caymmi carioca é o disco “Sambas” (1955). Além de “Nunca mais” o disco trás outras composições no mesmo estilo, a exemplo de “Sábado em Copacabana” que virou um hino do bairro. Vamos ouvir a gravação antológica com Lúcio Alves.

 

 

 

 

Sábado em Copacabana” (Dorival Caymmi/Carlos Guinle) # Lúcio Alves acompanhado por Vero [Radamés Gnattali]. Disco Continental (16.480-A) / Matriz (2711). Gravação (22/08/1951) / Lançamento (outubro/1951).

 

 

 

 

 

 

 

 

Parceiro oficial na canção acima - Carlos Guinle -, era herdeiro de um sobrenome da alta sociedade carioca. O Guinle entrou na parceria mais com o uísque e a amizade do que compondo com Dorival. A mesma situação aconteceu com “Não tem solução”, que o próprio Caymmi lançou em 1952.

 

 

 

 

Não tem solução” (Dorival Caymmi/Carlos Guinle) # Dorival Caymmi (voz) / Luiz Arruda Paes (Arranjo/Coro/Orquestração), 1955.

 

 

 

 

 

 

 

 

Esta fase dos “sambas” foi muito produtiva e rendeu, aproximadamente, uns quarenta sambas. A princípio parece pouco, mas considerando a obra total de Caymmi (pouco mais de 120 músicas) incluindo algumas que estão inéditas até hoje, o que ele fez foi "pouco",mas bem feito.

 

 

 

O João Gilberto na virada dos anos 1950/1960 elegeu alguns desses sambas cariocas, como “Rosa Morena” e “Doralice”.

 

 

 

 

Rosa Morena” (Dorival Caymmi) # João Gilberto.

 

 

 

 

 

 

 

 

Doralice” (Dorival Caymmi/Antônio Almeida) # Anjos do Inferno. Disco Victor (800329-A) / Matriz (S-07826). Gravação (10/08/1945) / Lançamento (outubro/1945).


 

 

 

 

 

 

 

 

 

Um bom exemplo da permanência, nos dias atuais, das composições urbanas de Dorival Caymmi é “Só louco”, um clássico da nossa Música Popular Brasileira.

 

 

 

 

Só louco” (Dorival Caymmi) # Dorival Caymmi. Heineken Concerts / Palace São Paulo /Abril/1996.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Dorival Caymmi trilhou seu caminho com a naturalidade de quem anda pela praia. Suas pegadas não sumiram com as brisas e/ou tempestades. Elas permaneceram para sempre na memória do povo brasileiro. Viva o Centenário de Dorival Caymmi!

 

 

 

 

 

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Fontes:

- Dicionário Cravo Albin da MPB.

- IMS (Instituto Moreira Salles).

- Site YuoTube (Vídeos).

- Site Discos do Brasil.

- Site #Radinha (Áudios).

 

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Comentário de Laura Macedo em 6 maio 2014 às 2:51

Este post foi destaque no Jornal GGN /Luis Nassif.

Confiram os comentários aqui.

Grata a todos que enriqueceram o post com seus comentários. Viva Dorival Caymmi!

Abraços.

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