Aposta na inovação fortalece frente à crise

LILIAN MILENA
Da Redação


O período de recessão econômica tende a induzir o corte de gastos nas empresas e ameaçar investimentos em inovação. Dados da Confederação Nacional das Indústrias (CNI) mostram que em 2009 as importações no mercado de manufaturados brasileiro caíram cerca de 30%, por conta da retração mundial e da situação do câmbio no país – com o dólar entre R$ 1,80 e 1,90.

Convidado para palestrar no 3º Congresso Brasileiro de Inovação na Indústria, o executivo de estratégia de marcas famosas, como General Eletrics e Procter & Gamble, Rowan Gibson, esclarece, entretanto, que numa pesquisa feita recentemente pela Boston Consulting Group, cerca de 25% de executivos de companhias maiores afirmaram que inovação é prioridade, estando entre as ações estratégicas dos empreendimentos. Ao mesmo tempo, quase 2/3 (59%) planejavam aumentar investimentos em pesquisas, em 2009, “supostamente o pior ano dessa crise histórica”, destaca.

Cada vez mais as empresas reconhecem a importância estratégica da inovação, e diferente do que muitos acreditam, esse processo não requer pesados investimentos ou ideias tidas apenas por pessoas com o quociente de inteligência (QI) acima do normal. Gibson explica que o mercado nunca mudou de forma tão dramática num período tão curto de tempo, em se tratando de aplicações para aumentar a eficiência de produtos, serviços e redução de custos.

Dentre os exemplos, citados pelo executivo, está o da rede de supermercados Wal-Mart que perguntou a grande parte dos funcionários como poderiam economizar dinheiro em relação aos gastos energéticos. O resultado foi à redução de 38 milhões de dólares em dois meses, que seriam consumidos só em energia – um exemplo de inovação em custos.

Outro case destacado foi o aumento de vendas nos primeiros meses do ano da Hyundai, nos Estados Unidos. Em outubro de 2008, as negociações caíram 30%, em novembro 40% e em dezembro 50%. Após essa baixa, a companhia decidiu fazer uma pesquisa e descobriu que 50% das pessoas entrevistadas, que tinham dinheiro disponível, disseram não comprar por medo de perder o emprego, concluindo que a saída era oferecer um plano garantindo a recompra dos veículos ao cliente que ficasse desempregado após adquirir o bem. Em fevereiro de 2009 as vendas aumentaram 50%, e em março mais 35%.

“Não ocorreu inovação técnica, a Hyundai não inventou nenhum novo carro. A novidade está no modelo de negócios, em como se adaptaram a um outro ambiente, às novas necessidades dos compradores”. E completa: “A inovação é a mais importante e única condição para transformar a crise em oportunidade”.

Exercício diário


A principal dificuldade do empreendedor, segundo o executivo, está em ligar a criação de novos serviços e produtos a uma ação que precisa ser feita em um ambiente separado de todo o corpo da empresa e que depende de altos investimentos. Sendo que o primeiro passo é estabelecer a ideia de que é possível administrar sistematicamente a inovação como algo que deve ocorrer diariamente em todas as áreas de sociedade.

Existem pesquisas que indicam o aumento de novidades empreendedoras quando o funcionário ganha 10% da sua carga de trabalho para fazer o que bem entender. Gibson também atenta para a necessidade de reunir pessoas que estão mais afastadas do centro administrativo da empresa: “Basicamente temos que agregar jovens e incentivar a variação étnica, pois o convívio entre vários pontos de vista nos permite enxergar o mundo com outras lentes possibilitando novas descobertas”.

Uma lente que precisa ser constantemente utilizada é aquela que leva o produtor a se colocar no lugar do cliente e descobrir suas necessidades quebrando pontos de vistas ortodoxos. No Japão, produtores criaram melancias quadradas, para facilitar o transporte da fruta, utilizando uma caixa onde a planta se desenvolve. Já na Índia, a empresa Tata criou o carro mais barato do mundo, R$ 2.500,00 a unidade. Dois sucessos de venda conseguidos sem grandes investimentos, apenas com boas ideias.

Micro e Pequenas

Segundo o presidente da CNI, Armando Monteiro, o setor industrial está cada vez mais preocupado com a inovação, e já é perceptível o aumento de investimentos nesse âmbito, apesar de não existir, ainda, números que comprovem esse movimento. A confederação tem projetos de dobrar a inovação nos empreendimentos em quatro anos. Monteiro afirmou que o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) será fundamental para auxiliar as companhias menores a ampliarem o grau de novidade.

O presidente do Conselho Temático da Micro e Pequena Empresa da CNI, Lucas Izoton, complementa que não é difícil para esses empresários inovar. “A inovação não está só em um produto, pode ocorrer no sistema de gestão, no atendimento ao mercado, até mesmo nas técnicas comerciais de venda e design. Portanto podemos inovar em todos os pontos produtivos de uma empresa”, coloca.

Para o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (FIEP), Rodrigo Loures, é valido aumentar a interação entre o conhecimento desenvolvido nas universidades e a aplicação de tecnologias no setor produtivo, lembrando que a quantidade de pesquisas que são feitas e aplicadas na Coréia é quase 200 vezes maior do que no Brasil, graças à relação entre esses dois atores. A exemplo do que foi dito na palestra ministrada por Gibson, Loures ressalta que o país deve ter como objetivo a aposta em empresas tão inovadoras quanto as multinacionais citadas pelo executivo.

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