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AS ESCOLHAS DE ARTHUR NESTROVISKI, DIRETOR ARTÍSTICO DA OSESP. ARTIGO DE ALI HASSAN AYACHE NO BLOG DE ÓPERA & BALLET.

                                        Arthur Nestrovski, foto Internet.

   Sabemos que o diretor artístico de uma grande orquestra, tem o aval e é o responsável pelos principais regentes e solistas convidados. É inegável que a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, OSESP para os íntimos, conta com os grandes regentes e solistas internacionais da atualidade. Também é inegável a cegueira da Fundação ou do seu diretor para os grandes solistas e regentes nacionais. Não é nacionalismo barato, pois cerca de 80 por cento dos convidados anualmente são “gringos”. O que tem de errado em exigir que a pequena fatia de espaço que sobra ser dos nossos melhores talentos brasileiros?
   Para exemplificar esta negligência com grandes artistas brasileiros, citarei alguns exímios músicos da nossa terrinha que não ficam devendo em nada aos estrangeiros e andam esquecidos pela direção da OSESP.
  Começo pelos pianistas: temos dois gigantes, jovens e ganhadores do primeiro premio no concurso internacional Marta Argerich (no qual tinha a mesma como presidente da banca). Os nomes são: Alexandre Dossin (Porto Alegre) e Sérgio Montero (RJ). Coincidência ou não, os dois moram e são catedráticos em universidades americanas e fazem carreira por lá. Ambos gravam pelo selo Naxos (selo que muitos artistas convidados pela Osesp também gravam) e já tocaram com as principais orquestras brasileiras, a exceção não precisa nem falar qual é.
   Outro exemplo de desperdício da Fundação OSESP é Luis Fabiano Rabello exímio pianista, virtuose, sobrinho do grande violonista Raphael Rabello. Luis Fabiano também solou com grandes orquestras pelo mundo e foi fisgado por uma das principais universidades de Rotterdam (Holanda) para assumir a cátedra de piano.
   Com relação ao violino também temos dois soberbos instrumentistas. O primeiro é o carioca Daniel Guedes, muito admirado pelo seu mestre Pinchas Zukerman (referencia mundial do violino). Daniel é um grande virtuose, também teve sua formação nas maiores universidades americanas e hoje faz intensa carreira no Brasil e exterior. Outro exemplo violinístico é o prodígio gaúcho Carmelo de Los Santos. O mesmo foi enviado para a terra do "Tio Sam" ainda jovem, onde aos 25 anos já era PHD em violino e fazia carreira na América. Carmelo leciona na terra de Trump. É lógico, eles não são bobos. Pra variar, só um pouquinho, o gaúcho também nunca solou com a OSESP.
   Terceira e última safra que cito é a dos regentes. Começamos pela regente, mulher intensa e extremamente competente: Lígia Amadio. Ela parece obviamente ser colocada de escanteio pela nossa  maior orquestra, como se a mesma não existisse. Lígia é inegavelmente uma das melhores regentes brasileiras da atualidade tendo no currículo trabalhos com as grandes orquestras pelo mundo e as principais orquestras brasileiras. Ligia Amadio foi a primeira mulher a reger a OSESP, em administração passada e tempos longínquos. Na atual é esquecida ano após ano. 
   O último e talvez o mais absurdo e emblemático exemplo de negligência da direção da orquestra, é o nome do maestro paulista Roberto Minczuk. Roberto é um nome consagrado no Brasil e exterior, dispensando maiores comentários. Apenas em 2010, por uma questão de homenagem, a pedido do seu irmão Arcádio, Roberto regeu a Osesp. Se há problemas de relacionamento ou antipatia entre membros da direção OSESP com Minczuk, o problema é dele ou deles. O público não tem nada a ver com isso e quer ver nossos grandes talentos no palco da Sala São Paulo. Está é uma entidade pública e não propriedade da direção.

   De todos os casos citados podemos chegar a uma conclusão. A velha e famosa "panelinha" esta instaurada. O diretor artístico Arthur Nestrovski se fechou com um grupo e esses sempre são os convidados para as apresentações.
Ali Hassan Ayache

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