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Adoniran Barbosa, 100 anos - parte VI
O Fino da Bossa, Aguenta a Mão João, Samba Italiano,
Tocar na Banda, O Casamento do Moacir, Já Fui uma Brasa, Vila Esperança
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No programa, Adoniran conta a história da música “Bom Dia Tristeza” para Elis Regina que o acompanha na canção:
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Elis: Eu sei, mas muita gente não sabe, que você foi parceiro por correspondência de um dos maiores nomes da música brasileira, não só da música moderna, mas da música brasileira em todos os tempos. Agora eu queria saber como é que aconteceu isso. Como é que você se tornou parceiro de Vinícius de Moraes sem sequer conhecê-lo?
Adoniran: Fácil, é fácil, fácil. A Aracy de Almeida, que é muito amiga dele, ele tava em Paris nessa ocasião, na Unesco e ela recebeu uma carta dele e dentro da carta veio assim essa letra, dois versinhos e [ele] dizia embaixo "Aracy, faça o que você quiser com esses versos."
Elis: Então a Aracy pegou e deu prá você.
Adoniran: Então eu tava pertinho dela, não é? e ela era ligação minha, não é? [risos] ela disse "Ô Adoniran, bota a música aí."
Elis: Quer dizer que a letra é de Vinícius de Moraes e a melodia é que é que é sua.
Adoniran: A letra é de Vinícius e a musiquinha é minha. Cê conhece?
Elis: Eu conheço. Você pode mostrar prá gente?
Adoniran: Posso, eu dou a saída e você embala depois, tá? (6)
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O segmento terminou com Adoniran interpretando seu “Trem das Onze” , para delírio da audiência.” (2)
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Elis Regina recebe Adoniran Barbosa no programa Fino da Bossa, 12/07/1965
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[falado]
Gioconda, piccina mia,
Va brincare nel mare nel fondo,
Ma atencione co el tubarone, ouvisto?
ai capito meu San Benedito.
Piove, piove
Fa tempo que piove qua, Gigi
E io, sempre io
Sotto la tua finestra
E voi senza me sentire
Ridere, ridere, ridere,
Di questo infelice qui
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Ti ricordi, Gioconda
Di quella sera in Guarujá
Quando el mare ti portava via
E me chiamasti
Aiuto, Marcello!
La tua Gioconda há paura di quest´onda
"Adoniran cunhou uma hilária mis-em-scène, com influências que remontam até a ópera La Bohème de Puccini – o verso “Aiuto, Marcello!” foi apropriado de uma das falas da costureira Mimi." (2)
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Tocar na Banda
prá ganhar o que?
Duas mariolas
e um cigarro Yolanda
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Num relógio é quatro e vinte,
no outro é quatro e meia.
É que dum relógio prá outro,
as hora vareia.
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Marquei com a minha nega às cinco,
cheguei às cinco e quarenta.
Esperar mais de vinte minutos
Quem é que aguenta?
Tocar na banda com Adoniran Barbosa
Samba de Adoniran Barbosa, Odeon, gravação de 1975
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“O Casamento do Moacir”
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“ Entre 1966 e 1 967, o compositor ainda registraria “O Casamento do Moacir” (parceria com Osvaldo Moles), “Chá de cadeira” (com Jucata), “Plac-ti-plac” (como Peteleco, nome de seu cão, em parceria com Waldemar Camargo), “Nunca mais faço Carnaval” e “Já fui uma brasa”, talvez a mais sintomática dessa safra. Escrita a quatro mãos com o produtor e diretor da TV Record Marcos César, a canção era um desabafo ao relativo abandono que o artista - e aí não só Adoniran, mas a maioria dos sambistas das antigas - estava relegado, quando comparado à turma arrasa-quarteirão da bossa nova e da Jovem Guarada. " (2)
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O Casamento do Moacir com Adoniran Barobsa e Quarteto Talismã
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Já Fui um Brasa com Adoniran Barbosa
Samba de Adoniran Barbosa, Odeon, gravação de 1974 (5)
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“Em abril de 1966, em um novo programa da TV Record, conduzido por Solano Ribeiro, Alberto Helena Jr e Luiz Vergueiro, (...) a produção reuniu ninguém menos do que Adoniram Barbosa, Paulo Vanzolini e Chico Buarque para soltar o verbo sobre o tema que corria nas veias da trinca: o samba. Um dos entrevistadores cutucou Adoniran, que não se intimidou:
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Pergunta: O iê-iê-iê bem que pode jogar o samba a escanteio, Adoniran. Bem que pode. O samba é bem capaz de sumir com tanto cabeludo mandando brasa por aí. Mora!
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Adoniran Barbosa, 100 anos
Parte I: O nascimento , o rádio-ator e comediante, o ator de cinema
Parte II: Malvina, Saudosa Maloca e Samba do Arnesto
Parte III: As Mariposas, Abrigo de Vagabundo , Iracema
Parte IV: Um Samba no Bixiga, Apaga o fogo mané, Quem Bate sou eu, Bom Dia Tristeza
Parte V: Tiro ao Álvaro, Prova de Carinho, Trem das Onze
Parte VI: Fino da Bossa, Aguenta a Mão João, Samba Italiano, Tocar na Banda, O Casamento do Moacir, Já Fui uma Brasa, Vila Esperança
Parte VII: Despejo na Favela, Nóis viemo aqui prá que?, Acende o Candieiro, Fica mais um pouco amor, Viaduto Santa Efigênia
Parte VIII: Primeiro e Segundos LPs, Elis e Adoniran, os 70 anos
Final: Silêncio
À medida que novas partes forem acrescentadas sobre outros aspectos de Adoniran Barbosa, os links serão aqui incluídos.
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Fontes:
(1) Calado, Carlos – 7 Adoniran Barbosa – Coleção Folha Raízes da MÚSICA POPULAR BRASILEIRA, 2010 - Editora MEDIAfashion
(2) Campos Jr, Celso de – Adoniran, Uma Biografia – 2009 – Editora Globo
(3) Rossi, Fred - Anotações com Arte 2010 – Adoniran Barbosa, 2009/2010 - Editora Anotações com Arte Ltda
(4) Blog de Maria Helena Rubinato – Especial Adoniran Centenário – 1910-2010 (http://oglobo.globo.com/pais/noblat/mariahelena/default.asp?a=818)
(5) Site do Instituto Moreira Sales – Acervos de Humberto Franceschi e José Ramos Tinhorão
(6) transcrição do CD Adoniran Barbosa - Documento Inédito (Gravadora Eldorado) e
Adoniran fala sobre Bom dia, tristeza - por fliberal@uol.com.br - Qua 15 Ago 2001
Site Samba-Choro (http://www.samba-choro.com.br/s-c/tribuna/samba-choro.0108/0844.html)
(7) Lima, Dulcilei da Conceição - bacharel em História pela USP - "Adoniran Barbosa - a voz da cidade" (http://www.klepsidra.net/klepsidra24/adoniranbarbosa.htm)
Comentário de Laura Macedo em 11 agosto 2010 às 20:52 Comentar
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