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Alemanha quer intensificar comércio no Brasil em áreas de produção sustentável

LILIAN MILENA
Da Redação - ADV


Empresas alemãs se unem para aumentar investimentos no Brasil. Cerca de 200 expositores dos setores público e privado dos dois países participaram da Ecogerma 2009 – Feira e Congresso de Sustentabilidade. A organização do evento estima que deverão ser gerados R$ 200 milhões em novos negócios a partir do encontro.

A Alemanha é o terceiro maior investidor estrangeiro no Brasil tendo aplicado cerca de US$ 25 bilhões em recursos diretos no país. Já o Brasil é o principal mercado alemão na América Latina – em 2008, o Brasil exportou US$ 8,9 bilhões, e importou outros US$ 8,7 bilhões do país europeu.

Não é a primeira vez que setores de governo e da iniciativa privada da Alemanha se mobilizam para investir por aqui. Essa é, na verdade, considerada a terceira onda de investimentos diretos em terras brasileira. A primeira ocorreu antes da Segunda Guerra Mundial com aportes direcionados às áreas comerciais. Já a segunda foi na década de 1950, com a chegada das montadoras alemãs.

O interesse recente no Brasil está voltado, em especial, às áreas de bioetanol, infraestrutura e agroindústria. Durante a coletiva de abertura do evento, o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, destacou que a aproximação entre os dois países ocorre em momento oportuno uma vez que ambos aumentam investimentos em produção sustentável.

“A cooperação está caminhando para se tornar mais importante no campo da política de ciência e tecnologia”, completou.

Cooperação

O ministro destacou que os governos do Brasil e da Alemanha firmaram dois acordos recentes. O primeiro visa a construção de uma torre de observação, na região da Amazônia, com 300 metros de altura – o Brasil tem hoje um prédio com a mesma finalidade construído no estado do Pará de alcance igual a 75 metros de altura. A iniciativa será acompanhada pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (gerenciado pela Aeronáutica), e os alemães contribuirão com a tecnologia de materiais leves para a estrutura da torre.

O segundo acordo de cooperação foi firmado para desenvolver áreas de sustentabilidade, como a de biocombustíveis, a partir da troca de conhecimento e intercambio de pesquisadores entre os dois países.

“Há genuinamente um interesse da Alemanha em cooperar com o Brasil. Do nosso lado, nós poderemos contribuir a partir da tecnologia que temos em biocombustíveis. Por outro lado, a Alemanha deverá contribuir muito para o desenvolvimento do Brasil por ser um país que tem uma ciência quase que milenar”, afirmou o ministro.

A ministra alemã da Educação e Pesquisa, Annette Schavan, também compareceu no primeiro dia da Ecogerma e destacou a importância do intercambio de pesquisadores entre as duas nações. “O Brasil é o parceiro mais importante da América Latina. Um exemplo são as organizações mediadoras de cooperação universitária que já atuam no país”, disse.

O Serviço de Intercambio Alemão (DAAD – Deutche Akademische Austauschdienst), patrocinou em 2007 cerca de 636 cientistas alemães no Brasil – a cooperação entre o DAAD e instituições brasileiras existe há 40 anos.

Expectativas

O mercado que promove a utilização adequada dos recursos naturais está entre os que mais crescem no mundo. Segundo a consultoria alemã Roland Strategy Consultants, até 2020 o segmento de meio ambiente e sustentabilidade irá crescer 6,5% ao ano, alcançando a marca dos Us$ 4 trilhões.

Cerca de 30% da energia consumida na Alemanha é de fonte renovável. O país também domina 25% das tecnologias desenvolvidas para a reciclagem e, no mercado interno, as áreas ligadas a sustentabilidade ambiental devem crescer na ordem de 6,7% ao ano até 2020, saltando de 200 bilhões de euros para 470 bilhões de euros – a expectativa é que até a próxima década o setor ambiental fature quatro vezes mais na industria alemã saltando de 4% para 16% no mercado interno.

Em 2010, Brasil e Alemanha devem promover o ano da ciência entre os dois países. Mas antes, em Junho deste ano, será a vez do ministro Paulo Bernardo viajar à Alemanha para conhecer empresas e institutos interessados na troca de experiências.

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