Arruda e os Mortos Vivos da Política Nacional

Os mortos vivos além de não criarem, matam aquilo que pode gerar comparação e denunciar sua condição putrefata.
Recentemente tuitei que Arruda agora é um morto vivo. Mesmo que continuasse andando não estaria vivo, apenas vagando sem objetivos e perspectiva política.
Analisando, porém o crescimento dos fatos narrados por vídeos que alcançaram outros políticos e conhecidos personagens da vida pública brasileira, vi que não estou sendo justo com o Arruda.
Não é de agora que Arruda é um morto vivo da política brasileira. Ele e um grande número de políticos brasileiros já morreram há muito tempo, mas continuam vagando pela vida pública, pois conseguem se alimentar dos esquemas que irrigam campanhas.
Mas por que mortos vivos?
Porque onde há vida, há criatividade, inventividade, originalidade, força, desempenho, disposição e ondas de co-criação frutos da irrigação constante do sangue oxigenado em nossos corpos.
Então, quantos de nossos governantes podem ser classificados como vivos?
“Mais do mesmo” é a tônica nacional.
Cadê as grandes idéias? Os projetos mais arrojados que convocam a sociedade para discutir sua cidade ou seu estado?
Ficam no discurso, nas promessas de campanha, na mentira da montagem de um secretariado inovador e com disposição pública.
Veja se você já não ouviu isso ou algo parecido.
Nas eleições
“Sou candidato das expectativas de meu povo, das necessidades imediatas das comunidades, quero ganhar esta eleição para colocar em andamento os projetos que estão no meu programa de governo. Recursos não faltam, idéias e projetos também não, o que falta é gerência, competência e vontade política”.
Após a eleição.
“Quero agradecer aos eleitores que entenderam nossa proposta de austeridade e planejamento. Nossa prioridade número um é colocar a casa em ordem, pois sabemos que as finanças públicas estão descontroladas e nossa equipe de transição prevê um ano muito duro pela frente…”.
Já ouviu? Com certeza sim, e provavelmente mais de uma vez.
Os que promovem este tipo de discurso compõem o maior partido do Brasil.
O PMVB – Partido dos Mortos Vivos do Brasil.
Presente em todos os municípios e estados brasileiros.
No Rio temos alguns ícones, verdadeiros totens da gestão do PMVB.
Os CIEP´s.
Em 1982 Leonel Brizola e Darcy Ribeiro conceberam e apresentaram um projeto original para os padrões brasileiros. Educação em tempo integral com vários serviços acoplados no local, que prestavam aos alunos assistência médica odontológica, biblioteca, aulas de reforço, alimentação balanceada, iniciação esportiva e atividades culturais abertas inclusive para a comunidade no entorno.
Foi triste acompanhar a desmontagem dos CIEP´s no Rio promovido pelo PMVB. Primeiro alegaram inviabilidade financeira para construir mais e manter os prontos. Depois que o modelo de educação baseado no sistema de tempo integral era discriminatório, por fim municipalizaram as estruturas e juro, cansei de ver CIEP abandonado, invadidos por pessoas sem residência fazendo de um projeto visionário apenas uma favela.
Os mortos vivos além de não criarem, matam aquilo que pode gerar comparação e denunciar sua condição putrefata.
Eles estão em todas as agremiações políticas, participam de todos os escalões governamentais.
Eles repetem idéias que não vão executar, prometem obras que não vão fazer, apontam caminhos que não vão trilhar e tem o conforto de saber que provavelmente seus sucessores irão fazer “mais do mesmo” dificultando assim a possibilidade de comparação futura que os elimine da vida política nacional.
Luiz Barbosa Neves

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Comentário de Flavio Tavares de Lyra em 6 dezembro 2009 às 10:57
Luis Barbosa: Achei excelente a metáfora. O diagnósitico é perfeito. Cabe-nos agora examinar detidamente as causas dessa situação terrível e apontar os caminhos para sair dela. Sua nota cumpre o insubstituível papel de nos alertar para o quadro iníquo de nossa situação política e, mesmo, exacerbar nossa indignação o que é fundamental para nos estimular a pensar sobre as saídas. Precisamos de um movimento nacional por uma Constituinte específica para fazer a reforma política. As relações deletérias que existem entre os setores privado e público precisam ser alteradas substancialmente. Sabemos que nas relações internas do setor privado são comuns as propinas e a corrupção como forma de fazer negócio. É preciso criar mecanismos que impeçam a extensão dessas práticas as relações do público com o privado. O financiamento privado das campanhas é o início de todo o processo de corrupção. Também é evidente que se faz necessário democratizar os partidos políticos, hoje controlados por verdadeiras gangs.
Parabéns de por sua nota e vamos em frente!
Comentário de Maristela Debenest em 6 dezembro 2009 às 17:09
Meu caro Luiz, primeiro, queri dizer que sou fã de suas postagens. Segundo, que neste tópico em especial concordo muito com o que disse Flavio Tavares, logo antes de mim. É urgente rever o modelo de representação partidária no país – que inclui financiamento à atividade partidária permanente e às campanhas eleitorais, mas também abrange a necessária fidelidade a um projeto, a indispensável regulamentação da vida partidária (para que novos quadros possam surgir e ser eleitos) e mais um montão de outros aspectos. E dificilmente isso poderá ser feito no cenário de um Congresso cujos parlamentares foram eleitos com base justamente nesse modelo falido e aberto à corrupção pela iniciativa privada (que, como bem ressaltou Flavio, utiliza esse expediente corriqueiramente em seus negócios não apenas com os governos) e à cooptação pelos mandatários de plantão nos executivos dos diferentes níveis de governo. Como ressaltou o Presidente Lula na primeira coletiva que deu sobre o caso do GDF, há duas minirreformas políticas no Congresso, de iniciativa do Executivo - mas elas não andam. Diante disso, creio que a constituinte seria a única (e talvez a melhor) alternativa, desde que a eleição de seus respresentantes de embasasse em regras diversas das do modelo atual. De qualquer forma, uma constituinte não nasce apenas da vontade política de governantes e de partidos, ela tem necessariamente que vir impulsionada pela força de movimentos sociais e políticos, os mais amplos possíveis. E este é um dos obstáculos que vejo pela frente.
Não vivemos um momento de mobilização, com a honrosa exceção do MST, execrado pela elite e seus asseclas nos meios de comunicação, nas universidades - talvez porque, além da imperdoável contestação à concentração da propriedade da terra, tem o desplante de manter-se constantemente mobilizado. Se minha avaliação está correta, será muito difícil até mesmo conseguir-se discutir a proposta de uma constituinte, que dirá convocá-la.
Gostaria de ouvir mais opiniões, pois este é um tema que me preocupa.
Outro, tem a ver com artigo que o sociólogo norte-americano Immanuel Wallerstein publicou no Página 12 (e também uma entrevista sua ao pessoal da Universidade Vale dos Sinos), sobre a reorganização das forças da(s) direita(s) na América Latina.
Vou postá-la já, já, num novo tópico deste grupo, para quem se interessar.
Abraços fraternos

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