Amar é...# Cafu (inspirada por Marx e Engels)

Love grows everyday por Flavia Weedn

Amar é...desenvolver as forças produtivas pessoais!

:)

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Comentário de Cafu em 25 junho 2010 às 13:28
Lena querida,

Assino embaixo. Não consigo mais me identificar com nenhum desses clichês da cultura sobre o amor, principalmente os que enfatizam a doação, o auto-sacrifício e o abrir mão de si (e dos projetos vitais) em favor do outro e de suas demandas. São fontes eternas de frustrações, infelicidade, ressentimentos e agressividade. Conhecemos esse filme de cor e salteado, é o que mais vemos ao nosso redor. O dar e receber, as trocas, enfim, sem levar em consideração a qualidade delas, são um barco furado. Podemos trocar apegos, medos, inseguranças, manipulações, interesses nada edificantes, neuroses, doenças. Podemos manter relações pegajozas, simbióticas onde a individualidade está diluída na indiferenciação e no bololô.

O Erich Fromm em seus belos livros A Arte de Amar e O Ser e o Ter afirma que o amor é coisa rara e que existem duas formas de amar: Ter o outro ou Ser com o outro. A grande dificuldade, e o que explica a raridade da ocorrência no mundo, reside no fato de que para Ser com outro é preciso, antes ou concomitante, Ser para si. Impossível de acontecer sem um processo profundo e permanente de autoconhecimento e reflexividade. Um caminho árduo e quase sempre doloroso de integração das inúmeras dimensões de nossa humana condição numa tototalidade íntegra: corpo, mente, espírito, afeto. O verdadeiro encontro de Eros e Psychê.

O cristianismo propaga as sábias palavras de Jesus “Amai ao próximo como a si mesmo”, mas na prática desmerece o “si mesmo”. Ele vem sempre acompanhado da assombração do “egoísmo”, da “culpa por desagradar e não corresponder às expectativas”, do pecado da desobediência e do inconformismo. Mas o preço é alto, a conseqüência é grave e lindamente definida naqueles versos do Fagner: “a tudo digo que sim, a nada digo que não, só para poder construir essa tremenda harmonia que torna velho o coração”. Ai que triste...levar uma vida inteira assim: agradando os outros, sendo simpática(o) e boazinha(o), abrindo mão da genuína auto-realização, engolindo sapos e omitindo posicionamentos em nome daquela tremenda harmonia que torna velho o coração. Desperdício de vida, alta traição aos dons, talentos, e potenciais que a vida nos oferece. Talvez essa seja a maior de todas as tragédias humanas: passar pela vida sem se apropriar dos incríveis tesouros que existem dentro e fora de nós, alienados da nossa bem-aventurança e felicidade. Ruim pra pessoa, péssimo pro mundo, que se vê privado de contribuições excelentes, que poderiam trazer melhorias e evolução para todos. E lá se vai mais um renascimento raro e precioso desperdiçando a oportunidade de libertação do sofrimento samsárico...

Marx e Engel fizeram a análise da História como um processo de constante interação entre relações sociais de produção e forças produtivas. Quando as relações sociais de produção “atravancavam” o desenvolvimento das forças produtivas sociais, a sociedade entra em declínio. Quando esse estrangulamento chega no limite, e ameaça a sobrevivência da maioria, é hora das transformações radicais, da revolução. Penso ser plenamente possível fazer essa analogia com o indivíduo também. O objetivo da vida é viver plenamente com alegria, produtividade, liberdade, crescimento, realização, sentido. Desenvolver nossas qualidades, talentos e dons. Se nossas relações familiares, conjugais, profissionais, políticas, espirituais, o que seja, paralisam, impedem, sufocam esse desenvolvimento, é preciso olhar para isso, reconhecer os gargalos e mudar o que é preciso ser mudado. Fazer um PAC radical no Ser para assegurar o fluxo da vitalidade, da criatividade, da plenitude do SER. :)))

Tenho profunda convicção que amar é Ser tudo que se é. E permitir ao outro que ele SEJA tudo que ele é.

AMAR É...


Ser

Livre

Com

Outro

Ser

Livre

Beijos, Guria.
Comentário de Stella Maris em 25 junho 2010 às 16:44
Cafú, sou levada a ser lacônica,
mas vou me estender( posso?)
Penso assim:
Sujeito de realizações, o homem é um ser-no-mundo. As relaçoes de convivências, que fazem parte da vida do homem, é um apelo constante ao diálogo, à comum união, isso exige respeito( deixar o outro ser ele mesmo) saber ouvir.
Gosto de Teilhard Chardim que diz'" Não há lugar para o egoismo, um átomo sente-se necessáriamente atraído por outro, uma célula procura outra, até levar à construção da criatura humana, formada por bilhões de células, nessa criatura infinitivamente complexa cada célula abdica de sua própria individualidade em favor da individualidade única do conjunto, para este irresistível proceso de atração comum a todas as coisas" Nisto Chardim criou uma nova palavra AMORIZAÇÃO
É indiscutível a dimensão social e histórica do homem,em conexão com Heidegger, posso dizer que a base fundamental do modo típico de pensar, é o pensamento ocidental.
Mas só sendo consciente , o homem é livre,mas como ser livre é optar por sí mesmo e estabelecer o projeto de vida que quer realizar, mas como realizar este projeto, se está submetido a causas externas que o forçem e o constranjem a sentir, a querer,e a fazer alguma coisa.
Tb, gosto muito do E. Fromm quando ele vai nos falar sobre os revolucionários;
" é a pessoa que se emancipou do laços de sangue, solo, das lealdades para com o Estado, classe, partido, religião.O caracter revolucionário é humanista no sentido de que sente parte de toda a humanidade e nada que seja humano lhe é estranho, Ama e respeita a vida. É cético e um homem de fé"
finalizando, creio que o amor seja uma consciencia, é uma voz íntima que nos chama de volta a nós mesma, e só posso estar comigo mesma se meu semelhante puder sentar na minha mesa. beijos de sempre.
Comentário de Cafu em 25 junho 2010 às 18:45
Stella,
Grata pela sua rica contribuição de teóloga Tudo muito apropriado e interessante.
Ah...L'amor che move il sole e l'altre stelle...
:)))
Beijos.
Comentário de Stella Maris em 26 junho 2010 às 14:10
Lenita, te lendo e amando. bjs.
Comentário de Cafu em 26 junho 2010 às 15:30
Embolou nada, Lena. Mesmo de forma apressada você disse algo que julgo essencial: “o ser humano dar conta de si mesmo, poupando responsabilidades pra outros”. Somos sujeitos ativos e "condenados à liberdade”, como dizia o Sartre. Escolhemos o tempo todo, mesmo quando estas escolhas nos prejudicam e nos colocam numa posição de “objetos passivos” (como a dependência, a submissão, a omissão, a alienação, a recusa em crescer, se diferenciar e assumir responsabilidades e conseqüências).

Tem muita gente folgada neste mundo. Tudo o que querem é entregar a vida, os problemas, as complicações, os riscos, as angústias, as conseqüências de seus erros, o trabalho pesado, as lutas a serem travadas, para outros administrarem ou fazerem por elas. Outros que estão travando suas próprias batalhas e teriam que sair de seu caminho para atender às intermináveis exigências.Tem muita gente que parasita e vampiriza a energia alheia. Em vez de optarem por fazer brilhar e expandir a própria luz, sugam qualquer réstia de luz que encontram pela frente.

Evidente que não estou negando a existência e o valor fundamental do amor, da compaixão e da solidariedade. Eles são essenciais, mas não devem ser confundidas com o descrito acima. Não existe nenhuma contradição, e muito menos exclusão, entre o amor a si e o amor ao outro. São dois lados da mesma moeda, absolutamente indivisíveis e complementares.

A vida de qualquer um é frágil e vulnerável e muitas vezes erramos, caímos, adoecemos, precisamos de ajuda, de amigos, de apoio, de colo, às vezes até de proteção. Em quantos momentos e situações já demos e já recebemos! Se a troca é saudável, assim que a pessoa se fortalece ela retoma seu destino nas mãos e segue adiante. O que estou chamando atenção é em relação àqueles que estão sempre mal, manipulam toda a atenção em volta com uma postura de vitimização, e não querem assumir responsabilidade de mudar, melhorar e superar.
Claro que eles têm vantagens com esta atitude de inspirar pena, culpa e preocupação.

Por mais fundo que seja o poço onde uma pessoa esteja confinada, se ela escolher sair dali ela vai conseguir. Mas tem gente que prefere reinar no inferno a ser um entre muitos na vida em comum. Sair do poço significa fazer uma escolha radical pela vida. Escolher Eros e não Tânathos. Encarar de forma firme e corajosa a difícil e dolorosa jornada no caminho do crescimento e da individuação. Significa se olhar e se ver de verdade: com erros, acertos, imperfeições, valores aprisionantes, crenças furadas e todo o leque de limites e possibilidades que a vida coloca ao alcance de todos. Mas, sobretudo, implica em mudar e jogar fora tudo aquilo que é disfuncional e não serve mais à própria evolução.

É aí que o bicho pega, porque é aí que a responsabilidade se impõe. Tem gente que não quer mudar de jeito nenhum, não quer abrir mão de poderes e vantagens concretos obtidos com a situação. Por incrível que pareça, não quer ficar bem! Quer se manter imaturo(a), infantilisado(a) e mamando nos outros que nem um neném.

E quando caímos nesta esparrela e fazemos pelo outro o que é de sua responsabilidade, reproduzimos e estimulamos essa dependência malsã. Porque a luta, os enfrentamentos, os erros, as correções, os desafios, são fonte de experiência e aprendizado. Na medida que lidamos com eles, e os superamos, eles enriquecem e fortalecem a vida pessoal. Quem protege e poupa alguém dos embates, das frustrações, das conseqüências das ações, do resultado das escolhas está impedindo o crescimento e a manifestação de sua força e autonomia. Não está fazendo um bem, embora aparente estar.
Beijos.
Comentário de Stella Maris em 26 junho 2010 às 17:32
Cafú, e Lena, vou acrescentar mais um na lista.
Quando somos usadas(os) como escudos...
Bom depois tem conversa.
bjs
Comentário de Cafu em 26 junho 2010 às 20:24
Stella,
Sou toda ouvidos.
Beijos.
Comentário de Stella Maris em 9 julho 2010 às 14:50
Voltando por aqui...

Hoje estive debatendo me em uma questão social/convivência....
E concluí...compreender o outro é assim uma exegese.. nos desinstala, me faz situar diante de mim mesma.
mas não quero aceitar uma sociedade que reduz a convivência ( amor) a mera mercadoria( satisfação, trocas..etc...
Mas não quero ser refém destes sentimentos pessoais,
Que eu possa ter amor pela comunhão ( não usura) e como tal, essa comunhão me conceda ir além , mas sempre dentro do meu próprio ser,( ou seja SER com o OUTRO.. Fromm)
Nisto o amor se torna sopro que gera ação e vida, que move o outro e a mim numa humanização sempre maior.E neste amor, eu, tu nos elevamos e nos tornarmos dignas.
.....mas para concluir.. como 2+2= 4...
Não conseguimos ver este amor .. aqui .. agora...
Por que não estamos construindo novos paradigmas para a convivência,nem fundimos relações benfazejas conosco mesma.
bjs ( Lena e Cafú)
Comentário de Cafu em 11 julho 2010 às 3:01
Stella,
O paradigma vigente é o do amor romântico: Cinderela, príncipe encantado, alma gêmea. Um dos maiores responsáveis pelo sofrimento do mundo. Basta olhar em torno para comprovar. Uma fonte eterna de ilusões, confusões e projeções e frustrações. Tempere-o com uma boa dose de capitalismo (consumidores/mercadorias/apropriação) e chegamos aonde estamos.
Sim. Amor é construção e como toda construção é trabalhoso, às vezes cansa, às vezes enche o saco, é cheio das surpresas, dos desafios e dos imprevistos. Não é algo que vem pronto, acabado, previsível, sob controle. Não está escrito nos manuais ou nas estrelas. Não resulta da sorte ou da trama do destino. Transborda. Como toda construção é fruto de um projeto. Esse projeto determina o que é feito, como é feito, com quem é feito, por quanto tempo. Dos alicerces à cumieira. Da fachada aos interiores. Da infra à superestrutura. Vem dos desejos (razão, sentimentos e emoções), das escolhas (liberdade), das ações e suas conseqüências.
Eu gosto muito da definição do Gil:
Amor
É como a rosa num jardim
A gente cuida,a gente olha,
A gente deixa o sol bater pra crescer, pra crescer
A rosa do amor tem sempre que crescer
A rosa do amor não vai despetalar
Pra quem cuida bem da rosa
Pra quem sabe cultivar

Beijos.

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