Joan Miró.the Village Prades. 1917.

"Uma vila de localização imprecisa, largada em algum lugar, para lá de não sei onde, pertinho de lugar algum"

Poucos já haviam, algum vez na vida, ouvido falar daquele lugar. Uma vila de localização imprecisa, largada em algum lugar, para lá de não sei onde, pertinho de lugar algum.

Fossem interrogados, muitos diziam, já com aquele ar de altivez que só a arrogância mal-disfarçada consegue produzir, ser algo improvável que uma vila como aquela não fosse apenas cenário de algum sonho sem pé nem cabeça ou então de algum filme incomum, misto de ficção com realismo fantástico.

O caso é que a mencionada vila insistia em existir. Ninguém pessoalmente já havia encontrado alguém que nela tivesse nascido e se criado, apesar de existirem boatos, todos eles de mal-dissimulada relutância, invariavelmente atribuídos a conhecidos de amigos, que conversaram diretamente com nativos daquelas terras de existência suspeita.

Por mais improvável que pudessem parecer, volta e meia, sem por quê nem por onde, novos boatos apareciam sem nenhum alarde ou propaganda, quase que envergonhados pelo disparate com que soavam tais histórias.

Assim, fadada estava como sempre esteve aquela vila, em algum lugar, para lá de não sei onde, pertinho de lugar algum.

Publicado em:
O RIO DE MEMÓRIAS,

O LUGAR ONDE AS MEMÓRIAS SE ESCONDEM...


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Comentário de Marise Lopes em 2 junho 2010 às 11:48
Gostei do conto, é de sua autoria?
Comentário de Gustavo Ferreira em 2 junho 2010 às 13:06
É sim Marise. Que bom que gostou! Abs

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