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Ademar Casé - Pioneirismo no Rádio Brasileiro


Ademar Casé (1902-1993)

 

 

Ademar Casé, imigrante pernambucano, que foi tentar a vida e a sorte na antiga capital federal, Rio de Janeiro, nos anos 1920, não imaginava que caberia a ele a visão futurista do rádio brasileiro, quando vislumbrou as possibilidades comerciais desse novo veículo de comunicação.

Com pouco estudo, sem ter sido cantor, compositor, locutor, ator ou músico, mas com experiência em vendas (terrenos), criou um plano inédito para comercializar rádios produzidos pela Philips.

O plano era o seguinte: primeiro selecionava pelo catálogo residências que possuíam telefone – então um símbolo de status -, enchia o carro de receptores e visitava vários endereços, em hora de trabalho do chefe da família, deixando “em confiança” um aparelho que seria recolhido alguns dias depois. No retorno, a compra era quase sempre garantida.

“E assim eu vendi tanto aparelho de rádio que acabei sendo apresentado ao Dr. Augusto Vitorino Borges” [um dos diretores da rádio Philips e também um dos primeiros locutores da história do rádio no Brasil]. (Depoimento gravado, 30 set 1973).

Casé propôs à Philips o aluguel da estação objetivando por em prática algo menos convencional do que era ofertado pelas emissoras cariocas, embora não tivesse clareza como fazer.



Domingo, 14 de fevereiro de 1932. Dr. Augusto “abre a chave do microfone” e anuncia, com voz empostada: “A Rádio Philips do Brasil, PRAX, vai começar a irradiar o Programa Casé”.

O nome foi improvisado na hora pelo citado locutor, criando naquele momento a marca mais famosa da radiofonia brasileira.

Um dos fatores determinantes para o sucesso de Ademar Casé foi à aprovação de um decreto-lei liberando a publicidade no rádio. Seu talento comercial era sem limites.

Certa vez sem saber qual era o produto de um laboratório paulista, Casé, já de contrato fechado, descobriu tratar-se do “Manon Purgativo”. Não podendo perder a excelente verba, jogou a bomba nas mãos do compositor Nássara, que perpetuou este texto antológico.


“Um casal de noivos brigou. E ele, arrependido, quis fazer as pazes e se aconselhou com a sogra, pois a noiva estava irredutível. Sugerido um presente, comprou-lhe jóia caríssima. Não fez efeito. Deu-lhe um casaco de peles. Não fez efeito. Então lembrou-se de dar a ela um vidro de Manon Purgativo... Ahhh! Fez efeito!!! Manan Purgativo, à venda em centenas de farmácias e drogarias”.

 

 

Outro fator determinante de sucesso foi eleger o samba e os sambistas esteios do programa, formando um cast com nomes que ficariam na história na MPB.




Convidado por Casé para ser contra-regra do programa, Noel Rosa teve a inspiração de homenagear com música um dos anunciantes, a popular loja O Dragão, conhecida como “a fera da rua Larga”.


De intensa presença na mídia impressa, a loja O Dragão foi das primeiras a perceber a penetração do Rádio nas camadas populares, anunciando no Programa Casé.

Noel propôs à cantora Marília Batista o desafio de improvisarem versos sobre O Dragão e suas utilidades domésticas no samba “De Babado”, tema de João Mina retrabalhado por Noel.

Versos promocionais registrados no livro de Rafael Casé, sobre seu avô.



Noel Rosa:

No dia que fores minha
Juro por Deus, coração.
Te darei uma cozinha
Que vi ali no Dragão.


Marília Batista:

Morros do Pinto e Favela
São musas do violão.
Louça, cristal e panela
Só se compra no Dragão.


Trajetória do Programa Casé

- Rádio Philips
- Rádio Sociedade
- Rádio Transmissora
- Rádio Ipanema
- Rádio Mayrink Veiga


O Programa Casé como atração da Mayrink Veiga.



Ainda faz parte da trajetória de Ademar Casé a Rádio Globo (ex- Transmissora), e a Tupi, último pouso do programa, em 1951, quase 20 anos após a estreia.


Ademar Casé. Fotografia de 1978.

 

 


O Rádio brasileiro deve muito ao pioneirismo de Ademar Casé: a partir dele o rádio nunca mais foi o mesmo. Criou, inventou, inovou. Foi um pioneiro e merece o resgate de sua trajetória relatada no documentário, “Programa Casé – O que a gente não inventa, não existe”.

 

 



Produzido e dirigido por Estevão Ciavatta (foto ao lado), marido da atriz Regina Casé, neta de Ademar, demorou dez anos para concluir seu primeiro longa-metragem, um trabalho longe de polêmicas e carinhoso com o biografado.
No documentário, paralelamente, traça-se um histórico dos primórdios do rádio no Brasil desde a década de 20 até a chegada da TV nos anos 50.







Trailer do Documentário

 

 

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Fontes:

- História do Samba. Rio de Janeiro: Globo, 1997-1998. Quinzenal. 40 fasc. 41 CDs.
- Rádio Nacional: o Brasil em sintonia, de Luiz Carlos Saroldi e Sônia Virgínia Moreira. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2005.

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Exibições: 705

Tags: ademar casé

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