A Vibração Etílica de Radamés Gnattali

ATUALIZAÇÃO
vide atualização no final do post



Na história recente do Choro um episódio ocorrido(?) na casa de Jacob do Bandolim tem sido relatado, com certa fraquência, em livros, encarte de disco, programa de TV, depoimentos à pesquisadores...

O resumo da história é o seguinte: em 1959, um grupo de chorões de Recife - PE, formado por João Dias, compositor e marido da violonista Dona Ceça, o violonista Zé do Carmo e sua esposa, o bandolinista Rossini Ferreira e o violonista Canhoto da Paraíba, acatando honroso convite de Jacob para participarem dos famosos Saraus, em sua casa, no bairro de Jacarepaguá (RJ), aventuraram-se, por seis dias, em um "Jeep Willys", da capital pernambucana à cidade maravilhosa. O tormento da precária malha viária da época (?) foi superado diante da calorosa recepção que tiveram.

Imaginem o que rolou de Roda de Choro e histórias pitorescas, nesses Saraus, com a integração da turma de pernambuco e os artistas cariocas.

Uma dessas histórias virou lenda. Conta-se que o entusiasmo do maestro Radamés Gnattali ao ver/ouvir o Canhoto da Paraíba tocar foi tão grande a ponto de jogar o copo de cerveja no teto da sala de Jacob e este por sua vez nunca permitiu que, na renovação da pintura, a mancha fosse apagada.

Segundo o cavaquinista Henrique Cazes, autor do excelente livro, "Choro: do quintal ao municipal.3ª ed. São Paulo: Ed 34, 2005,( e que também é membro da nossa Comunidade, mas até onde sei, ainda não se comunicou com ninguém), que conviveu e tocou com o maestro, afirma que Radamés nega o episódio." Oh rapaz, você já me viu jogando cerveja pro alto? quem foi o filho da (*) que inventou essa história? Isso é uma esculhambação".

Já o próprio Canhoto, em depoimento a Myrian Taubkin e outros pesquisadores, em 13/06/1989, publicado no livro "Violões do Brasil", diz: "O Radamés se interessou muito por um choro meu, "Lembrança que ficou". Ficou entusiasmado mesmo, até jogou o copo prá cima".

História, lenda ou ficção? Se a história é verídica, por que um dos protagonistas a nega com veemência? Se é lenda é porque a história real foi deformada pela imaginação popular e/ou poética, nesse caso a partir de quais elementos? Se é ficção supõe-se que ela nunca existiu de fato.
E você, o que acha?

ATUALIZAÇÃO (15/04/2012)

O vilonista Henrique Annes e o escritor Uraraiano Motta, ambos pernambucanos, esclareceram a polêmica. Confiram, AQUI.

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Comentário de luzete em 15 agosto 2008 às 12:16
Laura, vcs tiram cada coisa do baú. E vou te dizer: eu acho que é verdade! qualquer um jogaria a cerveja prô alto ao ouvir o canhoto. e se não joga bom sujeito não é...
nossa, vindo aqui até aprendi que quem toca cavaquinho é... é... deixa eu voltar ao teu texto... é cavaquinista... eu hein!

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