Adoniran Barbosa, 100 anos - parte I

O nascimento, O rádio-ator e comediante, O ator de cinema

Adoniran Barbosa é um grande compositor e poeta popular, expressivo como poucos; mas não é Adoniran, nem Barbosa, e sim João Rubinato, que adotou o nome de um amigo funcionário do Correio e a soberania de um compositor admirado. A idéia é excelente, porque um artista inventa antes de mais nada a sua própria personalidade; e porque, ao fazer isto, ele exprimiu a realidade tão paulista do italiano recoberto pela terra e do brasileiro de raízes européias. Adoniran Barbosa é um paulista de cerne que exprime a sua terra com a força da imaginação alimentada pelas heranças necessárias de fora.
Já tenho lido que ele usa uma língua misturada de italiano e português. Não concordo. Da mistura, que é o sal da terra, Adoniran colheu a flor e produziu uma obra radicalmente brasileira, em que as melhores cadências do samba e da canção, alimentadas inclusive pelo terreno fértil das Escolas, se aliaram com naturalidade às deformações normais do português brasileiro, onde Ernesto vira Arnesto, em cuja casa nós fumo e não encontremo ninguém, exatamente como por todo esse país. Em São Paulo, hoje, o italiano está na filigrana.
A fidelidade à música e à fala do povo permitiram a Adoniran exprimir a sua idade de modo completo e perfeito. São Paulo muda muito, e ninguém é capaz de dizer aonde irá. Mas a cidade que nossa geração conheceu (Adoniran é de 1910) foi a que se sobrepôs à velha cidadezinha caipira, entre 1900 e 1950; e que desde então vem cedendo lugar a uma outra, transformada em vasta aglomeração de gente vinda de toda a parte.
A nossa cidade, que substituiu a São Paulo estudantil e provinciana, foi a dos mestres-de-obra italianos e portugueses, dos arquitetos de inspiração neo-clássica, floral e neo-colonial, em camadas sucessivas. São Paulo dos palacetes franco-libaneses do Ipiranga, das vilas uniformes do Brás, das casas meio francesas do Higienópolis, da salada da Avenida Paulista. São Paulo da 25 de março, dos sinos, da Caetano Pinto dos espanhóis, das Rapaziadas do Brás, – na qual se apurou um novo modo cantante de falar português, como língua geral na convergência dos dialetos peninsulares e do baixo-contínuo vernáculo. Esta cidade que está acabando, que já acabou com a garoa, os bondes, o trem da Cantareira, o Triângulo, as cantinas do Bixiga, Adoniran não a deixará acabar, porque graças a ele ela ficará misturada vivamente com a nova mas, como o quarto do poeta, também, “intacta, boiando no ar”.
A sua poesia e a sua música são ao mesmo tempo brasileiras em geral e paulistanas em particular. Sobretudo quando entram (quase sempre discretamente) as indicações de lugar, para nos porem no Alto da Mooca, na Casa Verde, na Avenida São João, na 23 de Maio, no Brás genérico, no recente metrô, no antes remoto Jaçanã. Quando não há esta indicação, a lembrança de outras composições, a atmosfera lírica cheia de espaço é a de Adoniran, nos fazem sentir por onde se perdeu Inês ou onde o desastrado Papai Noel da chaminé estreita foi comprar Bala Mistura: nalgum lugar de São Paulo. Sem falar que o único poema em italiano deste disco nos põe no seu âmago, sem necessidade de localização.
Com os seus firmes 65 anos de magro, Adoniran é o homem da São Paulo de entre as duas guerras, se prolongando na que surgiu como jibóia fuliginosa dos vales e morros, para devorá-la. Lírico e sarcástico, malicioso e logo emocionado, com o encanto insinuante de sua voz anti-rouca, o chapeuzinho de aba quebrada sobre a permanência do laço de borboleta dos outros tempos, ele é a voz da Cidade. Talvez a borboleta seja mágica; talvez seja a mariposa que senta no prato da lâmpada e se transforma na carne noturna das mulheres perdidas. Talvez João Rubinato não exista, porque quem existe é o mágico Adoniran Barbosa, vindo dos carreadores de café para inventar no plano da arte a permanência de sua cidade e depois fugir, com ela e conosco, para a terra da poesia, ao apito fantasmal do trenzinho perdido da cantareira.

Antônio Cândido de Mello e Souza é professor emérito da Faculdade de Filosofia da USP e um de nossos maiores críticos literários. Nascido no Rio de Janeiro, vivendo em São Paulo, escreveu o texto para figurar na contracapa do primeiro LP de Adoniran, lançado em 1976. (Odeon).


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Como a praça [da Sé] que lhe mereceu versos eternos, Adoniran foi a confluência das mais variadas culturas que compuseram essa metrópole em permanente mutação e dos mais significativos tipos que por ela transitaram, dos anos 1930 aos 1980: os imigrantes italianos, espanhóis e portugueses do Brás e do Bixiga, o judeu da José Paulino, o turco da 25 de Março (que nunca foi turco, mas sírio ou libanês), o crioulo da rua Direita, da Barra Funda, da Casa Verde ou da Vila Ré, o caipira, o nordestino e o japonês da Liberdade, enfim, esse caleidoscópio de etnias, culturas, falas e jeitos que constroem e reconstroem a cidade sem parar.”

O jornalista Alberto Helena Jr compara sua obra justamente à Praça da Sé, onde se localiza o “marco zero” da capital paulista.


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Além de decalcar nas letras de seus sambas a pronúncia italianada e o linguajar caipira de tipos populares da São Paulo de sua época, Adoniran também fez desta cidade um personagem constante em sua obra musical. Retratou bairros e locais menos nobres da metrópole paulistana, em composições como “Vila Esperança”, “No Morro da Casa Verde” ou “Rua dos Gusmões”, assim como imortalizou alguns cartões de visita da cidade, em “Samba no Bixiga” e “Praça da Sé”, entre outros sambas.
Carlos Calado, jornalista

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O nascimento de João Rubinato

No dia 06 de agosto, um sábado, dona Augusta Antoniazzi, a única parteira do “districto de Vallinhos", comarca de Campinas, fazia mais uma visita à casa do bairro do Lenheiro. Dessa vez, para ajudar na chegada do sexto rebento do casal que ali vivia: João Rubinato.
... depois dele, Fernando Rubinato e Emma Richini, emigrados da cidade de Cavarzere, no Vêneto Italiano, na última década do século XIX, decidiram fechar a fábrica.
João foi rádio-ator e humorista, ator de cinema e TV, compositor e cantor. Viveu até 23 de novembro de 1982.
(2)

Adoniran: "Eu nasci em 1912, mas para trabalhar depois arranjaram um batistério. Pois é, antigamente era batistério, hoje é atestado de nascimento. Porque na fábrica não aceitavam [empregados nascidos em 1912], então arrumaram um [atestado] de 1910 para eu pegar no basquete logo cedo, entendeu? ".

O biógrafo de Adoniran, Celso de Campos Jr, no entanto, afirma que esse fato não é respaldado pelos livros de registro de Valinhos, que indicam a chegada de João Rubinato em 06 de agosto de 1910, exatamente como constava de sua certidão de nascimento. (2)

Meu pai criou um personagem para si mesmo. De João, virou Adoniran... e aí quis criar também novas biografias: a cada entrevista, uma vida... Fazer o que, ele era assim... O fato é que ele nasceu em 1910, a escadinha de irmãos (eram 6) não deixa margem a dúvidas. Maria Helena Rubinato (4)

Ironicamente, a imagem da Certidão de Nascimento não ajuda a decifrar a data escondida pela dobra do papel.


Certidão de Nascimento de João Rubinato.


De Valinhos, a família se mudou para Jundiaí, cidade onde o menino João trabalhou com o pai no serviço de cargas em vagões. Segundo Carlos Calado, o fato é que João começou a trabalhar cedo, intimado pelo pai. Essa foi a decisão de Fernando , quando não teve mais dúvida de que o filho era um gazeteiro de primeira linha na escola. (1)

Após nova mudança da família para Santo André, passa por diversos empregos: entregador de marmitas, pintor, encanador, serralheiro, todos de origem simples.

Adoniran: Na fábrica, eu era varredor, sabe o que é varredor? Eu varria o salão, era varredor. Então quando não varria direito o corredor, [o chefe] dizia, Joanin Barredor, vem aqui, barrê aqui, barre. Em vez de varrer, dizia “barre”. Em vez de varrer, dizia, “ele não barreu aqui. Barre aqui rapaz” [ri]. Joanin Barredor é o máximo [ri]. É o fim da picada. Tião, Joanin Barredor.


Adoniran: Já nasci já querendo fazer samba. Num tem começo. Cê vê que eu num parava em emprego, num parava em emprego. Eu, balconista, tinha uma freguesa, queria comprar um negócio. Eu dizia, pois não, começava a batucar. O que a senhora quer? (batucando) . Vivia batucando. [O patrão] mandava logo embora, mandava logo embora.


Posteriormente, estas experiências foram inseridas em suas composições ou nas caracterizações de seus personagens. "A rua foi a minha escola", dizia o compositor. (1)

Trabalhando como vendedor de tecidos, em uma loja na rua 25 de março, resolve se arriscar apresentando-se em diversos programas de calouros da época. Sem sucesso.

Na sua primeira tentativa num programa de calouros, "Implacável, o gongo nem deu ao estreante o gostinho de estar ao microfone da rádio relata o biógrafo de Adoniran, Celso de Campos Jr. (2)

Para ser aprovado nos calouros, mais que malandragem, era melhor usar filosofia. Mais precisamente, o samba Filosofia” de Noel Rosa e André Filho. (...) Dessa vez sim.
Recebeu os aplausos dos espectadores do acanhado auditório da PRB-6, Rádio Cruzeiro do Sul, mas só se tranqüilizou quando ouviu o anúncio oficial do locutor Jorge Amaral: João Rubinato fora aprovado. (2)

Adoniran: Foi duro, entrei como calouro, no programa... na Radio Cruzeiro do Sul, do Luis... Costa, ali eu cantava o samba do Noel Rosa, bonito, chamava-se Filosofia

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Adoniran interpreta Filosofia de Noel Rosa e André Filho, Dona Boa e Asa Negra de sua autoria

Programa Ensaio - TV Cultura - 28/11/1972


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O nascimento de Adoniran Barbosa

Após as primeiras apresentações semanais na emissora, mesmo interpretando o samba dos bambas do Rio de Janeiro, Noel Rosa, Sílvio Caldas e Orestes Barbosa, não empolgou a direção – talvez por sua voz não ser das melhores, talvez por começarem a surgir novos talentos no rádio. Acabou dispensado. (2)

Quando o locutor Jorge Amaral, em fins de 1934, se transfere para a Rádio São Paulo, João Rubinato não perdeu a oportunidade e insistiu para que o speaker - termo que se usava na época para designar os locutores de rádio – levasse seu antigo calouro para uma avaliação na nova emissora. (...) Ao final da sessão, Amaral chamou o jovem para junto da mesa de som. Olhando nos olhos de João Rubinato, sentenciou: Sua voz é boa para acompanhar defuntos. E mostrou-lhe a porta." (...)

"Sem outras possibilidades, João Rubinato foi em busca de um bode expiatório para seus fracassos no rádio e encontrou o mais inusitado culpado para aquela situação: o próprio nome. (2)

Adoniran: Onde já se viu um sambista chamado João Rubinato? A culpa só pode ser desse nome macarrônico.

"João criou o pseudônimo (ou heterônimo, na definição de Carlos Calado) buscando nome e sobrenome de duas figuras que admirava na época: “o cantor e compositor carioca Luiz Barbosa (1910-1938), conhecido pela maneira intimista como cantava seus sambas sincopados, recheados de breques e pela utilização pioneira do chapéu de palha como acompanhamento rítmico em programas de rádio e gravações musicais [sobre Luiz Barbosa, clique
aqui para ler post de Laura Macedo] e Adoniran Alves , um funcionário da Empresa de Correios e Telégrafos, que era seu amigo e parceiro de boemia. (1)

Adoniran: Foi assim; o Luis Barbosa, cantor de samba carioca , meu amigo, vinha sempre pra São Paulo e a gente passeava aqui. Adoniran era um rapaz do correio, muito meu amigo também. Aí juntei os dois e ficou assim: Adoniran Barbosa. Meu nome mesmo é João Rubinato. Uso Adoniran desde que comecei cantando. Como ator também. Eu sou mais ator que compositor. Sou mais rádio-ator. Mas faço samba também. Hoje sou mais cantor e compositor. Hoje dá mais resultado. Ator é fogo na butina. Agora estou aposentado tranqüilamente como radialista. Desde 1969. Faz tempo!.(3)

Difícil saber se a mudança de nome ajudou mais do que a lábia de João Rubinato. O fato é que, no início de 1935, Adoniran já tinha conseguido um lugar no elenco de cantores da Rádio São Paulo. Semanas depois , nem ele mesmo acreditou quando viu sua marchinha “Dona Boa”, parceria com o paulista J. Aimberê, sair vitoriosa de um concurso de músicas canavalescas organizado pela prefeitura. (1)

Dona Boa com Raul Torres
Marcha de Adoniran Barbosa e J. Aimberé, Columbia, gravação de 1934 (5)

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Adoniran, sempre autocrítico, não economizava impropérios quando se referia quando se referia à simplória “Dona Boa” (outro traço que o aproxima de Paulo Vanzolini, também muito severo com suas próprias composições)."

Adoniran: Uma porcaria de marcha. Na época era um espetáculo, mas hoje seria uma porcaria”, comentou.
(1)

Adoniran, quando se referia ao início de sua carreira musical, costumava ingnorar as três primeiras gravações que fez em 1936, como cantor e compositor: o samba “Agora Pode Chorar”, a marchinha

“Se meu Balão Não se Queimar” e o samba “Não Me Deu Satisfação” – parcerias com o maestro José Nicolini, lançadas em 78 rotações pela Columbia. (1)


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O Adoniran rádio-ator e comediante

Adoniran: Mas não foi fácil entrar no Rádio, não foi fácil. Eu queria ser cantor, mas não deixaram eu cantar. Eu queria ser humorista porque eu sou engraçado, não deixaram eu ser engraçado. Mas eu insisti, insisti, insisti, acabei entrando como ator cômico na Rádio, no Rádio.

O talento de Adoniran como rádio-ator e comediante foi reconhecido muito antes do jovem compositor, ainda na década de 1930. Começou a se destacar na Rádio São Paulo, com os programas de variedades “Teatro Alegre” e na Rádio Cosmos com “Sossega-Leão. (1)

O sucesso de sua participação no “Teatro Alegre” da Radio São Paulo levou-o a decidir casar-se com a namorada Olga Krum. O casamento durou pouco menos de um ano, mas foi dele que nasceu a única filha de Adoniran: Maria Helena (2).

E com o fim precoce da relação dos pais, ela foi para a casa dos tios (a irmâ mais velha de Adoniran, Ainez Salgado e o cunhado Eurico), no Rio de Janeiro logo aos dois anos de idade.

Mas ele nunca negou a paternidade e não abriu mão do pátrio poder. E eu, nos meus documentos, sou filha de João Rubinato, conforme certidão de nascimento registrada por ele e certidão de batismo. disse Maria Helena Rubinato em entrevista a Douglas Resende no Jornal O Tempo Online de BH.

“ Em 1939, Adoniran firma sua carreira de humor na Rádio Bandeirante como apresentador do programa “Só... Riso”. Disputado pela concorrência passou pela Educadora Paulista, com um programa de música brasileira e retornou à Rádio Cosmos, onde apresentou o Carnaval de 1940 ao lado de Blota Jr.
No ano seguinte, Octávio Gabus Mendes , produtor da Rádio Record, convida Adoniran para participar do humorístico “Serões Domingueiros”. Na Record, Adoniran conheceu Osvaldo Moles, talentoso redator e produtor, com o qual formaria uma dupla perfeita, tanto no rádio, como na música. (1)

Moles, que logo percebeu o potencial do colega para o humor, soube estimular o talento de Adoniran para criar e interpretar tipos populares, como Zé Conversa, do programa “Casa da Sogra”, um negro malandro e falastrão, morador da Barra Funda. Depois vieram o cantor de tango Don Segundo Sombra, o levado moleque Barbosinha Mal Educado da Silva, o imigrante italiano Giuseppe Pernafina, o professor de inglês Richard Morris, o negociante judeu Moisés Rabinovich da Rua José Pausinho e o almofadinha Dr Sinésio Trombone. Todos esses personagens fizeram a delícia dos ouvintes paulistas das décadas de 1940 e 1950." (1)

... o programa “Bangalôs e Malocas” depois rebatizado de “História das Malocas”, foi o veículo perfeito para desenvolver os tipos populares do comediante. No programa, Moles, além de provocar risadas, denunciava com humor temas como a desigualdade, a criminalidade, a corrupção e o preconceito racial. Foi nesse programa que foi criado um dos personagens mais aplaudidos de Adoniran. Morador do morro do Piolho, o crioulo Charutinho fazia de tudo para driblar o trabalho. A namorada Pafunça, interpretada pela comediante Mariamélia, formava com ele um par hilariante. (1)

Adoniran:O melhor escritor do Brasil para escrever chamava-se Osvaldo Moles, já falecido. Ele criou para mim Charutinho, ficou no ar dez anos. Ninguém esquece até hoje.”

Zum zum, zum zum. Um conselho igual a este não se dá pra qualquer um.
Zum zum, zum zum. Um conselho igual a este não se dá pra qualquer um .
Pára na porta do banco pra fingir que tem dinheiro.
Alô dondoca, cuidado, o delegado quer saber que apito que você toca.”

Já viu que é muita coisa engraçada. Também é do Osvaldo Moles. Tudo do Osvaldo Moles, não pensa que é meu, não.

Nóis vai, mas nóis vorta.
Chora na rampa negrão.
Aqui Geralda, né?.
Chora na rampa negrão, vem aqui, o que é que há?

Negrão mesmo que eu fazia. Negrão bão, sabe?”

Toda mulher que aparece, você diz que já foi sua.
Alô dondoca, cuidado, o delegado quer saber que apito que você toca
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A parceria com Moles ainda rendeu os sambas “Mulher Patrão e Cachaça”, “Chora na Rampa” e talvez o maior sucesso da carreira de Adoniran Barbosa: “Tiro ao Álvaro”. (1)

Em meados da década de 1940, Adoniran conhece e se enamora de Mathilde de Lutiis. O sentimento foi recíproco e Adoniram percebeu que a relação poderia ter futuro. Matilde se tornou sua esposa e viveu com ele por mais de 40 anos.

Adoniran Barbosa e Mathilde de Lutiss foram casados por mais de 40 anos

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O Adoniran ator de cinema

A repercussão de seu trabalho no rádio levou Adoniran a realizar um de seus sonhos: ser ator de cinema. Estreou nas telas em 1945, no filme Filmes Pif-Paf, comédia de Luiz de Barros, com produção de Adhemar Gonzaga, como um porteiro e um negociante judeu, o Moisés Rabinovich, personagem trazido do rádio. “ (1)


Outros Filmes do ator Adoniran Barbosa:

- Caídos do Céu, comédia de Luís de Barros, produção de Adhemar Gonzaga, 1946, novamente como o negociante judeu;

- Nadando em Dinheiro, comédia de Abílio Pereira de Almeida e Carlos Thiré, Estúdio Vera Cruz, 1953;

- O Cangaceiro, drama de Lima Barreto, superprodução do Estúdio Vera Cruz, 1953: interpretou o Homem-Arsenal, violento e lacônico cangaceiro. Foi sua primeira atuação dramática nas telas. O filme ganhou o prêmio no Festival Internacional de Cannes, na França, em 1953, o que acabou gerando novos convites para Adoniran atuar.

- Esquina da Ilusão, comédia de Ruggero Jacobbi, Estúdio Vera Cruz, 1953: interpretou um cabelereiro espanhol

- Candinho, de Abílio Pereira de Almeida, 1953: foi o personagem professor Pancrácio Hormizides da Silva, o mais importante de sua carreira. Contracenou com Mazaroppi que fazia o papel principal.


Adoniran Barbosa e Mazaroppi em "Candinho", de Abílio Pereira de Almeida, 1953

- Mulher de Verdade, de Alberto Cavalcanti, roteiro de Miroel Silveira e Osvaldo Moles, 1954: interpretou o boêmio Bigode

- Três Garimpeiros, de Giani Pons, 1954: fez um papel menor.

- Carnaval em Lá Maior, de Adhemar Gonzaga, roteiro de Osvaldo Moles, 1955: novamente o negociante judeu Moisés Rabinovich e elenco de artistas da Radio Record.

- A Carrocinha, de Agostinho Martins Pereira, direção de Abílio Pereira de Almeida, 1955: como um pequeno agricultor volta a contracenar com Mazaroppi.


Adoniran Barbosa e Mazaroppi em "A Carrocinha" de Agostinho Martins Pereira, 1955

Em 1954, teve um convite para ser o protagonista Antonio Conselheiro no filme “Os Sertanejos” de Lima Barreto, baseado no clássico “Os Sertões” de Euclides da Cunha. Mas depois das filmagens serem adiadas, o projeto foi definitivamente cancelado em 1955 devido à quebra da Vera Cruz.

- A Pensão de Dona Stela, comédia de Alfredo Palácios e Ferenc Fekete, 1956;

- Bruma Seca, de Mário Civelli e Mario Brasini, 1960;

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***** FINAL DA PARTE I *****

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Adoniran Barbosa, 100 anos

Parte I: O nascimento , o rádio-ator e comediante, o ator de cinema

Parte II: Malvina, Saudosa Maloca e Samba do Arnesto

Parte III: As Mariposas, Abrigo de Vagabundo , Iracema

Parte IV: Um Samba no Bixiga, Apaga o fogo mané, Quem Bate sou eu, Bom Dia Tristeza

Parte V: Tiro ao Álvaro, Prova de Carinho, Trem das Onze

Parte VI: Fino da Bossa, Aguenta a Mão João, Samba Italiano, Tocar na Banda, O Casamento do Moacir, Já Fui uma Brasa, Vila Esperança

Parte VII: Despejo na Favela, Nóis viemo aqui prá que?, Acende o Candieiro, Fica mais um pouco amor, Viaduto Santa Efigênia

Parte VIII: Primeiro e Segundos LPs, Elis e Adoniran, os 70 anos

Final: Silêncio

À medida que novas partes forem acrescentadas sobre outros aspectos de Adoniran Barbosa, os links serão aqui incluídos.

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Agradecimentos:

À Helô Lima e à Laura Macedo, pelo apoio, por todas as respostas fornecidas desde que este projeto era apenas uma idéia, pelo material sonoro difícil de achar, mas principalmente pela gentileza e pela amizade, raras.

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Fontes:

(1) Calado, Carlos – 7 Adoniran Barbosa – Coleção Folha Raízes da MÚSICA POPULAR BRASILEIRA, 2010 - Editora MEDIAfashion

(2) Campos Jr, Celso de – Adoniran, Uma Biografia – 2009 – Editora Globo

(3) Rossi, Fred - Anotações com Arte 2010 – Adoniran Barbosa, 2009/2010 - Editora Anotações com Arte Ltda

(4) Blog de Maria Helena Rubinato – Especial Adoniran Centenário – 1910-2010 (http://oglobo.globo.com/pais/noblat/mariahelena/default.asp?a=818)

(5) Site do Instituto Moreira Sales – Acervos de Humberto Franceschi e José Ramos Tinhorão

(6) transcrição do CD Adoniran Barbosa - Documento Inédito (Gravadora Eldorado) e

Adoniran fala sobre Bom dia, tristeza - por fliberal@uol.com.br - Qua 15 Ago 2001

Site Samba-Choro (http://www.samba-choro.com.br/s-c/tribuna/samba-choro.0108/0844.html)

(7) Lima, Dulcilei da Conceição - bacharel em História pela USP - "Adoniran Barbosa - a voz da cidade" (http://www.klepsidra.net/klepsidra24/adoniranbarbosa.htm)

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Comentário de luzete em 5 agosto 2010 às 12:03
gilberto,
que belo trabalho.
não li tudinho,ainda não, mas já deu prá confirmar a beleza deste homem, né?

ah, e tô vendo os agradecimentos. sempre elas, né? e ainda faltou a cafu...
Comentário de Laura Macedo em 6 agosto 2010 às 18:01
Gilberto,

Que homenagem fantástica você fez ao Adoniran Barbosa! Não lembro, aqui no Portal, de um post tão completo como esse.
Bacana, Gilberto, é que seu trabalho ficará disponível na internet, infinitamente. Agora entendo sua falta de tempo, até para ler o blog do Nassif :))

Grata pelo link relativo post do Luiz Barbosa e aos agradecimentos, mesmo tendo ajudado tão pouco.

PARABÉNS INFINITOS..., meu querido amigo Gilberto.

Beijos da amiga, Laura.

Algumas fotos ilustrativas.



Comentário de Gilberto Cruvinel em 6 agosto 2010 às 18:26
Luzete,

Obrigado, primeira convidada a chegar à festa do Adoniran.
Você sabe tudo né? Sem elas duas, Helô e Laura, mestras da pesquisa, não dá para ir longe. Elas são muito bacanas, grandes amigas.

Laura, querida,

Adorei as fotos, a primeira eu conhecia, as três de baixo nunca tinha visto. O Jayme Costa, de quem a Bibi Ferreira fala tanto. O Adoniran como cangaceiro, incrível.

Ainda vem mais partes que vou publicar logo logo: Adoniran e Elis no Fino da Bossa em 1965, as homenagens aos 70 anos de Adoniran em 1980, o jeito "errado" do português do Adoniran, o adeus a Adoniran. Muito mais. O material é vasto, não foi possível publicar tudo ainda.

Obrigado pelos comentários generosos
Gilberto
Comentário de Laura Macedo em 6 agosto 2010 às 18:26
Gilberto, encontrei até o "Peteleco", o cachorrinho da Adoniran.

Comentário de Helô em 6 agosto 2010 às 23:12


Gilberto querido
Adoniran, esse paulistano de voz rouca e jeito simples de viver, conquistou a todos com sua magnífica música. Que bacana essa homenagem tão envolvente que você cuidadosamente preparou. É um presente para todos nós do Portal e para a música popular brasileira. E Adoniran merece! Deve estar lá em cima falando: "nóis viemo aqui pra bebê ou pra conversá"? :)) Um brinde ao centenário de Adoniran e outro a você, pelo trabalho tão bonito. Obrigada pela citação, mas nem precisava agradecer, pois o mérito é todo seu.
Agora vou parar de beber e ler os outros capítulos! :))
Beijos.

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