Portal Luis Nassif

José Cleves

  Enquanto os sinos dobram anunciando o fim do jornal de papel – ou do jornal que tem dono –, as estrelas apontam para a internet, o veículo mais democrático e silencioso do mundo, sem concorrentes à altura e limites de informação. Gente de todo o planeta e idade, sem discriminação de credo, sexo, raça e opções políticas, redige o seu conteúdo, filmando e congelando imagens que se multiplicam numa velocidade inacreditável. Ninguém escapa dos celulares que mostram, por exemplo, a prisão e morte do ditador líbio Muamar Kadafi em Sirte. Uma das fotos exibindo o ditador ainda vivo, montado por um rebelde, foi divulgada dia 20 pela agência AFP para o mundo inteiro, numa cena confirmada pela TV Al Arabiya. Estes registros históricos nos levam à seguinte conclusão: o maior legado da internet é, definitivamente, a sua grande contribuição para a democratização da comunicação no mundo.

Faço essas reflexões para provar o atraso e as injustiças da imprensa paga, seja ela impressa ou eletrônica, daqui ou do primeiro mundo, porque são todas iguais. É um mundo de gente trabalhando para registrar fatos conforme a conveniência dos donos, de modo que existe uma diferença entre o fato registrado e o editado – e pior, o segredo guardado é bem maior do que o publicado porque este passa a ser o bem maior dos poderosos que usam estas informações segredadas como moeda de negociação. É por essas e outras razões que não me canso de soltar fogos para a internet, que veio ao mundo para mostrar aos poderosos que a informação de interesse público deve ser um bem social a serviço de todos, e não de grupetos.

Vou registrar aqui um exemplo prático de injustiça cometida pela imprensa atrasada. Dia 13/10, o foyer do Palácio das Artes de Belo Horizonte registrou um dos acontecimentos literários mais importantes de sua história: o lançamento do livro sobre a vida e a obra do jornalista Dídimo Paiva que, sem nenhum favor (não uso meus dedos de jornalista para fazer elogios de graça), é o maior patrimônio da imprensa mineira. Um dos maiores do país, pela competência, seriedade, ética, dignidade, coragem e, acima de tudo, comprometimento com a notícia verdadeira. Profissionais do gabarito de um Alberto Dines (que Dídimo me mandou convidar ao ler no Observatório o artigo que escrevi sobre essa sua obra literária) sabem o que representa este jornalista de 83 anos de idade para os mineiros.

Injustiça  contra o mestre

Basta dizer que ele comandou a opinião do jornal Estado de Minas durante mais de 40 anos sem nunca ter tirado proveito disso para benefício próprio, embora fosse o jornal um monopólio poderosíssimo. Praticamente o único do estado durante quase todos esses anos. Enfrentou ditadura, pressão externa e interna, vaidades, assédios, se meteu nas lutas sindicais por melhores salários, brigou, xingou, não aceitou imposições, defendeu colegas de trabalho injustiçados, fez manifestos contra a ditadura, elaborou o Código de Ética da profissão de jornalistas, desafiou deputados e governadores, contrariou interesses dos donos de jornais e sobreviveu a tudo isso. Comprou um fusquinha, o seu único carro, e um apartamento, onde mora dignamente com a sua mulher, Cidinha. Já no final da vida, um grupo de amigos, entre os quais me relaciono, tentou convencê-lo a escrever a sua autobiografia, mas a idade avançada e a dificuldade para escrever no computador impediram tal proeza. Foi quando os ex-companheiros de sua época de presidente do Sindicato dos Jornalistas Washington Tadeu de Melo e Paulo Lott, mandaram fazer o livro, escrito por Alberto Sena e Tião Martins, com pesquisa de André Rubião.

Pois bem. Peço o favor de não me perguntarem o destaque que a imprensa atrasada, em especial o jornal Estado de Minas, deu a este acontecimento. Eu não teria justificativa a dar aos incompetentes que comandam os veículos de comunicação de Belo Horizonte, com merecidas ressalvas, é claro. Mas, em contraposição, posso responder com o peito estufado de alegria que a mídia virtual lá esteve e retratou à altura esse extraordinário acontecimento, conforme ele merece. Blogueiros, tuiteiros, membros de redes sociais, palpiteiros, enfim, internautas de todas as linhagens, empregados ou não, registraram o fato na internet, não deixando que a injustiça cometida pela impressa atrasada maculasse a alma de nosso grande mestre.

Portanto, assim como a morte de Kadafi não saltou aos olhos de águia dos internautas, que a registraram magnificamente, a homenagem ao nosso grande jornalista Dídimo Paiva também foi para a história porque este é o sentimento que une os internautas e a classe jornalística – retratar fatos, dando-lhes destaques conforme a sua magnitude.

 

Exibições: 25

Comentar

Você precisa ser um membro de Portal Luis Nassif para adicionar comentários!

Entrar em Portal Luis Nassif

Novas

Receba notícias por e-mail:

Dinheiro Vivo

Publicidade

                                                                   http://www.adobe.com/go/getflashplayer\"><img src=\"http://www.adobe.com/images/shared/download_buttons/get_flash_player.gif\" alt=\"Get Adobe Flash player\" width=\"112\" height=\"33\" /></a></p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0</div>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <!--[if !IE]>-->\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 ','hspace':null,'vspace':null,'align':null,'bgcolor':null}" height="600" width="150">
        <!--<![endif]-->
      </object>

© 2013   Criado por Luis Nassif.

Badges  |  Relatar um incidente  |  Termos de serviço