agenda pauta convite SATED RIO EM AÇÃO 2014 Homenagem PLÍNIO MARCOS leitura dramatizada O ABAJUR LILÁS

Dia 17 abril ( 5ªf ) 18:30h 

" O ABAJUR LILÁS " de PLÍNIO MARCOS 

Leitura dramatizada direção Delcio Marinho Gonçalves

Elenco Ana ZettelGaby de SaboyaRollo RoquenroloMarcello PanazioAna FelipeNadja Lúcia Bandeira Passos e Marina Azevedo


SATED RJ Presidente JORGE COUTINHO
rua Alcindo Guanabara 17 / 18* andar 
Cinelândia RIO DE JANEIRO ( 21 ) 2220 814 
http://www.satedrj.org.br/

" O ator começa a ficar soberano de seu talento quando ganha consciência de que entra no palco para servir, e não para ser servido "

“ Não faço teatro para o povo, mas faço teatro em favor do povo. Faço teatro para incomodar os que estão sossegados. Só para isso faço teatro.”

" Minhas peças são atuais porque o país não evoluiu "  Plínio Marcos

flash ator MILTON GONÇALVES, secretário geral do SATED RJ e elenco no ensaio 


" o Teatro Resiste: quando a Ditadura proíbe a peça ABAJUR LILÁS, do ex-estivador e dramaturgo comunista PLÍNIO MARCOS, Todos os Teatros da cidade de São Paulo Fecham suas Portas, em Sinal de Protesto " 

" obra toda emana igualmente um canto de piedade e amor de Plínio pelos deserdados, marginalizados, espezinhados "


no ABAJUR LILÁS está um momento de plena maturidade de PLÌNIO MARCOS. A peça apresenta uma conjugação equilibrada de qualidades na dialogação, na elaboração da trama, no desenho dos caracteres, na estrutura da ação. Obra poderosa, concebida como um crescendo de violência desfechado em lances implacáveis, O Abajur Lilás se destaca como realização particularmente bem-acabada na dramaturgia brasileira. O texto foi construído dentro do realismo que se transformou, ao longo dos anos, em marca registrada do autor.


As personagens se tornam tanto mais ferozes quanto mais inevitável fica a constatação do desespero de sua visão. Mais do que qualquer outra peça de Plínio, emana de O Abajur uma carga irresistível de emoção. O embate entre as prostitutas, o homossexual cafetão e seu guarda-costas começa na ironia e assume proporções avassaladoras que incluem a tortura e o assassinato. As personagens agem compulsivamente e a obsessão de sobrevivência ou desafio que as anima confere-lhes a estatura de mitos. Mitos modernos, esquálidos, asquerosos. E da obra toda emana igualmente um canto de piedade e amor de Plínio pelos deserdados, marginalizados, espezinhados

De todas as peças que analisaram a situação brasileira pós-1964, O Abajur Lilás, se distingue certamente como a mais incisiva, dura e violenta. Plínio Marcos fundiu nela, mais do que em outras obras-primas, como Navalha na Carne e Dois Perdidos Numa Noite Suja, talento e ira. A estrutura do Poder ilegítimo está desmontada, para revelar, com meridiana clareza, seu ríctus sinistro.


O grande achado de Plínio foi ter criado uma história que se basta em si mesma, autêntica na sua crueza. Têm uma verdade inconfundível as relações entre Giro, proletário homossexual do prostíbulo, seu truculento auxiliar Oswaldo, e as prostitutas Dilma, Célia e Leninha. Embora cada personagem exerça uma função específica na trama, acompanhando de perto modelos sociais mais amplos, não se sente que Plínio tenha feito exercício de laboratório. O microcosmo de Abajur Lilás tem validade própria, impondo-se pela correta psicologia e observação humana, a que a linguagem adequada empresta o justo tom realista.


Na sede de poder, que garante a segurança econômica, Giro tenta explorar ao máximo as três prostitutas. Por meio delas, Plínio mostra algumas formas de comportamento em face do mando. Dilma é acomodada, porque tem um filho para criar e teme as represálias. Leninha pensa obter vantagens, pelo espírito conciliador, mas faz na verdade o jogo de Giro e chega à delação. Célia é a revoltada irracional, que explode loucamente o desejo de vingança, sem pensar em meios e conseqüências. Oswaldo serve aparentemente a Giro, mas, ressentido com a própria impotência, se entrega ao prazer sádico de torturar as prostitutas.


O quadro está completo, as forças se desencadearem, Abajur Lilás existe como vigoroso documento humano, sem falsificações de nenhuma espécie. Plínio não sucumbiu ao lugar-comum de pintar uma prostituta boazinha, vítima da sociedade. Na áspera luta pela sobrevivência, elas se trucidam tanto quanto desejam ver-se livres do explorador. O texto contém a amarga realidade dos seres que se agitam na imanência, distantes de uma vida transcendente. Agudo diagnóstico de um dramaturgo que se intitula “ repórter de um tempo mau ”

 

Leitura dramatizada " O ABAJUR LILÁS " de PLÍNIO MARCOS

direção Delcio Marinho Gonçalves

SATED RJ dia 17 abril ( quinta feira ) 18h30m

Rua Alcindo Guanabara  17/ 18 * andar CINELÂNDIA / RIO DE JANEIRO 

http://www.satedrj.org.br/

Exibições: 159

Comentário de Delcio Marinho em 12 abril 2014 às 8:46

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