"Paulo Cezar Saraceni, que morreu [recentemente/foto abaixo] aos 78 anos, foi o cineasta mais pobre que já existiu. Não ligava para dinheiro, não acreditava em dinheiro e, não se sabe como, conseguia fazer filmes sem dinheiro.

 

 

Aliás, sabe-se, sim. Os amigos acreditavam em seus filmes, cachê era o de menos. Esses amigos eram Leila Diniz, Raul Cortez, Marília Pêra, Ney Latorraca, Hugo Carvana, muitos mais - e Antonio Carlos Jobim [foto abaixo].

 

 

Em 1962, antes da explosão de ‘Garota de Ipanema’, os americanos já viam em Jobim o homem de ‘Desafinado’ e ‘Samba de Uma Nota Só’. Para construir sua carreira nos EUA, bastava que ele fosse para lá.

 

Pois, justo naquele ano em que estava pronto para conquistar o mundo, Tom, num papo casual com Saraceni, provavelmente no Veloso, em Ipanema, ofereceu-se para fazer uma canção para o filme que o amigo estava rodando, chamado ‘Porto das Caixas’. Ofereceu porque gostava de Saraceni. Dali nasceu ‘Valsa do 'Porto das Caixas'’, uma das peças mais bonitas e delicadas da obra de Tom.

 

Valsa do ‘Porto das Caixas’” (Tom Jobim) # Jorge Helder (baixo acústico) /Marcos Nimrichter (piano) / Rafael Barata (bateria) / Mario Adnet (violão) /Nailor Proveta (sax e clarinete) / Philip Doyle (trompa).

 

 

[Essa valsa com sabor russo, impressionista e ao mesmo tempo jazzístico, foi gravada uma única vez no disco ‘The Wonderful of Antonio Carlos Jobim’ (Warner B.,1965)].

 

Em 1963, com ‘The Girl from Ipanema’ nas paradas e Tom já em Nova York, Hollywood começou a jogar milhões sobre ele para que musicasse seus filmes. Tom os recusou, um a um - entre estes, ‘A Pantera Cor de Rosa’, naquele ano, e ‘Um Caminho para Dois’, em 1967. Os dois foram para Henry Mancini, que não se importava de fazer o que Tom não faria. ‘O galã toma o carro e ouve-se uma musiquinha de dez segundos. O galã chega e ouve-se outra musiquinha de dez segundos. Mas isso não é música’, Tom dizia.

 

Veloso, 1970, Tom e Saraceni à mesa. Saraceni fala de seu novo filme, ‘A Casa Assassinada’. E Tom oferece-lhe outra canção que seria ‘Crônica da Casa Assassinada’, lançada no filme e depois, ampliada e incluída por Tom no disco ‘Matita Perê’. Amigo é assim”.[grifo meu].

 

 

Faixa com as canções “Crônica da Casa Assassinada”, “Trem Para Cordisburgo”, “Chora Coração”, “O Jardim Abandonado” e “Milagre e Palhaços”, de Tom Jobim e Vinícius de Moraes, gravadas por Tom Jobim no álbum 'Matita Perê' (1973). Arranjos de Dori Caymmi.

 

 

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Fonte:

- Folha de São Paulo / Coluna Ruy Castro.

- Site #Radinha.

- CD Jobim Jazz / Mario Adnet.

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Comentário de Gregório Macedo em 29 abril 2012 às 1:46

Beleza de crônica. Por coincidência, nós dois a selecionamos/publicamos. Só que aqui ficou melhor ainda, pois eu não conhecia as duas músicas do Jobim, e finalmente tive a satisfação de ouvi-las.

Beijos.

 

 

Comentário de Laura Macedo em 29 abril 2012 às 11:25

Gregório,

Está provado que estamos em sintonia em tudo rsrsrsrsrsrsrs

Beijos.

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