Não é fácil uma marca alcançar 250 anos no mercado. São poucos os produtos que atingem tal feito e menos ainda, os que estão, sob o controle da mesma família, durante tão longo tempo. São oito gerações no comando do mesmo negócio. A marca está presente em nosso país, desde os anos 1950, onde mantém sua mais importante subsidiária fora da Alemanha. A maioria dos produtos da empresa são feitas no Brasil. Vou mostrar um pouco de como a marca tomou parte das nossas vidas e da história, além de falar um encontro feliz, com uma bela melodia do nosso cancioneiro.
Há vinte anos atrás, mostrei esse instrumento para um estudante de exatas e perguntei-lhe o que era. Ele custou para responder e deu a resposta como palpite, não tinha certeza se era realmente uma régua de cálculo, nunca tinha visto uma. Há uma geração madura de engenheiros, físicos e outros profissionais das exatas, que nunca lidaram e só viram régua de cálculo, como peça de museu; custam a acreditar, que os cálculos de grandes obras e feitos da engenharia, como o Empire State Building, os transatlânticos e as primeiras viagens espaciais, foram feitos, com o auxílio dessas réguas.
Eu cheguei na história da Faber-Castell, após pesquisar uma curiosidade sobre a canção Aquarela, despertada por um vídeo que mostrarei mais abaixo, com uma canção muito parecida, de mesmo autores; este primeiro vídeo me levou a outros. Achei o vídeo a seguir, com um resumo da história da empresa e trilha sonora de Aquarela, canção que virou marca registrada da Faber-Castell no Brasil.
Na página da empresa encontrei mais detalhes; vale a pena conhecer História da Faber-Castell no Brasil. Existe uma página internacional comemorativa dos 250 anos da Faber-Castell, com edição em português, onde há muitas informações e ilustrações da sua história.
A seguir temos dois vídeos com campanhas publicitárias da marca:
Faber Castell - Aquarela - 1983 ( Versão Original )
Faber Castell Aquarela 1995 - segunda versão
O vídeo que despertou toda esta história é o seguinte, gravado por Marília Barbosa, com título de "Uma Rosa em Minha Mão", parceria de Toquinho e Vinícius de Morais, .
No endereço do You Tube, em que encontrei essa gravação, achei o depoimento da cantora:
"Achei no Youtube e fiquei muito feliz. Gravei essa música em 1973, de Toquinho e Vinícius, arranjo de Waltel Branco, Som Livre.
Foi o primeiro tema de novela a estourar em todo país, tema de Dina Sfat, em Fogo Sobre Terra, de Janete Clair. Meu primeiro sucesso nacional.
Obrigada, muito obrigada mesmo à Landojr que fez esse vídeo e o postou, é uma lindíssima homenagem. Beijo!
mariliabarbosamatta 4 meses atrás"
Toquinho também gravou a canção desta forma:
Uma Rosa Em Minha Mão
Procurei um lugar
Com meu céu e meu mar,
Não achei.
Procurei o meu par,
Só desgosto e penar
Encontrei.
Onde anda o meu rei,
Que me deixa tão só
Por aí.
A quem tanto busquei
E de tanto que andei,
Me perdi.
Quem me dera encontrar,
Ter meu céu, ter meu mar,
Ter meu chão.
Ver meu campo florir
E uma rosa se abrir
Em minha mão
Na sua página oficial, Toquinho explica a parceria, com o músico italiano Maurizio Fabrizio, de como adaptou a canção que compôs com Vinicius de Morais, a um trecho de melodia, mostrado pelo compositor italiano, e como surgiu a letra de Guido Morra, para Acquarello, que está no vídeo seguinte.
A versão definitiva da canção, usada pela Faber-Castell nas suas campanhas publicitárias, recebe uma nova letra em português, pela qual hoje a conhecemos. Aqui abaixo, diferentes vídeos com essa nova versão.
Aquarela I
Aquarela II
Aquarela III
Aquarela é, portanto, uma obra de quatro autores: Toquinho, Vinicius de Moraes, Guido Morra e Maurizio Fabrizio.
Aquarela
Numa folha qualquer
Eu desenho um sol amarelo
E com cinco ou seis retas
É fácil fazer um castelo...
Corro o lápis em torno
Da mão e me dou uma luva
E se faço chover
Com dois riscos
Tenho um guarda-chuva...
Se um pinguinho de tinta
Cai num pedacinho
Azul do papel
Num instante imagino
Uma linda gaivota
A voar no céu...
Vai voando
Contornando a imensa
Curva Norte e Sul
Vou com ela
Viajando Havaí
Pequim ou Istambul
Pinto um barco a vela
Branco navegando
É tanto céu e mar
Num beijo azul...
Entre as nuvens
Vem surgindo um lindo
Avião rosa e grená
Tudo em volta colorindo
Com suas luzes a piscar...
Basta imaginar e ele está
Partindo, sereno e lindo
Se a gente quiser
Ele vai pousar...
Numa folha qualquer
Eu desenho um navio
De partida
Com alguns bons amigos
Bebendo de bem com a vida...
De uma América a outra
Eu consigo passar num segundo
Giro um simples compasso
E num círculo eu faço o mundo...
Um menino caminha
E caminhando chega no muro
E ali logo em frente
A esperar pela gente
O futuro está...
E o futuro é uma astronave
Que tentamos pilotar
Não tem tempo, nem piedade
Nem tem hora de chegar
Sem pedir licença
Muda a nossa vida
E depois convida
A rir ou chorar...
Nessa estrada não nos cabe
Conhecer ou ver o que virá
O fim dela ninguém sabe
Bem ao certo onde vai dar
Vamos todos
Numa linda passarela
De uma aquarela
Que um dia enfim
Descolorirá...
Numa folha qualquer
Eu desenho um sol amarelo
(Que descolorirá!)
E com cinco ou seis retas
É fácil fazer um castelo
(Que descolorirá!)
Giro um simples compasso
Num círculo eu faço
O mundo
(Que descolorirá!)...
Parabéns a Faber-Castell pelo seu quarto de milênio!
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