Adoniran Barbosa, 100 anos - Final

Silêncio

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Em janeiro de 1982, Adoniram sentiu demais a morte da Pimentinha, como Elis era conhecida, e fez questão de marcar presença na programação do Mês Musical Elis Regina, a ser promovido pela Secretaria Municipal da Cultura em março.

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No meio do ano, depois de reclamar de dores intestinais, foi diagnosticado câncer de fígado e de baço. A família não revelou a notícia nem para Adoniran, nem para a imprensa.

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Em agosto, compôs com Lemos do Cavaco, a canção “A Notícia”; pouco depois , no Bar do Alemão, no Sumaré, o sambista registraria sua última peça: “Minha nega” com Carlinhos Vergueiro e Paulinho Boca de Cantor. No mês de setembro ainda estrelou uma propaganda para a concessionária Original Veículos da Volkswagen. Contudo, depois que uma ambulância aportou na rua Cel Francisco Júlio César Alfieri, na noite de 04 de outubro de 1982, não haveria mais tempo para sambas ou trabalhos, nem para passeios ou shows.

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São Paulo podia apagar o fogo. Adoniran Barbosa não voltava mais.

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Por volta das 5 horas do dia 23 de novembro de 1982, Adoniran entrou em coma; às 17h15, no quarto 503, sob os olhares da mulher e da cunhada, parou de respirar.

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No velório do próprio Hospital São Luiz, o primeiro a chegar foi o sambista Geraldo Filme, seguido por Antônio Cândido.

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Integrantes dos Demônios da Garoa e do Talismã uniram-se para tocar “Saudosa Maloca”, “Trem das Onze”, “Samba do Arnesto” e “Iracema”, em pulsante homenagem póstuma ao compositor. O último tributo, porém veio com o toque de silêncio do instrumento do corneteiro-mor da Sociedade dos Veteranos de 32, Elias do Santos, que atendeu um pedido feito por Adoniran alguns meses antes. O compositor contou ter se emocionado com o toque de missão cumprida executado pelo veterano no enterro de Elis e registrou:

Não se esqueça de mim. Mas eu não quero o toque de missão cumprida.

Quero o toque de silêncio." (2)

Silêncio, é madrugada.
No morro da Casa Verde,
a raça dorme em paz.
E lá embaixo,
meus colegas de maloca,
quando começa a sambá não pára mais.

Silêncio!


Valdir, vai buscar o tambor
Laércio, traz o agogô,
que o samba na Casa Verde enfezou!
Silêncio!

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No Morro da Casa Verde,

Samba de 1959

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***** Fim *****

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Adoniran Barbosa, 100 anos

Parte I: O nascimento , o rádio-ator e comediante, o ator de cinema

Parte II: Malvina, Saudosa Maloca e Samba do Arnesto

Parte III: As Mariposas, Abrigo de Vagabundo , Iracema

Parte IV: Um Samba no Bixiga, Apaga o fogo mané, Quem Bate sou eu, Bom Dia Tristeza

Parte V: Tiro ao Álvaro, Prova de Carinho, Trem das Onze

Parte VI: Fino da Bossa, Aguenta a Mão João, Samba Italiano, Tocar na Banda, O Casamento do Moacir, Já Fui uma Brasa, Vila Esperança

Parte VII: Despejo na Favela, Nóis viemo aqui prá que?, Acende o Candieiro, Fica mais um pouco amor, Viaduto Santa Efigênia

Parte VIII: Primeiro e Segundos LPs, Elis e Adoniran, os 70 anos

Final: Silêncio

À medida que novas partes forem acrescentadas sobre outros aspectos de Adoniran Barbosa, os links serão aqui incluídos.

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Fontes:

(1) Calado, Carlos – 7 Adoniran Barbosa – Coleção Folha Raízes da MÚSICA POPULAR BRASILEIRA, 2010 - Editora MEDIAfashion

(2) Campos Jr, Celso de – Adoniran, Uma Biografia – 2009 – Editora Globo

(3) Rossi, Fred - Anotações com Arte 2010 – Adoniran Barbosa, 2009/2010 - Editora Anotações com Arte Ltda

(4) Blog de Maria Helena Rubinato – Especial Adoniran Centenário – 1910-2010 (http://oglobo.globo.com/pais/noblat/mariahelena/default.asp?a=818)

(5) Site do Instituto Moreira Sales – Acervos de Humberto Franceschi e José Ramos Tinhorão

(6) transcrição do CD Adoniran Barbosa - Documento Inédito (Gravadora Eldorado) e

Adoniran fala sobre Bom dia, tristeza - por fliberal@uol.com.br - Qua 15 Ago 2001

Site Samba-Choro (http://www.samba-choro.com.br/s-c/tribuna/samba-choro.0108/0844.html)

(7) Lima, Dulcilei da Conceição - bacharel em História pela USP - "Adoniran Barbosa - a voz da cidade" (http://www.klepsidra.net/klepsidra24/adoniranbarbosa.htm)


Exibições: 145

Comentário de Laura Macedo em 11 agosto 2010 às 22:16
Gilberto,

Acompanhei toda a sua fantástica série em homenagem ao centenário de Adoniran Barbosa e, chegando ao final, quero mais uma vez registrar meu voto de louvor ao seu excelente trabalho. Tenho certeza que ele será referência na internet, para futuras pesquisas.

Adoniran, com certeza, aplaudiu lá do andar de cima e emocionou-se. Confesso que também me emocionei ao chegar ao fim desta viagem...

Parabéns, meu amigo Gilberto.

Comentário de Gilberto Cruvinel em 11 agosto 2010 às 22:26
Obrigado, muito obrigado Laura,

Pelos comentários em todas as partes, as fotos que eu não conhecia e que completaram tão bem cada parte e o vídeo do programa da Bandeirantes.

Devo confessar que, além de ter rido muito com todas as histórias incrivelmente engraçadas e originais desse artista genial, eu também me pequei emocionado muitas vezes ao longo das últimas três semanas, que foi o quanto durou tudo. Aprendi o quanto Adoniran foi grande, grande mesmo em todos os sentidos: no artístico, com um talento fora do comum, no humano, com uma generosidade rara com todos que o cercaram durante a vida. Como eu já comentei com a Helô, chequei ao fim do trabalho, muito, muito feliz.

Obrigado
Beijo
Gilberto

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