Amazônia à beira do caos. Desabastecimento no Acre já preocupa. “Chuva da manga” vem salvar a pátria.


Por Beto Bertagna (atualizado 31/08)

A fumaça vinda das queimadas e a baixa umidade relativa do ar estão jogando os habitantes do norte do Brasil para uma tênue fronteira que separa o estado de calamidade pública. Na
sexta-feira (27) pela manhã foi registrada, segundo fontes altamente
confiáveis uma umidade relativa do ar abaixo dos 11% e uma taxa de CO2
por volta de 3000 ppm, quando o normal é por volta de 350ppm, ou seja
quase 10 X mais. A chuva que caiu na madrugada desta segunda-feira(30)
pouco abalou os maiores focos de incêndio no Estado. Apenas amenizou um
pouco a fumaça na capital, Porto Velho.

Nos últimos 200 anos, a concentração de dióxido de carbono na atmosfera aumentou 27% – decorrente da queima de combustíveis fósseis com o início da era industrial e com os desmatamentos –
sendo que metade deste aumento ocorreu nos últimos 30 anos. As
concentrações de CO2 na atmosfera passaram de 272 ppm na era pré-industrial para 350 ppm no início dos anos 90.

- Uma verdadeira calamidade! exclamou a técnica que informou os dados ao site www.betobertagna.com

Por conta da seca, as águas do rio Madeira estão tão rasas que podem interromper a ligação com o Acre e com o Amazonas, que é feito através de balsas que cruzam o rio. A situação é
mais crítica na balsa que liga a BR 319, entre Porto Velho e Humaitá, no
Amazonas. Na outra balsa, a 20 km de Abunã, que liga Rondônia ao Acre,
a travessia demora às vezes quase 5 horas, bem mais 10 vezes do que o
normal , porque as manobras do rebocador da balsa tentam evitar os
bancos de areia que se formaram no Madeira. As vezes, há o inevitável
encalhe e daí a situação fica mais crítica até desencalhar uma das
balsas. ( duas operam no local ). Extensas filas tem se formado nas
duas margens do rio, provocando atrasos e irritações. No trecho
navegável do Madeira, já há 2 balsas lotadas de carretas encalhadas na
localidade de Calama, a 20 km de Porto Velho. Pior ainda para Cruzeiro
do Sul, cidade de 77 mil habitantes localizada a 630km da capital acriana,
quase na fronteira com o Peru. Com uma estrada trafegável apenas 2
meses por ano, a segunda maior cidade do Acre é abastecida basicamente
por balsas vindas do Amazonas , num inimaginável trajeto que culmina no
rio Juruá chegando a demorar 2 meses e por avião, através de um vôo
diário da empresa Gol. Com as secas, os rios começam a ficar
intrafegáveis e com a interrupção do tráfego nas balsas, só restará a
Cruzeiro do Sul a ligação aérea, com o preço do custo de vida subindo
também às alturas.

No Acre, as queimadas e a fumaça proveniente da Bolívia também estão deixando o ar quase irrespirável, provocando irritações nas mucosas e dificuldades respiratórias. O
Instituto de Meio Ambiente do Acre (IMAC) recebeu nesta semana a
confirmação de que o Ministério da Defesa autorizou que os homens do
Exército auxiliem o governo do Estado no combate às queimadas. De acordo
com o órgão, serão 36 homens, sendo que 20 atuaram em Rio Branco, 8 em
Epitaciolândia e 8 em Plácido de Castro.

Dicas para você se prevenir durante os dias de ar seco:
Tome muita água, o dobro do que está normalmente acostumado. Tenha um cuidado especial com as pessoas acima dos 70 anos e nos bebês de até 1
ano oferecendo água abundante para eles. Os bebês que se alimentam só
de leite materno podem ganhar um pouquinho de água na mamadeira.
Observe se as crianças estão bebendo bastante água e se elas estão
fazendo xixi com frequência. Escolha comidas leves como saladas,
verduras, macarrão com molhos leves e pouca carne, evitando gorduras.
Aumente a umidade do ar, usando um umidificador ou então pendure uma
toalha umedecida na cadeira na hora de dormir.

É esperado um arrefecimento na seca com a chuva que caiu na região nesta madrugada (31) e que foi mais intensa e duradoura. Para muitos antigos moradores, desacostumados com a
inconstância do tempo, “a chuva da manga”, a primeira grande chuva do
ano. De fato, a paisagem na capital Porto Velho, já amanheceu diferente.

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Comentário de José de Arimatéa dos Santos em 31 agosto 2010 às 19:00
Domingo passado postei também a respeito desse clima doido que passamos aqui em Rondônia. No final da tarde aqui em Santa Luzia do Oeste, caiu uma boa chuva que amenizou e tanto a situação. Ontem e hoje o clima parece que tende a melhorar com mais chuvas.
Parabéns pela postagem!
Abraço!

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