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Aquarela e os 250 anos da Faber-Castell.

Não é fácil uma marca alcançar 250 anos no mercado. São poucos os produtos que atingem tal feito e menos ainda, os que estão, sob o controle da mesma família, durante tão longo tempo. São oito gerações no comando do mesmo negócio. A marca está presente em nosso país, desde os anos 1950, onde mantém sua mais importante subsidiária fora da Alemanha. A maioria dos produtos da empresa são feitas no Brasil. Vou mostrar um pouco de como a marca tomou parte das nossas vidas e da história, além de falar um encontro feliz, com uma bela melodia do nosso cancioneiro.

 


Quem não teve Faber-Castell em suas mãos? Os produtos da Faber-Castell, em seu quarto de milênio de existência, contribuíram bastante, com a educação, a criação artística e intelectual, as atividades científicas e a inovação tecnológica.

 

Na sua longa história, a marca foi contemporânea de de gênios e criadores como Mozart, Beethoven, Gauss, Goethe e Marx, para citar apenas alguns que talvez tenham sido usuários de seus produtos; o número de gênios poder ser acrescido de muitos mais ainda, para além da fronteiras do país onde a marca nasceu, pois um reconhecido e confesso usuário, que elogiou a qualidade dos produtos, foi o artista que se autorretratou na pintura abaixo.

Tenho hoje, como peça decorativa, na minha mesa de trabalho, uma Faber-Castell que me acompanha desde os bancos escolares; uma régua de cálculo de bolso semelhante a figura ao lado. Usava-a com habilidade e tinha também facilidade no cálculo mental, com multiplicações e extração de raízes; depois que adotei, no começo dos anos 1970, as calculadoras eletrônicas, perdi muito dessas habilidades e a régua de cálculo foi aposentada de suas funções.

Há vinte anos atrás, mostrei esse instrumento para um estudante de exatas e perguntei-lhe o que era. Ele custou para responder e deu a resposta como palpite, não tinha certeza se era realmente uma régua de cálculo, nunca tinha visto uma. Há uma geração madura de engenheiros, físicos e outros profissionais das exatas, que nunca lidaram e só viram régua de cálculo, como peça de museu; custam a acreditar, que os cálculos de grandes obras e feitos da engenharia, como o Empire State Building, os transatlânticos e as primeiras viagens espaciais, foram feitos, com o auxílio dessas réguas.

 

Eu cheguei na história da Faber-Castell, após pesquisar uma curiosidade sobre a canção Aquarela, despertada por um vídeo que mostrarei mais abaixo, com uma canção muito parecida, de mesmo autores; este primeiro vídeo me levou a outros.  Achei o vídeo a seguir, com um resumo da história da empresa e trilha sonora de Aquarela, canção que virou marca registrada da Faber-Castell no Brasil.

 

   

 

Na página da empresa encontrei mais detalhes; vale a pena conhecer História da Faber-Castell no Brasil. Existe uma página internacional comemorativa dos 250 anos da Faber-Castell, com edição em português, onde há muitas informações e ilustrações da sua história.

 

A seguir temos dois vídeos com campanhas publicitárias da marca:

 

Faber Castell - Aquarela - 1983 ( Versão Original )

 

   

 
Faber Castell Aquarela 1995 - segunda versão

 

   

 

 

O vídeo que despertou toda esta história é o seguinte, gravado por Marília Barbosa, com título de  "Uma Rosa em Minha Mão", parceria de Toquinho e Vinícius de Morais, .

 

   

 

No endereço do You Tube, em que encontrei essa gravação, achei o depoimento da cantora:

 

"Achei no Youtube e fiquei muito feliz. Gravei essa música em 1973, de Toquinho e Vinícius, arranjo de Waltel Branco, Som Livre.


Foi o primeiro tema de novela a estourar em todo país, tema de Dina Sfat, em Fogo Sobre Terra, de Janete Clair. Meu primeiro sucesso nacional.



Obrigada, muito obrigada mesmo à Landojr que fez esse vídeo e o postou, é uma lindíssima homenagem. Beijo!


mariliabarbosamatta 4 meses atrás"

 

Toquinho também gravou a canção desta forma:


 


Uma Rosa Em Minha Mão


Procurei um lugar


Com meu céu e meu mar,


Não achei.


Procurei o meu par,


Só desgosto e penar


Encontrei.



Onde anda o meu rei,


Que me deixa tão só


Por aí.


A quem tanto busquei


E de tanto que andei,


Me perdi.



Quem me dera encontrar,


Ter meu céu, ter meu mar,


Ter meu chão.


Ver meu campo florir


E uma rosa se abrir


Em minha mão

 

 

Na sua página oficial, Toquinho explica a parceria, com o músico italiano Maurizio Fabrizio, de como adaptou a canção que compôs com Vinicius de Morais, a um trecho de melodia, mostrado pelo compositor italiano, e como surgiu a letra de Guido Morra, para Acquarello, que está no vídeo seguinte.

 

 

 

 

A versão definitiva da canção, usada pela Faber-Castell nas suas campanhas publicitárias, recebe uma nova letra em português, pela qual hoje a conhecemos. Aqui abaixo, diferentes vídeos com essa nova versão.

 

Aquarela I

 

 



Aquarela II







Aquarela III





Aquarela é, portanto, uma obra de quatro autores: Toquinho, Vinicius de Moraes, Guido Morra e Maurizio Fabrizio.

Aquarela


Numa folha qualquer

Eu desenho um sol amarelo


E com cinco ou seis retas


É fácil fazer um castelo...


Corro o lápis em torno


Da mão e me dou uma luva


E se faço chover


Com dois riscos


Tenho um guarda-chuva...


Se um pinguinho de tinta


Cai num pedacinho


Azul do papel


Num instante imagino


Uma linda gaivota


A voar no céu...


Vai voando


Contornando a imensa


Curva Norte e Sul


Vou com ela


Viajando Havaí


Pequim ou Istambul


Pinto um barco a vela


Branco navegando


É tanto céu e mar


Num beijo azul...


Entre as nuvens


Vem surgindo um lindo


Avião rosa e grená


Tudo em volta colorindo


Com suas luzes a piscar...


Basta imaginar e ele está


Partindo, sereno e lindo


Se a gente quiser


Ele vai pousar...


Numa folha qualquer


Eu desenho um navio


De partida


Com alguns bons amigos


Bebendo de bem com a vida...


De uma América a outra


Eu consigo passar num segundo


Giro um simples compasso


E num círculo eu faço o mundo...


Um menino caminha


E caminhando chega no muro


E ali logo em frente


A esperar pela gente


O futuro está...


E o futuro é uma astronave


Que tentamos pilotar


Não tem tempo, nem piedade


Nem tem hora de chegar


Sem pedir licença


Muda a nossa vida


E depois convida


A rir ou chorar...


Nessa estrada não nos cabe


Conhecer ou ver o que virá


O fim dela ninguém sabe


Bem ao certo onde vai dar


Vamos todos


Numa linda passarela


De uma aquarela


Que um dia enfim


Descolorirá...


Numa folha qualquer


Eu desenho um sol amarelo


(Que descolorirá!)


E com cinco ou seis retas


É fácil fazer um castelo


(Que descolorirá!)


Giro um simples compasso


Num círculo eu faço


O mundo


(Que descolorirá!)...

 

Parabéns a Faber-Castell pelo seu quarto de milênio!

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