Adoniran Barbosa, 100 anos - parte IV

Um Samba no Bixiga, Apaga o fogo mané, Quem Bate sou eu, Bom Dia Tristeza

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“Um samba no Bixiga”

“Apaga o fogo Mane”

“Quem bate sou eu”

incendiando as vitrolas de 1956

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Ainda em 1956, os Demônios da Garoa incendiariam as vitrolas com “Um Samba no Bixiga”, “Apaga o fogo, Mane” e “Quem bate sou eu”, parceria com o violonista Artur Bernardo , integrante do próprio quinteto. (2)

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"Um Samba no Bixiga" com Demônios da Garoa
Samba de Adoniran Barbosa, Odeon, gravação de 1956
(5)

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“Apaga o fogo Mané” é um dos sambas mais bonitos compostos por Adoniran.

O lirismo é inigualável.

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"Apaga o fogo mané" com Demônios da Garoa
Samba de Adoniran Barbosa, Odeon, gravação de 1956
(5)

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"Apaga o fogo mané" com Adoniran Barbosa
Samba de Adoniran Barbosa, Odeon, gravação de 1974

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“Quem bate sou eu” contava a história do amigo cujo barraco pegou fogo, um enredo trágico que até hoje se repete nas favelas paulistanas.

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"Quem bate sou eu" com Demônios da Garoa
Samba de Adoniran Barbosa, Odeon, gravação de 1956
(5)

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Aracy de Almeida: do subúrbio do Encantado para a Paulicéia

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No início dos anos 1950, os paulistas puderam comemorar uma pequena vitória em sua eterna rivalidade contra os fluminenses. Em uma jogada ousada, a Rádio Record surrupiou do subúrbio carioca do Encantado a maior intérprete de Noel Rosa, verdadeira instituição da tradição musical do Rio de Janeiro: Aracy de Almeida. Desde então, a capital bandeirante passara a ser residência fixa da artista, batizada por César Ladeira com a autoexplicativa alcunha de “O Samba em Pessoa”. (...) “ Na emissora da avenida Miruna, a cantora fora brindada com um programa exclusivo, produzido pelo cientista, boêmio e sambista Paulo Vanzolini. A atração se tornaria numa das lideres de audiência da estação de Paulo Machado de Carvalho. (2)

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“Bom Dia Tristeza”, resposta elegante

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Aracy foi a responsável por promover o maior intercâmbio da história musical entre São Paulo e Rio de Janeiro.” (1)

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Não foi somente com o sucesso de “Saudosa Maloca” e “Samba do Arnesto” que Adoniran colocou em questão o preconceito de muitos cariocas em relação ao samba de São Paulo. Em 1957, ele foi o escolhido por Aracy para musicar os versos de “Bom Dia Tristeza”, um poema inédito que Vinícius de Moraes havia confiado à cantora com a permissão de fazer o que quisesse com eles. (1)

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Em mais uma prova de versatilidade, Adoniran compôs uma notável melodia para a lacônica poética de Vinícius, em um tom que fugia ao estilo regular de seus sambas. Gravado por Aracy de Almeida na Continental em junho de 1957, “Bom Dia Tristeza” arrebatou o público e ganhou novas regravações. No mesmo mês, a Odeon lançou o samba na voz de Mauricy Moura – na opinião de Adoniran, a melhor entre todas as interpretações. Um ano depois foi a vez de a RGE promover o lançamento da canção em uma soberba gravação de Maysa, e de a Copacabana colocar no mercado “Bom Dia Tristeza” na interpretação de Elizeth Cardoso.” (2)

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Sylvia Telles também tem uma gravação de Bom Dia Tristeza feita em 1958.

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O sucesso foi tanto que, mais tarde, Adoniran se daria ao luxo de incluir uma introdução falada no samba – essa, no velho e bom estilo que o consagrara:

Adoniran: "A tristeza é um bichinho que prá roer tá sozinho. E como rói a bandida. Parece rato em queijo parmesão. " (2)

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O sucesso da música foi um tapa com luva de pelica dado por Adoniran em seu parceiro por correspondência. O compositor paulista costumava lembrar que Vinícius de Moraes havia criticado, em um artigo de revista, os erros de português contidos no “Samba do Arnesto”, por ocasião do lançamento da música. Isso antes de Vinícius cunhar a célebre e malfadada expressão: “São Paulo é o túmulo do samba, da qual se penitenciaria publicamente depois. Em vez de rebater as críticas pelos jornais e acender uma polêmica com o intelectual fluminense, Adoniram apenas esperou. E sua resposta ao poderia ter vindo em melhor estilo.

Verdadeiro gentleman, o compositor paulista jamais demonstrou satisfação com o fato de ter feito Vinícius engolir suas palavras.” (2)

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"Bom Dia, Tristeza" com Adoniran Barbosa
Samba de Adoniran Barbosa, Odeon, gravação de 1974
(5)

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Bom Dia, Tristeza com Elizeth Cardoso gravada em 1958

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Bom Dia, Tristeza com Sylvia Telles gravada em 1958

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Bom Dia Tristeza com Maysa gravada em 1959

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Bom Dia, Tristeza com Elizeth Cardoso gravada em 1978

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***** FINAL DA PARTE IV *****

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Adoniran Barbosa, 100 anos

Parte I: O nascimento , o rádio-ator e comediante, o ator de cinema

Parte II: Malvina, Saudosa Maloca e Samba do Arnesto

Parte III: As Mariposas, Abrigo de Vagabundo , Iracema

Parte IV: Um Samba no Bixiga, Apaga o fogo mané, Quem Bate sou eu, Bom Dia Tristeza

Parte V: Tiro ao Álvaro, Prova de Carinho, Trem das Onze

Parte VI: Fino da Bossa, Aguenta a Mão João, Samba Italiano, Tocar na Banda, O Casamento do Moacir, Já Fui uma Brasa, Vila Esperança

Parte VII: Despejo na Favela, Nóis viemo aqui prá que?, Acende o Candieiro, Fica mais um pouco amor, Viaduto Santa Efigênia

Parte VIII: Primeiro e Segundos LPs, Elis e Adoniran, os 70 anos

Final: Silêncio

À medida que novas partes forem acrescentadas sobre outros aspectos de Adoniran Barbosa, os links serão aqui incluídos.

Fontes:

(1) Calado, Carlos – 7 Adoniran Barbosa – Coleção Folha Raízes da MÚSICA POPULAR BRASILEIRA, 2010 - Editora MEDIAfashion

(2) Campos Jr, Celso de – Adoniran, Uma Biografia – 2009 – Editora Globo

(3) Rossi, Fred - Anotações com Arte 2010 – Adoniran Barbosa, 2009/2010 - Editora Anotações com Arte Ltda

(4) Blog de Maria Helena Rubinato – Especial Adoniran Centenário – 1910-2010 (http://oglobo.globo.com/pais/noblat/mariahelena/default.asp?a=818)

(5) Site do Instituto Moreira Sales – Acervos de Humberto Franceschi e José Ramos Tinhorão

(6) transcrição do CD Adoniran Barbosa - Documento Inédito (Gravadora Eldorado) e

Adoniran fala sobre Bom dia, tristeza - por fliberal@uol.com.br - Qua 15 Ago 2001

Site Samba-Choro (http://www.samba-choro.com.br/s-c/tribuna/samba-choro.0108/0844.html)

(7) Lima, Dulcilei da Conceição - bacharel em História pela USP - "Adoniran Barbosa - a voz da cidade" (http://www.klepsidra.net/klepsidra24/adoniranbarbosa.htm)

Exibições: 239

Comentário de Laura Macedo em 6 agosto 2010 às 18:19


Beijos, Gilberto.

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