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Adoniran Barbosa, 100 anos
Parte II - Malvina, Saudosa Maloca, Samba do Arnesto
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Adoniran Barbosa, o compositor e cantor
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Após as primeiras gravações em 1936, Adoniran só voltaria a compor em 1945, satisfeito com a popularidade que conquistara seu trabalho no rádio.
Neste ano compôs os sambas “Grande Bahia”, com Avaré e “Asa Negra” com Hélio Sindô, que não tiveram grande repercussão.
Só em 1951, após perder o parceiro Osvaldo Moles para uma rádio concorrente, viu na música a chance de aumentar suas oportunidades profissionais.
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“Saudosa Maloca” passou em branco
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Nesta música, “uma surpresa. Em vez de investir nos temas carnvalescos ou de dor de cotovelo que permeavam a maioria de suas músicas, Adoniran abordou um assunto inexplorado em seu repertório.”
“Inspirado no relato de dois carregadores de feira que conhecia e que ajudavam sua esposa Matilde a transportar as compras até a porta do prédio do casal, na rua Aurora,” (2) Adoniran narra em primeira pessoa a história de Mato Grosso e Joça, amigos depejados de um cortiço prestes a ser demolido para dar lugar a um novo edifício. Para aumentar o impacto da história, descreve a pequena tragédia reproduzindo o linguajar simplório dos personagens. (1)
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Essa obra prima do samba paulista, ao ser lançada por Adoniran em julho de 1951, passou em branco pelo público.
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É interesante notar que nesta primeira interpretação do compositor, existem algumas diferenças na letra em relação à versão que se consagraria depois com os Demônios da Garoa (na gravação de 1955) e que seria depois adotada pelo próprio compositor:
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no lugar de “mas um dia nóis nem pode se alembrá”,
Adoniram cantava “mas um dia nem quero me lembrar”,
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no lugar de “veio os home com as ferramenta”,
Adoniram cantava “chegou os home com as ferramenta”;
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no lugar de “apreciá a demolição”,
Adoniram cantava “espiá a demolição”
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”Malvina” e um novo conjunto vocal: Demônios da Garoa
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Em 1952, “Malvina”, outro samba de Adoniran, foi lançada por um jovem conjunto vocal com o qual o compositor costumava se encontrar no auditório da Rádio Record: os Demônios da Garoa.
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O Grupo Demônios da Garoa nasceu em São Paulo em 1943 com o nome Grupo do Luar.
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Integrantes - (agora e no passado) - Cláudio Rosa, Oswaldo da Cuíca, Toninho, Arnaldo Rosa, Antônio Gomes Neto, Artur Bernardo, Ventura Ramirez, Ivan Pires Augusto, Francisco Paulo Galo, Sérgio Rosa, Roberto Barbosa e Simbad.
" O Adoniran não fazia os câs, câs, culans, os balaiolá, os din din donde, não fazida pás carin gum dum,
os pães, pães, pães, os quais, quais, quais. O Adoniran fazia a música pelada. A gente punha calça, camisa e cueca na música. " Grupo Demônios da Garoa
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Programa Mosaicos - A Arte de Adoniran Barbosa
O começo da parceria Adoniran e Demônios da Garoa
depoimentos de Adoniran, Paulo Vanzolini e Zuza Homem de Mello
Sambas: "Zum Zum Zum" "Deus Te Abençoe" "Mulher Patrão E Cachaça"
"O Casamento Do Moacir" "Abrigo De Vagabundo"
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“ Graças a boa vendagem do disco, “Malvina” , defendida pelos Demônios da Garoa, ganhou o concurso de músicas do Carnaval Paulistano de 1952. Começava assim a parceria entre Adoniran Barbosa e os Demônios que duraria por décadas. Hoje é bem difícil dissociar Demônios da Garoa de Adoniran Barbosa.” (1)
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"Samba do Arnesto", uma decepção
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“ No mesmo ano de 1952, Adoniran compôs com o amigo Nicola Caporrino, técnico de som da gravadora Continental, outro clássico de sua obra: “Samba do Arnesto”. Na letra, Adoniram retoma o português iletrado de “Saudosa Maloca”
Conta a ida a uma sessão de samba na casa de um amigo, no bairro do Brás, mas por não encontra-lo, volta “cuma baita dum réiva.” Adoniram achava o samba por ser mais leve e engraçado que “Saudosa Maloca” tinha mais chances de vendas. Insistiu com a Continental, gravou com o conceituado violonista Antonio Rago e seu conjunto, o samba foi lançado no Carnaval de 1953, mas o disco foi uma decepção de vendas.” (1)
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”Joga a Chave”
O samba “Joga a Chave” (parceria com Oswaldo França) , lançado neste mesmo ano pelos Demônios da Garoa, também ganhou o concurso de músicas do Carnaval paulista, repetindo o sucesso de “Malvina”.
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“Joga a Chave” com Demônios da Garoa
Samba de Adoniran Barbosa/Osvaldo França, Elite especial, gravação 1952 (5)
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“Saudosa Maloca” e ”Samba do Arnesto” estouram
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Em 1955, recém-contratado pela Rádio Nacional de São Paulo, “o quinteto faria o chão do prédio da rua Sebastião Pereira tremer de verdade. Em uma saleta próxima ao auditório, Arnaldo, Cláudio, Artur, Toninho e Paulinho matavam o tempo até chegasse a hora de sua apresentação no Programa Manoel de Nóbrega sucesso da emissora transmitido diariamente das 12 às 14 horas. Entre uma piada de português e uma dengosa com limão, os Demônios começaram a brincar com o samba fracassado três anos antes na voz de Adoniran, realizando uma ou outra intervenção na letra original e incorporando um tom anedótico na improvisada interpretação. Manoel da Nóbrega ouviu, gostou e mandou preparar a música para o programa daquele dia” . A platéia gostou tanto que “Só naquele dia, tivemos de cantar umas quatro ou cinco vezes. Pegou fogo” relembra Toninho.(2)
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A repercussão foi tanta que a Odeon decidiu gravar “Saudosa Maloca” com os Demônios. “Só faltava uma música inédita para entrar no lado B do disco. Malandro com de hábito, ao ser consultado, Adoniran se fez de sonso e cantarolou “Samba do Arnesto”, o “Inédito” smaba que gravara três anos antes pela Continental. Como o diretor da Odeon não o ouvira ainda, nem os Demônios se lembravam da gravação de Adoniram (se é que não foram cúmplices silenciosos ao perceber o esperto golpe do parceiro), a sugestão foi aceita na hora.” (2)
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“Samba do Arnesto” com Demônios da Garoa
Samba de Adoniran Barbosa, Odeon, gravação de 1955 (5)
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“O sucesso de “Saudosa Maloca” e “Samba do Arnesto” foi tamanho que repercutiu até mesmo no Rio de Janeiro – algo raro em se tratando de um samba paulista. Graças ao que recebeu por essas gravações, Adoniran conseguiu comprar a chácara onde viveu até seus últimos dias, no bairro de Cidade Ademar, zona sul de São Paulo. Vale lembrar que apesar da impressão deixada por seus diversos sambas que retratam bairros e locais da cidade, ele nunca chegou a morar no Jaçanã, nem no lendário bairro do Bixiga.” (1)
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***** FINAL DA PARTE II *****
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Adoniran Barbosa, 100 anos
Parte I: O nascimento , o rádio-ator e comediante, o ator de cinema
Parte II: Malvina, Saudosa Maloca e Samba do Arnesto
Parte III: As Mariposas, Abrigo de Vagabundo , Iracema
Parte IV: Um Samba no Bixiga, Apaga o fogo mané, Quem Bate sou eu, Bom Dia Tristeza
Parte V: Tiro ao Álvaro, Prova de Carinho, Trem das Onze
Parte VI: Fino da Bossa, Aguenta a Mão João, Samba Italiano, Tocar na Banda, O Casamento do Moacir, Já Fui uma Brasa, Vila Esperança
Parte VII: Despejo na Favela, Nóis viemo aqui prá que?, Acende o Candieiro, Fica mais um pouco amor, Viaduto Santa Efigênia
Parte VIII: Primeiro e Segundos LPs, Elis e Adoniran, os 70 anos
Final: Silêncio
À medida que novas partes forem acrescentadas sobre outros aspectos de Adoniran Barbosa, os links serão aqui incluídos.
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Fontes:
(1) Calado, Carlos – 7 Adoniran Barbosa – Coleção Folha Raízes da MÚSICA POPULAR BRASILEIRA, 2010 - Editora MEDIAfashion
(2) Campos Jr, Celso de – Adoniran, Uma Biografia – 2009 – Editora Globo
(3) Rossi, Fred - Anotações com Arte 2010 – Adoniran Barbosa, 2009/2010 - Editora Anotações com Arte Ltda
(4) Blog de Maria Helena Rubinato – Especial Adoniran Centenário – 1910-2010 (http://oglobo.globo.com/pais/noblat/mariahelena/default.asp?a=818)
(5) Site do Instituto Moreira Sales – Acervos de Humberto Franceschi e José Ramos Tinhorão
(6) transcrição do CD Adoniran Barbosa - Documento Inédito (Gravadora Eldorado) e
Adoniran fala sobre Bom dia, tristeza - por fliberal@uol.com.br - Qua 15 Ago 2001
Site Samba-Choro (http://www.samba-choro.com.br/s-c/tribuna/samba-choro.0108/0844.html)
(7) Lima, Dulcilei da Conceição - bacharel em História pela USP - "Adoniran Barbosa - a voz da cidade" (http://www.klepsidra.net/klepsidra24/adoniranbarbosa.htm)
Comentário de Laura Macedo em 6 agosto 2010 às 18:07 
Comentário de Helô em 7 agosto 2010 às 0:09 Comentar
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